Roupas que já tiveram dono ganham nova vida e, pouco a pouco, transformam a forma como o mundo se veste. Em meio ao ritmo acelerado da fast fashion, que encurta ciclos e estimula o descarte quase imediato, a moda circular avança de maneira consistente, combinando estilo, consciência ambiental e uma nova lógica de consumo.
| Matheus Leal/Divulgação |
O interesse não se explica apenas pelo preço. Ele envolve identidade, exclusividade e a busca por peças que carregam história. Segundo o ThredUp Resale Report 2025 — plataforma norte-americana que monitora as tendências mundiais do segmento second hand — este mercado movimentou US$ 227 bilhões em 2024 e pode alcançar US$ 367 bilhões até 2029, crescendo quase três vezes mais rápido que o varejo tradicional. O que antes parecia restrito a um nicho hoje se consolida como escolha cada vez mais presente no guarda-roupa — e na mentalidade — de consumidores atentos.
No Brasil, o movimento acompanha esse compasso. São mais de 118 mil brechós espalhados pelo país, gerando empregos, estimulando curadoria e abrindo espaço para pequenos empreendedores. No Rio Grande do Sul, Canoas e Caxias do Sul ampliam presença nesse cenário, enquanto Porto Alegre concentra parte dessa efervescência. Na avenida João Pessoa, referência em moda de segunda mão, mais de 25 brechós transformam a compra em descobertas. Ali, o consumo deixa de ser impulso para se tornar escolha refletida. Reaproveitar roupas deixa de representar apenas alternativa e se afirma como posicionamento diante do próprio tempo.
Essa transformação já se reflete no varejo gaúcho e conduz ajustes nas estratégias do setor. Para Patrícia Palermo, economista-chefe da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), o crescimento dos brechós tem impacto concreto na economia, movimentando empregos e fortalecendo pequenos negócios. Ao observar que os consumidores valorizam curadoria, qualidade e história, ela identifica um comportamento que vai além da busca por preço. Esse perfil, como destaca o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, altera o planejamento do comércio de moda, já que o público passou a priorizar sustentabilidade e experiências mais significativas.
Os números ajudam a dimensionar o cenário. Segundo Rodrigo de Assis, economista da entidade e presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul (Corecon-RS), Porto Alegre, Canoas e Caxias do Sul registram expansão média anual de 15% no número de brechós. Diante desse contexto, investir em diferenciação e relacionamento torna-se essencial, como ressalta Carlos Klein, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), diante de um consumidor cada vez mais criterioso. Aos poucos, a economia circular deixa de ocupar espaço marginal e passa a integrar, com naturalidade, a dinâmica do varejo local — sinalizando que o futuro do setor pode estar menos no descarte e mais na permanência.
Nas calçadas da avenida João Pessoa, entre vitrines e brechós que respiram história desde os anos 1990, a moda de segunda mão palpita com movimento e identidade. Foi nesse cenário que, em março de 2019, Ana Paula Ramos inaugurou o Lafayette, oferecendo uma experiência única para quem explora suas araras. Cada visita é um mergulho em décadas passadas, em busca de peças prontas para ganhar nova vida, com curadoria atenta e descobertas que fazem o cliente voltar sempre.
O Lafayette tem duas unidades — feminina e masculina — mas a filosofia é a mesma: moda não tem gênero. Blazers de alfaiataria dividem espaço com camisas modernas, calças oversized e vestidos retrô. Para Ana Paula, mais do que etiqueta, importa o ajuste perfeito e a liberdade de circular pelas araras, descobrindo combinações inesperadas. "O cliente não busca apenas preço, busca propósito, história e diferenciação", afirma.
Seu público vai dos moradores tradicionais do bairro, que procuram peças clássicas, a jovens da geração Z, universitários e clientes LGBT+, todos atentos a estilo, personalidade e qualidade. Mensalmente, mais de três mil peças passam pelas araras, com preços que vão de R$ 5 a R$ 450, garantindo diversidade e explorações a cada visita.
Na mesma rua que mistura tradição e reinvenção, a trajetória de Rejiane Luiz reforça como a moda circular também se sustenta na experiência de quem acompanha o setor há décadas. À frente do Brechó da Reji há cerca de 20 anos — negócio que nasceu da vivência ao lado da mãe, também proprietária de brechó — ela consolidou um público majoritariamente feminino, atento à qualidade, às tendências e ao equilíbrio entre estilo e orçamento.
Com acervo que gira em torno de 10 mil peças e alta rotatividade, aposta na venda presencial como diferencial, oferecendo orientação personalizada na escolha das roupas. "As clientes querem estilo, mas dentro da realidade financeira. Quando conseguem unir os dois, saem felizes", resume. A loja atende consumidoras da região de Porto Alegre e também de outros estados, mantendo viva uma tradição familiar que encontrou na segunda mão um caminho de permanência e atualização.
Para quem decidiu empreender no mercado de brechós, o crescimento do setor trouxe um recado claro: boa intenção não sustenta negócio sozinha. À medida que o consumo consciente ganha espaço, cresce também a exigência por estrutura, planejamento e visão de longo prazo. Vender roupa usada é apenas o começo. Daniela Machado, analista de articulação de projetos do Sebrae RS, explica que a moda circular já superou a fase experimental. "Ela deixou de ser uma tendência e se consolidou como modelo de negócio estruturado. Quando o empreendedor consegue alinhar propósito, gestão e estratégia, ele ganha estabilidade e capacidade real de crescer", afirma.
Não se trata só de vender peças usadas, mas de mostrar ao cliente por que aquele brechó é único. Curadoria criteriosa, atenção ao estado das peças, higienização adequada, organização do acervo e experiência de compra bem construída influenciam diretamente a decisão do consumidor.
Para a especialista, a profissionalização vai além da vitrine. Gestão de estoque, precificação correta, controle de custos e compreensão do público deixam de ser tarefas operacionais e passam a orientar escolhas estratégicas. "Saber como o cliente se comporta, onde está e como se relaciona com a marca é essencial para a sustentabilidade do empreendimento", reforça Daniela. Ela alerta, ainda, que a narrativa se torna um instrumento poderoso. Contar histórias, contextualizar cada peça e criar conexão emocional fortalece a marca e diferencia o negócio. As redes sociais desempenham papel central nesse processo, permitindo que a curadoria seja qualificada e a comunicação, precisa.
A proximidade entre brechós fortalece o segmento. "Trocar experiências, apoio mútuo e a busca por inovação conjunta faz toda a diferença", explica Ana Paula Ramos, do brechó Lafayette. Para os empreendedores da região da avenida João Pessoa, em Porto Alegre, essa rede de colaboração transforma a moda circular em cultura e comunidade, tornando cada visita aos estabelecimentos não só uma compra, mas um passeio pelo tempo e pela estética.
A poucos quilômetros dali, no Moinhos de Vento, o Second Chance mostra outra faceta da moda de segunda mão. Fundado em 2019 por Maria Pia Albuquerque, Julia Sperotto e Júlia Calazans (foto), o brechó nasceu da percepção de que as amigas tinham peças de luxo esquecidas em armários. Com investimento inicial inferior a R$ 15 mil, elas transformaram oportunidade em negócio consolidado. Em 2025, o faturamento chegou a R$ 8,5 milhões, movimentando mais de três mil peças nacionais e internacionais, incluindo roupas, joias e bolsas de marcas renomadas. Cada item de luxo passa por validação Entrupy — certificação digital internacional que garante autenticidade. Maria Pia explica: "Independente da marca ou certificação, selecionamos peças por tecido, acabamento, caimento e design. Valorizar marcas nacionais também é estratégico, mostrando o talento local", avalia a empresária.
O público do Second Chance é majoritariamente feminino, de 35 a 58 anos, e realiza mais de 80% das compras pelo e-commerce. A procura acompanha a sazonalidade, mas as clientes também buscam peças de estações opostas para viagens. No inverno, o ticket médio aumenta com casacos e itens de maior valor. Maria conta que as fornecedoras que vendem suas peças recebem créditos com bônus de 10%, estimulando a fidelização e a circulação consciente. "Cada compra envolve atenção aos detalhes, narrativa da peça e cuidado para garantir que exclusividade e confiança caminhem juntas", define a sócia do brechó de luxo.
No universo digital, Anallu Bastos, atriz e influenciadora, comanda o Achados da Anallu, brechó totalmente online. "Desde a pandemia, me reinventei e embarquei nesse mundo da segunda mão", conta. Ela transforma desapegos e garimpos em catálogos pelo Instagram e grupos de WhatsApp com transmissões ao vivo conferindo interatividade e proximidade com o público. Ana atende clientes de 18 a 60 anos, em Porto Alegre e outras regiões, oferecendo peças vintage ou mais antigas, sempre com qualidade e estilo. A média de vendas é de 50 peças/mês, crescendo no inverno com casacos e itens estruturados. "Comprar moda deixa de ser apenas adquirir roupas e acessórios, tornando-se uma experiência de entretenimento, diálogo e descoberta", explica.
No Brasil, poucas redes de moda circular alcançaram a presença e a relevância da Peça Rara. Fundada em Brasília, em 2007, por Bruna Vasconi, a marca transformou peças esquecidas nos armários em novas oportunidades de consumo. Hoje são mais de 130 lojas espalhadas pelo país, com projeção de chegar a 300 unidades nos próximos cinco anos.
A expansão nacional ganhou ainda mais visibilidade quando, em 2022, a atriz Débora Secco passou a integrar a sociedade como sócia e embaixadora. "Acreditamos que é possível consumir moda com responsabilidade e propósito", afirma Bruna. A presença da atriz ampliou o alcance da marca e reforçou a proposta de tornar a moda circular mais acessível. No Rio Grande do Sul, a rede chegou em 2023 com unidades em Porto Alegre, nos bairros Moinhos de Vento e Cidade Baixa. Segundo a fundadora, o Estado apresenta forte potencial de crescimento, especialmente por reunir consumidores atentos à durabilidade, ao design e à procedência das peças. "Cada região tem suas particularidades, e nós respeitamos isso", pontua.
Todas as peças passam por curadoria especializada: são avaliadas, higienizadas e precificadas antes de ir para as araras. O que não atende aos critérios pode ser devolvido ou destinado à doação, e parte da arrecadação é revertida ao Instituto Eu Sou Peça Rara. "Mais do que vender roupas, queremos prolongar o ciclo de vida dos produtos", reforça Bruna.
O desempenho acompanha a sazonalidade do varejo. No inverno, casacos e jaquetas lideram a procura; no verão, roupas leves e acessórios ganham destaque. Datas como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, Natal e Black Friday concentram maior fluxo de clientes. Em 2025, a rede comercializou mais de quatro milhões de itens de segunda mão, com crescimento de 25% no faturamento em relação ao ano anterior.
O avanço das unidades porto-alegrenses impulsiona a expansão para outras cidades gaúchas. Além de uma nova loja prevista para a Capital, municípios como Bagé, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Erechim, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, São Leopoldo e Uruguaiana estão no radar da marca. O modelo prevê formatos variados, permitindo adaptação ao porte e ao perfil de cada localidade. Para Bruna, o equilíbrio entre padrão nacional e identidade local é um dos pilares da rede.
O mercado de brechós deixou de ser apenas um espaço alternativo para se tornar um reflexo das escolhas conscientes de quem vê a moda como expressão de identidade. Comprar moda circular é hoje tanto um ato de estilo quanto uma forma de prolongar a vida das roupas existentes, escolhendo valor, qualidade e singularidade. Para muitos, a experiência vai além do preço e transforma a visita à loja em um garimpo de ética, estética e personalidade, onde cada peça conta sua própria história e reforça a visão de mundo sustentável.
Patti Leivas, comunicadora e influenciadora digital, mergulha nos brechós em busca de peças que falem por si, sobretudo roupas de couro e marcas de luxo. Para ela, ir a um brechó é mais do que um passeio, é um exercício de atenção e curadoria. "Gosto de experimentar, sentir a textura, verificar se as costuras estão perfeitas e se não há manchas. Cada detalhe influencia na decisão de levar para casa", destaca Patti, ressaltando que o consumo de moda circular é afetivo e estratégico, permitindo que o guarda-roupa seja preenchido com peças únicas, duráveis e atemporais. Ela mantém uma relação ativa com o mercado através da venda de itens que não usa por um ano. A ideia de Patti é desapegar rapidamente, garantindo manutenção de valor e qualidade para nova circulação. Quando algo não atende aos critérios, doa. "É possível aproveitar melhor o que já existe sem abrir mão do estilo ou da qualidade", conclui.
A jornalista Queli Giuriatti vê os brechós como experiências de descoberta e paciência, quase como um programa de lazer. Para ela, garimpar é uma caçada consciente, onde qualidade, tecidos nobres e acabamentos bem cuidados pesam na escolha, mas o prazer de encontrar algo inesperado também importa. Frequentadora assídua de diversas lojas, Queli conta que faz muito tempo que não visita um shopping para comprar roupas. "Meu shopping é o brechó, até quando viajo para outras cidades e países", afirma. Entre suas últimas descobertas, destaca "um vestido de linho impecável, que custou menos de 90 reais". Para ela, consumir moda circular é também um ato ético, prolongando a vida das peças e respeitando o que já existe.
Mesmo com perfis distintos, Patti e Queli representam o mesmo movimento: consumidores que tornam a moda circular relevante. Elas mostram que o que sustenta o mercado não são apenas preços ou peças diferentes, mas atenção, consciência e conexão emocional com cada escolha. Esse olhar molda a forma como se compra, se usa e se compartilha moda hoje, preparando o terreno para a Geração Z, que chega com expectativas ainda mais conectadas à sustentabilidade, ética e personalização.
Caxias do Sul e Canoas mostram que a moda circular passou a ocupar espaço consistente no varejo regional. Em Canoas, mais de 15 brechós transitam entre o popular e o luxo, refletindo mudança concreta no comportamento de consumo e na dinâmica do comércio local. Para a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, o crescimento acompanha a consolidação do slow fashion e do consumo mais consciente. A entidade que já internalizou a tendência, incluiu a categoria Brechó na 23ª edição do Marcas & Líderes, reconhecimento que sinaliza maturidade do setor e relevância econômica no município.
Esse avanço se traduz também em expansão. A Divina Troca, criada em 2014 e apontada como a mais lembrada no levantamento, por exemplo, começou como brechó infantil e ampliou o modelo. Hoje opera quatro lojas físicas — em Canoas, Porto Alegre, Novo Hamburgo e Xangri-lá — com acervo superior a 10 mil peças em circulação. "O momento é desafiador para o comércio em geral, mas o segmento tem crescido de forma consistente", afirma Alice Pilla, gerente de marketing. A operação é exclusivamente presencial, estratégia ligada à logística de peças únicas e à alta rotatividade.
Em Caxias do Sul, o movimento provoca reflexão no varejo tradicional. Para a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul trata-se de uma inflexão clara no mercado. A entidade avalia que parte dos consumidores passou a dividir suas compras entre modelos distintos de negócio, pressionando o comércio convencional a se reinventar diante do e-commerce e da concorrência internacional.
É nesse cenário que a Garimpo Gold se consolida. Fundada em 2018 por Flávia Martini Santini, a loja aposta em curadoria e identidade como diferenciais. Alfaiataria, bolsas de alto padrão e peças com memória compõem um acervo que prioriza seleção criteriosa. "O cliente busca história e significado", resume a fundadora. O que se vê nas duas cidades não é apenas crescimento de um segmento, mas reorganização de prioridades. Preço segue relevante, mas não isolado. Curadoria, propósito e circularidade passam a integrar a equação do consumo. No Interior, o brechó deixa de ser alternativa e assume posição de protagonista em um varejo que aprende, gradualmente, a operar com novos valores.
A roupa nunca foi apenas para cobrir o corpo. A história confirma que o vestir sempre refletiu uma manifestação cultural e temporal. E, para a Geração Z, não é diferente. As escolhas definem estilo, consciência e identidade. Em um mundo saturado pelo excesso e descarte rápido, brechós e plataformas de segunda mão deixam de ser marginais e ocupam o centro das decisões dos jovens, espaços onde consumo e atitude se encontram, e cada peça conta sua narrativa.
O relatório Resale's Next Chapter, do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Vestiaire Collective, mostra que 32% do guarda-roupa da Geração Z já provém do mercado de segunda mão. Entre eles, 45% das bolsas e 36% das roupas vêm desses canais, que também abrem portas para novas marcas. Oito em cada dez jovens afirmam ter descoberto opções diferentes nesse universo. Vestir hoje é escolha, declaração e presença — um gesto que traduz valores sem precisar de rótulos.
Para a estudante de Museologia da Ufrgs, Aimée Bento Leonhardt, 20 anos, a motivação vai além da estética ou do preço. Ela compra porque considera a moda circular sustentável e significativa. "Praticamente todas as minhas roupas e acessórios vêm de brechós. Prefiro garimpar em lojas físicas para sentir o caimento e ter certeza de que a peça se encaixa bem. Saber que estou reaproveitando e dando nova vida a cada item faz toda diferença", explica. Seus critérios incluem estado de conservação, qualidade do tecido, corte que combine com seu corpo e autenticidade. Ela valoriza peças que tragam algo a mais, um toque diferenciado, resumindo que vestir não é só cobrir o corpo, mas expressar identidade e estilo próprio.
Leonardo Silva, conhecido como Asteriel, de 21 anos, também mergulha nesse universo de descobertas. Busca roupas vintage, calças de alfaiataria, coletes e camisas com detalhes únicos, especialmente das décadas de 1980 e 1990. Mais do que colecionar peças, valoriza a experiência de garimpar: "Gosto de ir pessoalmente às lojas, sentir a textura, perceber os detalhes. Isso faz toda diferença." Ao escolher, considera conservação, corte e combinações possíveis, além de caimento no corpo e diálogo com seu estilo.
O jovem percebe algo maior no movimento. A diversidade encontrada nos brechós merece atenção. "É fascinante ver tantas pessoas diferentes compartilhando o mesmo espaço. Cada um constrói seu próprio personagem, mistura estilos, customiza e brinca com acessórios. Mesmo com semelhanças, cada pessoa é única", conclui, mostrando que a moda circular vai além de roupas, ela é expressão, atitude e identidade.
Entrar em um brechó é como abrir um baú de histórias — tudo tem memória, estilo e, se a escolha for cuidadosa, tem seu futuro garantido no guarda-roupa.
Garimpar exige olhar treinado, paciência e estratégia, e é nesse terreno que Gabriela Henemann, consultora de imagem 360°, guia quem quer transformar a visita em achado certeiro.
"O primeiro passo é conhecer seu estilo, sem isso qualquer peça se perde na rotina", afirma Gabriela. Seguir tendências ou se deixar levar pelo preço é arriscado. Ela explica que é preciso saber o que funciona com o corpo, combina com a personalidade e acrescenta valor ao que já existe. Esse olhar faz diferença entre uma compra passageira e um verdadeiro tesouro.
A qualidade é outro segredo que o preço não revela. Gabriela observa cada costura, tecido e acabamento — explica que um casaco barato pode desaparecer após algumas lavagens, enquanto uma peça bem-feita se torna companheira por anos. "Garimpar é aprender a ler sinais de durabilidade, enxergar o que vai além da etiqueta", ensina.
Para ela, experimentar é essencial. "Mesmo algo bonito no cabide pode não favorecer o corpo — o caimento é decisivo", ressalta. Nesse instante, o garimpo se transforma em descoberta.
"A peça certa encaixa-se como se tivesse sido feita para você. Cada ajuste no provador, cada teste de combinação, é parte da experiência que faz a visita valer a pena" reforça ao destacar que os melhores achados surgem para quem observa com calma, sem pressa nem expectativa automática.
Integrar a peça ao próprio estilo é o que transforma o garimpo em resultado. Customizações sutis, combinações criativas e ajustes estratégicos transformam roupas comuns em destaque do guarda-roupa.
"Moda consciente é sobre escolhas inteligentes, não apenas preço", conclui Gabriela — e é essa consciência que faz do brechó um espaço de estilo, descoberta e autenticidade.
Fonte: Jornal do Comércio
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