ARTIGO: "Revoluções Silenciosas", por Silvio Belbute

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O texto de hoje é do jornalista e sociólogo Sílvio Belbute, nosso colaborador da rede.

REVOLUÇÕES SILENCIOSAS

Para melhor compreensão do que vem a seguir, é preciso conceituar alguns aspectos.

“Tecnologia” é todo método, instrumento ou técnicas que visem à resolução de problemas. E podem ser empíricos ou científicos.

Assim posto, vamos aos pontos de interesse deste artigo, iniciando por posicionar as revoluções como produtos diretos das tecnologias. Em todas as áreas.

E vou focar nas “redes sociais”. E aí faz-se necessários conceituar novamente. As “redes sociais” conhecidas hoje, são as “redes digitais”. E porque faço esta distinção? Pela razão de que as “redes digitais” apenas estreitam as relações interpessoais, enquanto as “redes sociais” geram “capital social”. E entenda-se por “capital social” a agregação de recursos e potenciais de uma rede para um determinado objetivo ou propósito, gerando “valor social”. Exemplos: uma rede de amigos é criada com o objetivo de reunir-se para jogar futebol/vôlei ou praticar qualquer outro esporte coletivo; pessoas reúnem-se para realizar campanhas do agasalho, arrecadação de doações para auxilio de comunidades, ou fundar uma associação. As “redes sociais” já existem na sociedade e são anteriores as “redes digitais”. Porém, as “redes digitais” amplificaram e potencializaram a realização das “redes sociais”.



Pois bem. Havia um mundo até a chegada do “telégrafo”. Samuel Finley Breese Morse criou o seu primeiro protótipo em 1838. Em 1851 foi instalada a primeira linha telegráfica pública ligando o Reino Unido e França e em 1858 foi inaugurado o primeiro cabo transatlântico ligando os EUA com a Europa.

E o mundo teve uma significativa mudança a partir daí. Em 1851 é fundada a Associated Press e Reuters, popularizando as notícias, até então de domínio apenas das elites políticas e econômicas.

Em 1864 trabalhadores franceses e ingleses coordenam suas ações através do telegrafo, impedindo que os patrões enfrentassem as greves, transladando a produção. E no mesmo ano, outros sindicatos de trabalhadores foram convocados para a conferência que deu origem a Primeira Internacional.

Tom Standage, jornalista britânico do The Economist, a chamou de “Internet Vitoriana” (A Internet vitoriana: A história notável do telégrafo e os pioneiros on-line do século XIX - Walker & Company – 1998).

O celular surgiu em 1947, nos laboratórios da Bell. Mas popularizou-se apenas nos anos 2000. E já em 2004 ocorre na Espanha a “Noite dos Celulares”. O governo espanhol culpou o ETA (Pátria Basca e Liberdade) pelos atentados de 11 de março de 2004 nas estações de trem espanholas. Porém, um agente policial descobriu a farsa e enviou um SMS para amigos. A mensagem “viralizou” por todo país, gerando uma onda de revoltas, culminando da derrota do governo nas eleições, cinco dias depois.

Em 2009 surge o Whatsapp, criação de Jan Koum e Brian Acton. E em 2014 Mark Zuckerberg adquire o aplicativo, revolucionando a forma de comunicação global, tanto pessoal quanto empresarial.

Já em 2013 surgiram as primeiras ações, convocando pessoas para as manifestações de protestos no Brasil. Mas muito além disto, o aplicativo gerou impacto nas comunicações, causando reações das operadoras de telefonia, que chegaram a sugerir que os clientes pagassem pelo uso do Whatsapp. Mas a reação do público não apenas impediu a cobrança, como provocou mudanças nas políticas comerciais e de marketing das operadoras, que passaram a oferecer o aplicativo livre da franquia em seus planos.

Hoje, grupos de Whatsapp tem capacidade de influenciar eleições, disseminar “fake news”. Mas empresas também descobriram o potencial do aplicativo, largamente utilizado na aproximação com os clientes, comunicação com equipes de vendas, contato com equipes técnicas, agendamentos diversos. E, finalmente, possibilitando a comunicação por áudio e vídeo, crucias para manter as pessoas conectadas – sem custos adicionais – em qualquer lugar do planeta.

A linha de tempo de tais revoluções é mais ampla, procurei ressaltar as mais importantes. Poderia colocar neste rol também a “Primavera Árabe” e tantas outras, como ocorrida nas Filipinas em 2001.

Estas revoluções silenciosas, surgidas despretensiosas, estão transformando o mundo ainda mais em uma “aldeia global”. Principalmente encurtando as distâncias entre as pessoas, culturas, aproximando o “ser” do mais “humano”.

O martelo não é o culpado por acertar o dedo de quem o usa. A imperícia, a falta de atenção e descuido do “usuário” do martelo o são. Assim, a tecnologia não é a culpada pelos erros cometidos por quem as usa.

Em relação as “redes digitais”, que podem constituir “redes sociais”, gerando “capital social”, a “cultura do cancelamento”, criação e propagação de “fake news”, discursos de ódio, assassinato de reputações, são apenas subprodutos do mau uso que as pessoas dão a ferramentas e tecnologias, voltadas para a melhoria e crescimento da humanidade.



Silvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
MTb 0018790/RS



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