Estudantes do RS apresentam na Itália dispositivo de IA que auxilia no diagnóstico de câncer de pele
Dois estudantes de Ensino Médio de Porto Alegre criaram uma solução inovadora na escola – um dispositivo portátil que pode auxiliar profissionais de saúde no diagnóstico de câncer de pele, com uso de inteligência artificial (IA). Premiado na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) 2025, o projeto concorre agora na I Giovani e le Scienze, uma importante feira científica da Itália, que ocorrerá de 21 a 23 de março, em Milão.
| Colégio João Paulo I/Divulgação |
Batizado de SkinScan, o aparelho conta com uma placa Raspberry Pi, que faz o processamento das informações; uma tela touchscreen, que exibe os resultados; e uma câmera, que serve para escanear lesões de pele. Após capturar 12 imagens, o dispositivo é capaz de identificar se a lesão é suspeita ou não – ou seja, se há indícios de câncer de pele.
O sistema de IA foi treinado com cerca de 10 mil imagens de lesões benignas e malignas de bases de dados da área da saúde. O equipamento está em fase de testes e analisa apenas imagens.
A ideia é que, futuramente, possa ser utilizado como suporte para profissionais da saúde via Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando o diagnóstico, principalmente do melanoma, tipo mais grave de câncer de pele. A ideia foi desenvolvida por dois adolescentes de 17 anos: Arthur Duval e Fernanda Gib, do Colégio João Paulo I (JPSul), na Capital.
— O que a gente precisa agora, para realmente conseguir testar em pessoas, é uma parceria com alguma universidade ou hospital, que nos dê acesso para implementar isso, por exemplo, em unidades básicas de saúde, em postinhos. Que é justamente onde a gente quer que nosso projeto seja implementado, na atenção primária — conta Arthur, que está no 2º ano do Ensino Médio.
Os estudantes foram orientados pelos professores Giovane Irribarem de Mello e Maria Eduarda Pellicioli, de física. A docente destaca que, embora o dispositivo seja uma solução voltada a pacientes, quem tem que fazer a avaliação é o médico:
— Esse dispositivo serve como auxílio para o profissional da saúde, ele não substitui a avaliação médica — destaca Maria Eduarda, que também leciona metodologia científica.
O laboratório de Iniciação Científica é parte dos projetos de atividades extracurriculares do JPSul. Aprofundar o entendimento sobre a ciência na escola com atividades práticas é fundamental, segundo a professora:
— Quando o aluno entende como a ciência funciona ele é capaz, por exemplo, de se posicionar em relação a assuntos do cotidiano que envolvem ciência, e entender melhor o que está acontecendo no mundo. E conseguir formar opiniões, tomar decisões de maneira mais responsável.
O SkinScan pesa cerca de 500 gramas e é capaz de gerar resultados em dois segundos, com precisão de 77%.
Ideia surgiu em sala de aula
O projeto foi resultado de parceria entre os alunos, que uniram seus conhecimentos para formular a solução. Fernanda pesquisava sobre câncer de pele, e o colega Arthur tinha conhecimentos de robótica.
Juntos, eles criaram o dispositivo portátil com formato de pistola, usando a impressora 3D da escola. O aparelho, que pesa cerca de 500 gramas, é capaz de gerar resultados em dois segundos, com precisão de 77%, conforme os testes feitos até o momento.
— Basicamente, o que fizemos foi pegar o conhecimento teórico que tínhamos e desenvolver o dispositivo em si. Aproveitamos toda a parte de hardware dele, de robótica, e na parte de software tivemos que treinar a IA. Usamos bancos de dados públicos para conseguir essas imagens, que são imagens dermatoscópicas, específicas de lesões de pele — explica Duval.
Outro diferencial da solução é o baixo custo de produção. O dispositivo tem um custo de montagem de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, o que poderia facilitar sua disponibilização à sociedade. O aparelho funciona de forma portátil, com bateria recarregável.
Fonte: GZH
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