VERÃO 2026: Calor extremo pode aumentar risco de infarto e AVC - veja como se proteger

O calor aperta, o suor escorre e o corpo entra em modo de adaptação. Para manter a temperatura interna estável, o organismo aciona uma série de mecanismos automáticos –e o sistema cardiovascular está no centro dessa resposta. Em dias muito quentes, o coração trabalha mais, a pressão arterial tende a cair e, em algumas pessoas, esse ajuste pode sair do controle, aumentando o risco de mal-estar, arritmias e até eventos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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Ondas de calor cada vez mais frequentes têm ampliado esse risco, sobretudo entre idosos e pessoas com doenças cardiovasculares.


O primeiro ajuste do corpo: dilatar os vasos

Quando a temperatura sobe, os vasos sanguíneos —principalmente os da pele— se dilatam para facilitar a dissipação do calor. Esse processo reduz a resistência vascular e tende a baixar a pressão arterial.

“O organismo tenta compensar essa queda acelerando os batimentos cardíacos para manter o fluxo adequado de sangue”, explica Fernando Ribas, cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em pessoas saudáveis, esse ajuste costuma funcionar. Em outras, a engrenagem falha.

A vasodilatação, somada à perda de líquidos pelo suor, reduz o volume de sangue circulante. Com menos sangue retornando ao coração, o corpo força o aumento da frequência cardíaca, o que pode provocar sintomas típicos do calor intenso, como tontura, fraqueza, escurecimento da visão e sensação de desmaio.

Pessoas com predisposição, como quem tem hipotensão postural ou síncope vasovagal, tendem a sentir esses efeitos com mais intensidade.


Desidratação: o ponto de desequilíbrio

O suor é essencial para esfriar o corpo, mas leva embora água e sais minerais importantes, como sódio e potássio.

“A desidratação reduz o volume sanguíneo, acelera o coração para compensar e prejudica a perfusão dos órgãos”, explica Bruno Sthefan, cardiologista e médico do esporte, com títulos reconhecidos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).

A perda desses eletrólitos também interfere no sistema elétrico do coração, aumentando o risco de arritmias –especialmente em pessoas com doenças cardiovasculares prévias.


Calor extremo e eventos cardiovasculares

Embora infartos e AVCs sejam mais associados ao frio, estudos recentes indicam que ondas de calor prolongadas também elevam o risco desses eventos, sobretudo em grupos vulneráveis.

“O calor impõe um estresse adicional ao sistema cardiovascular”, explica Orlando Maia, neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema.“Com a desidratação, o coração trabalha mais para compensar a queda da pressão e a perda de eletrólitos favorece arritmias. Esse conjunto pode precipitar infartos e AVCs.”


Quem precisa redobrar os cuidados no verão

Os especialistas apontam alguns grupos que sofrem mais com o impacto do calor sobre o coração:

  • idosos, que sentem menos sede e se desidratam com facilidade
  • pessoas com hipertensão, diabetes ou insuficiência cardíaca
  • quem já teve infarto ou AVC
  • atletas e trabalhadores expostos ao sol intenso

Nesses casos, o risco não está apenas na temperatura, mas no desequilíbrio entre calor, hidratação e esforço físico.

Pacientes que usam diuréticos e anti-hipertensivos podem sentir os efeitos do calor de forma mais intensa. “Esses medicamentos favorecem a perda de líquidos e podem potencializar quedas de pressão”, alerta Fernando Ribas.

A orientação é clara: não suspender nem ajustar doses por conta própria.

Fonte: G1

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