Cientistas conseguiram fazer uma imagem inédita da região central da Via Láctea, considerada uma das mais extremas e difíceis de ver da nossa galáxia. Segundo os astrônomos, o registro é o primeiro a mostrar o local com tantos detalhes. A fotografia foi obtida através do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma), um radiotelescópio localizado no deserto do Atacama, no Chile.
| ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Longmore et al. Imagem de fundo: ESO/D. Minniti et al. |
Com riqueza de detalhes, a imagem ajudará no estudo da formação de estrelas na região, que também está próxima de um buraco negro supermassivo.
Os dados fazem parte do programa Alma Central Molecular Zone Exploration Survey (Aces, na sigla em inglês), um levantamento exploratório realizado pelo radiotelescópio. Os resultados já apresentados foram publicados em cinco artigos na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em fevereiro. Todos estão disponíveis no portal do Alma.
O local investigado pelo Aces é uma região que está a mais de 650 anos-luz da Terra. Por lá, há nuvens densas de gás e poeira em volta de um buraco negro supermassivo que fica no centro da nossa galáxia. Justamente por essas características, o centro da Via Láctea é difícil de ser visto detalhadamente.
Uma das principais novidades é a riqueza de detalhes obtidos através das observações. Foi possível ver melhor o gás molecular frio presente na Zona Molecular Central (ZMC): o fluido é a matéria-prima para as estrelas se formarem e a ZMC é uma das regiões mais extremas de formação estelar da Via Láctea.
A teoria atual para uma estrela nascer é que o gás frio flui por meio de filamentos. Eles alimentam aglomerados de matéria e assim se forma o corpo estelar. No entanto, os astrônomos especulam que possam acontecer eventos mais extremos do que esse na região central.
“A ZMC abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas em nossa galáxia, muitas das quais têm uma vida curta e morrem jovens, terminando suas vidas em poderosas explosões de supernovas (explosões extremamente luminosas no fim da vida de uma estrela) e até mesmo hipernovas”, afirma o líder do Aces, Steve Longmore, em comunicado.
Longmore também aponta que a investigação sobre as estrelas nascidas na ZMC ajuda a compreender como as galáxias se desenvolveram ao longo do tempo. “Acreditamos que a região compartilha muitas características com as galáxias do universo primitivo, onde as estrelas se formavam em ambientes caóticos e extremos”, diz o especialista que também é professor da Universidade Liverpool John Moores, no Reino Unido.
Além disso, a imagem possibilitou ver mais pormenores da química da ZMC, detectando a presença de moléculas simples, como monóxido de silício, e mais complexas, como metanol, a acetona ou o etanol.
Operado pelo Observatório Europeu do Sul ( ESO, na sigla em inglês), é a primeira vez que o Alma consegue uma imagem de uma região tão grande assim. Ela foi obtida através de vários registros individuais e montada posteriormente, como um mosaico.
“Previmos um alto nível de detalhe ao projetar o levantamento, mas ficamos genuinamente surpresos com a complexidade e a riqueza reveladas no mosaico final”, diz a componente do projeto Aces, Katharina Immer, astrônoma do Alma no ESO.
Fonte: Metrópoles
Quer boas notícias todos os dias? E também receber conteúdo de qualidade com o nosso jornalismo de soluções? E ainda, estar atualizado com informações de serviço que ajudam na sua vida, saúde, comportamento e até mesmo sua vida financeira?
E inscreva-se também no Canal de YouTube do nosso editor, o Canal do Renato Martins.
Comentários