Unijuí desenvolve pesquisa inédita sobre perfis de agressores de violência doméstica no sistema prisional do RS

Está em desenvolvimento, por parte da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), o projeto Sobre Eles, que busca analisar o perfil de homens presos por violência doméstica contra a mulher no sistema prisional do Rio Grande do Sul. A informação foi confirmada pela mestre e futura doutoranda, advogada Vitória Pedrasi.

Divulgação

O trabalho é realizado em parceria com a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo do Rio Grande do Sul e envolve também o Departamento de Políticas Penais, a Assessoria Técnica da secretaria e o Departamento Técnico e de Tratamento Penal da Polícia Penal. A pesquisa integra o painel “Sobre Eles – Perfil, diagnóstico e propostas de intervenção: painel de acompanhamento de autores de violência doméstica contra a mulher no sistema prisional do Rio Grande do Sul”, coordenado pela professora Joice Nielsson.

Em entrevista à Rádio Mundial, Vitória Pedrasi explicou que o objetivo é analisar perfis a partir de entrevistas com homens que estão detidos em função de violência doméstica. A pesquisa reúne dados quantitativos e qualitativos e já contabiliza mais de 860 entrevistas realizadas em diferentes unidades prisionais do estado.

De acordo com a advogada, a percepção inicial aponta que muitos autores de violência doméstica tentam driblar a responsabilidade pelos atos praticados. Além disso, alguns entrevistados sequer sabem quais são as penas previstas para esse tipo de crime.

A analista psicóloga e presidente do Comitê Gestor de Políticas de Atenção às Mulheres Privadas de Liberdade e Egressas no Sistema Prisional, Débora Ferreira, ressaltou que o trabalho está alinhado à missão da Secretaria e da Polícia Penal de qualificar permanentemente a execução penal.

Segundo ela, as ações são organizadas com base em evidências, com o objetivo de promover responsabilização, prevenir a reincidência e fortalecer políticas públicas.

“Ao estruturarmos um painel de acompanhamento desses apenados, buscamos oferecer ao Estado e às instituições do sistema de justiça um instrumento técnico que contribua para intervenções mais eficazes, integradas e humanizadas. Com isso, reafirmamos o papel da Polícia Penal não apenas na custódia, mas também na produção de conhecimento estratégico para o aprimoramento das práticas institucionais”, destacou Débora.

Conforme Vitória Pedrasi, os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de uma atuação tridimensional no enfrentamento à violência doméstica: com foco na proteção das vítimas, na punição dos agressores e também em ações de prevenção.

Fonte: Rádio Mundial



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