A primeira vez que a dona de casa Lúcia (nome fictício para preservar a vítima) entrou em uma delegacia para registrar ocorrência foi por insistência das filhas. Acompanhada por duas irmãs, procurou a polícia para denunciar o ex-marido por violência doméstica. Dias depois, foi chamada para uma audiência judicial. TJRS/Reprodução — Cheguei no Fórum sem saber o que fazer. Estava assustada. Lembro de olhar para uma sala com outras mulheres e, então, me sentir melhor, querer estar ali. Entrei, fui acolhida e, hoje, seis anos depois, continuo vindo. Cuidam do meu processo e cuidam de mim. Nunca estamos sozinhas — relata. O processo da dona de casa é um entre os 17,8 mil que tramitam em dois Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Porto Alegre. Em todo Rio Grande do Sul, tramitam 50,7 mil casos de natureza semelhante, demanda que reflete a escalada de feminicídios — 21 mulheres assassinadas somente neste ano —, e o aumento de outros crimes de gênero. Foi diante des...
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