Lula entrega unidades residenciais e assina contratos para fabricar navios no RS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na tarde desta terça-feira (20), o contrato para a construção de cinco navios gaseiros no Estaleiro Rio Grande, no sul do Estado. A cerimônia ocorreu nas dependências do estaleiro, com a presença de centenas de trabalhadores, e marcou mais um passo na retomada do Polo Naval no município.


Ricardo Stuckert/PR

Lula ressaltou o impacto social da retomada do setor naval em Rio Grande e lembrou o período de crise vivido pela cidade após a redução das atividades no estaleiro.

— Vocês sabem o que foi a vida de vocês nessa cidade quando deixou de ter 15 mil empregos nesse estaleiro. Ainda vou voltar nessa cidade. Eu estou torcendo para que a Petrobras encontre petróleo na Bacia de Pelotas — afirmou.

O contrato é resultado do edital internacional Mar Aberto, promovido pela Transpetro, do qual participou a empresa rio-grandina Ecovix, operadora do estaleiro. A proposta apresentada pela empresa foi vencedora em um dos lotes da licitação.

No Estaleiro Rio Grande serão construídos cinco navios gaseiros do tipo pressurizado — três com capacidade de 7 mil metros cúbicos e dois de 14 mil metros cúbicos — destinados ao transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e derivados. O investimento total é de US$ 414,6 milhões.

— O setor naval não pode viver como no passado, em altos e baixos. Precisa ser tratado com política nacional, planejamento e constância. Hoje, assinamos um contrato que se soma ao compromisso firmado em 2025 para a construção de quatro navios do tipo Handy. Somos o estaleiro mais equipado da América Latina e vencemos esse contrato em uma concorrência internacional. Fomos o único estaleiro brasileiro a vencer — afirmou o acionista da Ecovix, José Antônio Sobrinho.

Além dos gaseiros que serão construídos no Rio Grande do Sul, a Petrobras e a Transpetro também contrataram a construção de 18 barcaças, no estaleiro Bertolini, no Amazonas, e 18 empurradores, que serão produzidos no estaleiro Indústria Naval, em Santa Catarina. Somados, os três contratos representam um investimento de R$ 2,8 bilhões.

"Esses contratos serão cumpridos, esses navios serão feitos aqui e haverá priorização da mão de obra local", afirmou o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

— O sistema Petrobras priorizou a ampliação da frota própria. Com isso, os estaleiros e toda a cadeia produtiva podem se planejar para investir. Estamos retomando um símbolo positivo vivido pelo setor. Quero fazer um alerta à sociedade rio-grandina: há pessoas sem conhecimento da indústria naval tentando gerar desinformação. Esses contratos serão cumpridos, esses navios serão feitos aqui e haverá priorização da mão de obra local — afirmou o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

De acordo com o edital, a construção do primeiro navio deve ser iniciada após a assinatura do contrato, com prazo de entrega de até dois anos e meio. As demais embarcações serão entregues em intervalos de seis meses.

Segundo a Ecovix, após a assinatura ainda serão necessários cerca de dois meses para o início do processo de pré-construção. A construção propriamente dita deve começar apenas em 2027, após o segundo semestre.

Para o contrato dos navios gaseiros, a estimativa é de geração de até 1,5 mil empregos no pico da produção. Somados aos cerca de 1,4 mil postos de trabalho previstos para a construção das embarcações do tipo Handy, o Estaleiro Rio Grande deverá mobilizar aproximadamente 2,9 mil trabalhadores. As contratações relativas ao contrato firmado em 2025 devem começar em março.

Expectativa entre os trabalhadores

A assinatura do contrato gera expectativa entre os trabalhadores do setor naval, que veem no avanço do projeto um passo importante para a ampliação das atividades e do número de empregos nos próximos anos.

O metalúrgico Ivo José dos Santos, funcionário da Ecovix há um ano, afirma que o novo contrato representa esperança para quem busca uma oportunidade no setor.

— Isso é muito importante para o desenvolvimento de Rio Grande e do Rio Grande do Sul. A expectativa é muito grande, não só para mim, mas para muitos que estão lá fora e precisam desse emprego. É uma maravilha para a região Sul. Moro aqui há 15 anos e me sinto muito feliz e bem acolhido — disse.

Questionado sobre a preparação do estaleiro para a construção dos navios, ele afirmou estar confiante na retomada do Polo Naval.

— Eu me sinto muito feliz em estar trabalhando junto com a Ecovix e muita gente que precisa voltar ao Polo Naval.


Novo terminal portuário

Ainda durante o ato, foi assinado o contrato para a instalação do terminal CMPC de Celulose em Rio Grande. 

O investimento previsto é de R$ 1,5 bilhão, com geração de 1.200 empregos durante a fase de construção e cerca de 2.600 empregos diretos e indiretos na etapa de operação.


Presidente da Petrobras projeta transformação da Refinaria Rio-Grandense

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a transformação da Refinaria Rio-Grandense em biorrefinaria, os avanços na produção de petróleo no Brasil e a expansão da frota de embarcações.

— Estamos programando o início da Refinaria Rio-Grandense como a primeira biorrefinaria do país no segundo semestre. Estaremos no topo em tecnologia e eficiência entre todas as refinarias do mundo — afirmou Chambriard.

A presidente também destacou o desempenho da produção de petróleo.

— Fechamos o ano entregando 77 poços, acima da média do triênio, que era de 47 poços. Em 2025, produzimos 11% a mais que no ano anterior, superando mais de 75% das refinarias do mundo — disse.

Na oportunidade, ela ressaltou ainda a importância do crescimento da produção offshore, com os campos Tupi e Búzios atingindo juntos um milhão de barris por dia, e a necessidade de modernização da frota de navios para atender à comercialização do petróleo.

Mais de 1,1 mil moradias entregues

Antes dos anúncios para o polo naval, houve a entrega de 1.276 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades. A cerimônia ocorreu no Complexo Junção, no bairro Junção, e reuniu milhares de famílias. O empreendimento, com mais de 1,1 mil unidades, vai beneficiar 5.104 pessoas.

As obras começaram em 2016 e foram concluídas após quase uma década, marcada por interrupções no cronograma. Do total de unidades, 1.120 são apartamentos e 150 casas, destinadas a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850.

Lula subiu ao palco por volta das 12h30, acompanhado de sua comitiva. Antes do discurso, o presidente participou do descerramento da placa inaugural e entregou simbolicamente as chaves aos moradores Cândida, Janaína Ávila da Silva e Elisângela Brum.

Durante o discurso, Lula destacou o significado da casa própria para famílias de baixa renda.

— Eu tenho a exata noção do que significa uma casa própria para as pessoas mais humildes do país — afirmou.

Entre as contempladas esteve Tatiane Aquino Gonçalves, que aguardou dez anos pela entrega do imóvel e já se prepara para a mudança com os dois filhos.

— Eu estou muito ansiosa. Vinha em todas as reuniões. Vou morar aqui com meus dois filhos. Aqui tem academia, tem pracinha. Tudo vai mudar na minha vida. Conquistar a casa própria é uma vitória — relata.

Para Janaina Cabral, a entrega representa a chance de sair do aluguel e garantir mais tranquilidade financeira para a família.

— Minhas filhas ainda eram pequenininhas quando fui contemplada. Eu tô muito feliz. Só em poder sair do aluguel já é uma vitória, porque o aluguel come junto com a gente — afirma.

Fonte: GZH


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