Novo Quadrilátero Central gera expectativa por aumento das vendas no Centro de Porto Alegre

O comércio no Centro Histórico de Porto Alegre enfrenta, já há alguns anos, uma série de fatores que diminuíram o fluxo de pessoas pelo bairro e, consequentemente, o consumo. No entanto, um dos movimentos que geravam expectativa é a conclusão da revitalização do Quadrilátero Central, ainda em fevereiro. A reforma torna o espaço mais atrativo e, agora, a esperança dos lojistas está em um aumento nas vendas pela melhora da caminhabilidade, segurança e paisagismo nos trechos contemplados.

Pedro Piegas/PMPA


Para o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas Porto Alegre), Arcione Piva, as vendas online são o principal fator para a queda no movimento nos centros, o que não é exclusivo da Capital, que ainda sofreu com as enchentes em 2024 e, agora, com um aumento nos camelôs, algo que a prefeitura, conforme Piva, já havia se comprometido a não permitir.

“Pós-pandemia mudou muito o perfil do consumidor, em função dos trabalhos remotos e híbridos, e se reduziu significativamente o número de pessoas que se deslocam até os centros mais nervosos das cidades”, comenta o presidente. “Mas as reformas dão um alento para quem continua vindo”, completa.

Piva reforça que a revitalização ajuda na retirada de uma quantidade de obstáculos que havia no Centro, como calçadas quebradas e falta de iluminação à noite, que comprometiam a sensação de segurança. “Não vou dizer que as ruas ficaram perfeitas, sempre podemos melhorar, mas elas ficaram muito melhores do que eram antes.”

Para os lojistas, a sensação é que o movimento não será recuperado quando comparado ao que foi antes das cheias, e a percepção muda de cada ponto sobre o que foi melhor antes e depois das obras.

Na Andradas, a sócia de uma loja de artigos de moda Luciane Trindade vê as vendas como positivas, ainda que abaixo do esperado. Ela tinha seu negócio na avenida Otávio Rocha e, quando começaram as obras do quadrilátero, seu acesso ficou quase impossibilitado e, então, precisou fechar. 

Depois, esteve na rua Voluntários da Pátria pouco antes das enchentes e desde novembro do ano passado se firmou na Rua da Praia, onde parece, ao seu ver, ter encontrado estabilidade.

Para a proprietária de uma loja de artigos gerais, Ya lan Zheng, a situação vai de mal a pior. Em dois anos, o fluxo é cada vez pior e o período de obras representou uma queda nas vendas. Para o restante deste ano, torce para que o novo cenário motive os consumidores. E assim como Luciane, vê os dias de semana como os mais lucrativos, enquanto os finais de semana ficam abaixo a ponto de não abrirem no domingo.

Piva reflete que “o desafio seria montar alguma estratégia para atrair clientes não necessariamente só com os produtos, mas com alguma atividade artística, uma promoção em conjunto entre os lojistas, alguma campanha”. Ele reforça que o Sindilojas está à disposição para auxiliar em algo do gênero e que é importante gerar interesse no consumidor para que ele venha até o Centro.

Já a auxiliar administrativa de uma ótica na avenida Borges de Medeiros, próxima à Andradas, Yasmin Janaína de Jesus, relata que as obras não diminuíram o impacto nas vendas e agora o que se espera é ainda mais pessoas circulando pelo bairro. Em frente à loja, inclusive, foram postos tapumes por alguns meses e “depois que destamparam deu uma abaixada no movimento, mas a gente acha que é por causa das festas”, relata Yasmin, otimista pelos próximos meses.

Entretanto, as ruas que não foram atingidas diretamente pela revitalização não notam, no geral, uma mudança nas cifras, ainda que um movimento acentuado em vias do entorno possa significar uma melhora consequencial. Para o proprietário de uma loja de artigos de festas na rua Senhor dos Passos — ao lado da Otávio Rocha —, André Luz, as vendas caíram 10% em 2025 ante 2024 e começaram 2026 com uma queda de 25% ante o mesmo período do ano passado.

Em 40 anos neste ponto, relata que desde as enchentes o Centro vive seu pior momento. “As pessoas estão abandonando o bairro”, afirma. Ele cita o exemplo dos diversos comércios desocupados e com placas de aluguel, e entende que apesar da iniciativa da revitalização ser positiva, é preciso mais incentivos do poder público para quem quiser empreender no local.

O presidente do Sindilojas Porto Alegre, Piva, aponta que outro fator prejudicial é a taxa de juros elevada. E apesar da Selic estar prevista para iniciar um período de cortes ainda em março, ele teme que os conflitos no Oriente Médio e a escalada no preço do petróleo façam com que o Banco Central recue neste momento. “Precisamos de uma sinalização de redução de juros para que o consumidor possa voltar a ter interesse e possibilidade de consumir”, acrescenta.

Fonte: Jornal do Comércio 


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