Durante o verão, o celular segue sendo um companheiro inseparável mesmo durante o descanso à beira-mar. Isso porque fotos, vídeos, mapas, música e redes sociais fazem parte da rotina de quem vai à praia.
O problema é que o ambiente típico do litoral, com altas temperaturas, radiação solar direta, areia e maresia, está longe de ser ideal para aparelhos eletrônicos. Nestes casos, o superaquecimento é uma das ocorrências mais comuns.
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Em poucos minutos sob o sol, a temperatura interna do celular pode ultrapassar o limite considerado seguro de funcionamento. Isso ocorre porque telas de vidro e carcaças plásticas, muitas vezes escuras, absorvem calor com facilidade.
— Assim que o celular fica exposto ao sol, a tendência é esquentar rapidamente, porque esses materiais não são bons dissipadores de calor — explica Wellington Dutra, engenheiro eletricista e especialista em tecnologia.
Usar o aparelho pontualmente para tirar fotos, gravar vídeos ou acessar redes sociais não costuma causar problemas quando isso é feito à sombra, como debaixo do guarda-sol. O risco maior é deixar o celular parado sob o sol direto enquanto a pessoa entra no mar ou se afasta.
Capas muito grossas também merecem atenção. Embora protejam contra quedas, elas dificultam a dissipação de calor e podem agravar o superaquecimento em ambientes quentes.
Cuidado redobrado
A certificação IP68 costuma passar uma falsa sensação de segurança ao usuário. Isso porque ela indica resistência à poeira e à água, mas os testes são feitos em condições controladas, com água doce, parada e profundidade limitada.
— A água do mar é salgada, contém sais minerais que podem danificar as vedações do aparelho, além de ter ondas, que exercem uma pressão diferente daquela usada nos testes — explica Dutra.
Se o celular cair no mar, a orientação é lavar com água doce o quanto antes para remover os resíduos de sal. Mesmo assim, o mergulho intencional não é recomendado, nem em aparelhos certificados.
Além disso, vale ressaltar que maresia costuma causar danos de forma silenciosa e progressiva. Em exposições prolongadas, pode provocar oxidação em conexões como a entrada USB e o conector de fones de ouvido, dificultando o carregamento e o uso de acessórios.
A areia, por sua vez, representa um risco mecânico. Grãos podem riscar o vidro da tela e se alojar em entradas e frestas do aparelho, comprometendo seu funcionamento.
O que acontece quando o celular esquenta demais?
Nesses casos, o aparelho fica mais lento, aplicativos demoram a responder e o toque na tela pode apresentar falhas. Em alguns modelos, o próprio sistema desativa funções como a câmera para evitar danos maiores.
— O processador tende a perder parte da capacidade quando a temperatura sobe. Sensores podem deixar de funcionar e, em vários aparelhos, a câmera para de operar quando o celular ultrapassa a temperatura para a qual foi projetado — afirma Dutra.
Se a exposição ao calor for intensa ou prolongada, o risco deixa de ser apenas momentâneo. A bateria é um dos componentes mais sensíveis ao excesso de temperatura. O aquecimento acelera reações químicas internas, pode provocar liberação de gases e levar ao estufamento, um dano irreversível.
A tela também pode ser afetada. A radiação solar direta pode causar manchas, escurecimento parcial ou até a perda total da imagem. Em casos "mais graves", a exposição direta ao sol pode queimar a tela ou causar o estufamento da bateria, inviabilizando o uso do aparelho.
Nem todo problema é definitivo
Nem sempre o superaquecimento resulta em prejuízo permanente ao aparelho, visto que travamentos e lentidão costumam ser reversíveis quando o celular é retirado do sol e consegue esfriar. O problema está na repetição desse "estresse térmico" ao longo do tempo.
Além dos danos imediatos, a exposição frequente ao calor reduz a vida útil da bateria, já que os celulares são projetados para operar em uma faixa específica de temperatura. Fora dela, o desgaste do componente ocorre aceleradamente.
— Temperaturas acima do recomendado aceleram as reações químicas internas da bateria e aumentam a liberação de gases, encurtando sua vida útil — explica Dutra.
E as caixas de som portáteis?
O alerta vale também para caixas de som usadas na praia. Muitos modelos não têm certificação contra água e poeira e são ainda mais vulneráveis à areia, à maresia e a respingos.
— Esses aparelhos exigem cuidado redobrado. O ideal é mantê-los afastados do mar e apoiados em superfícies elevadas, onde o risco de contato com água e areia é menor — afirma Dutra.
Cuidados simples para evitar prejuízo com eletrônicos na praia
- Manter o celular sempre na sombra
- Guardá-los em bolsa ou sacola, longe da areia
- Evitar manusear o aparelho com mãos molhadas de água do mar
- Proteger entradas de carregador e fone de ouvido
- Não o deixar exposto ao sol por longos períodos
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