Artigo: "Somos privilegiados", por Silvio Belbute

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O texto de hoje é do jornalista e sociólogo Sílvio Belbute, nosso novo colaborador da rede.


Sim, estamos vivendo um dos priores momentos da história da humanidade.

Sim, estamos há um ano experimentando a dor da partida em grande número de familiares, amigos, conhecidos.

Sim, estamos há um ano sofrendo com restrições, lockdowns, dificuldades econômicas, crises políticas e sociais.

Sim, vivemos a cultura do cancelamento, calando e silenciando quem pensa diferente de nós ou de nossos grupos.

Sim, somos privilegiados em vivermos todas estas transformações sociais, assistindo a tudo e interagindo a tudo em tempo real, instantaneamente, de forma contundente e profunda.

A humanidade não evolui numa linha do tempo constante e harmônica. Sofremos saltos evolutivos, soluços quantitativos e qualitativos. E toda mudança causa dor.

Estamos vivendo o final de uma Nova Idade Média, assistindo online a chegada de um Novo Renascimento.

O fim da Idade das Trevas foi marcado por quedas de impérios, pestes que dizimaram metade da população mundial, guerras, revoltas e o início de uma nova era tecnológica, com a chegada das máquinas a vapor.

A primeira Revolução Industrial alterou os modelos de produção, alterou as relações de trabalho, as relações sociais. Viu desaparecer classes sociais e o surgimento de novas. E demorou quase um século para se consolidar. E viu nascer novas organizações, novas demandas. A crescente urbanização, naquele período, experimentou a ausência de infraestrutura nas cidades, causando doenças. E viu nascer avanços na medicina, na criação de vacinas, no tratamento para de problemas que poucos anos antes, levavam à morte.

Cem anos depois a humanidade experimenta a Segunda Revolução Industrial, com a chegada dos motores a combustão, sacodindo novamente as sociedades. Assistimos mais uma vez o fim de impérios, desaparecimento de nações e o surgimento de novas, ondas de independência. E mais guerras, mais confrontos e novas doenças. E mais uma vez novas soluções, avanços tecnológicos em todas as áreas, o início da disseminação do conhecimento e novos arranjos sociais, explicitando conquistas de direitos e evidenciando a responsabilidade de deveres. Uma nova ordem social emerge.

Experimentamos agora o final da Terceira Revolução Industrial e a chegada da Quarta Revolução, ou Revolução Digital ou Industria 4.0, como definiu o alemão Klaus Martin Schwab, fundador do European Symposium of Management, que em 1987 passa a se chamar World Economic Forum.

E como toda mudança, gera conflitos, gera confrontos, acompanhada de uma série de eventos – como nas outras oportunidades – tais como: pestes, guerras, recrudescimento de posições, fanatismos, alterações políticas e sociais.

E nem bem começamos esta nova revolução mundial e já vislumbramos ali na frente a Quinta Revolução Industrial, ou Revolução Tecnológica (como alguns apreciam chamar). O mundo estará ainda mais conectado, com a internet de hipervelocidade, possibilitando a comunicação holográfica, cirurgias à distância, controle de doenças e tratamentos com um piscar de olhos (sequer precisaremos “clicar”); terapias genéticas capazes de regenerar órgãos, cura definitiva do câncer, Alzheimer, Parkinson, entre outras chagas.

Estamos no limiar de uma nova corrida especial, com a instalação de colônias humanas em outros planetas (2032), hotéis na órbita da Terra (2027), a mineração de asteroides (2030). Hoje cinco países já têm protótipos de reatores com base em fusão nuclear, gerando muito mais energia e mais limpa que as atuais usinas nucleares na base de fissão nuclear. E já estão estudando a utilização destes reatores para abastecerem as futuras naves, decolando da órbita terrestre, em direção a outros mundos. A viagem até Marte seria encurtada de sete para três meses – por exemplo. 

Diversos países e montadoras de automóveis abandonaram os motores a combustão, movidos por combustíveis fósseis, por carros elétricos (2030-2035). E isto causará uma nova reorganização de poder mundial, uma nova emergência social.

Inúmeras empresas estão empenhadas na produção de bens e serviços com total respeito ao meio ambiente e aí temos uma nova revolução: a produção reversa, com reaproveitamento de materiais em seus ciclos e outros ciclos produtivos. 

A produção será totalmente automatizada, gerenciada por inteligência artificial; a agricultura totalmente motorizada, controlada por sistemas de satélites, via internet. Já há experimentos para alteração de microclimas regionais, visando evitar enchentes  e possibilitando o aumento da produtividade no campo. A carne artificial começa a sair dos laboratórios.

Somos privilegiados por assistirmos ao vivo e em cores a queda de impérios e o surgimento de outros; de uma nova economia: a economia circular (já sendo testada em algumas regiões na Holanda).

Estamos vivenciando o nascimento de um “Admirável Mundo Novo”.  Mas estamos em nossa infância: relutantes em aceitar algumas mudanças, teimosos em perceber novas realidades, usando inadequadamente muitos dos recursos à nossa disposição.


Silvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
MTb 0018790/RS



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