Porto Alegre tem primeira escola antirracista do Estado

As aulas retornaram para mais de 700 mil estudantes neste mês no Rio Grande do Sul. Em meio às 7.187 unidades escolares que compõem a rede municipal e estadual, a Escola Calda Vieira Júnior se destaca pela proposta de ser a primeira instituição de ensino antirracista do RS.


Reprodução Facebook

"No início, alguns professores se viram perdidos ao terem que trabalhar com conteúdos raciais no currículo escolar. Ao longo do ano, tanto eles, quanto nós, estudantes, fomos entendendo que o racismo e os conteúdos raciais estão presentes no nosso dia a dia", relembra Lauren Garcia Jobim Soares, estudante de 17 anos da Escola Calda Vieira Júnior. Segundo ela, a escola deve ser um lugar seguro, mas, muitas vezes, não é, por conta do enraizamento do racismo estrutural.

A escola - apelidada carinhosamente de Cajú pelos estudantes-, representa um passo importante na implementação da educação antirracista, que tem como objetivo principal a inserção de conteúdos raciais de forma multidisciplinar nas escolas públicas. De acordo com o diretor da Cajú, Vinícius Dill Soares, a iniciativa é inovadora: "não apenas no Rio Grande do Sul, mas em nível nacional".

A Cajú foi a escolhida dentre as 2,3 mil escolas da rede estadual em decorrência da predominância de estudantes autodeclarados pretos ou pardos. A autodeclaração, de acordo com Soares, é algo incentivado pela administração da escola no momento da matrícula. "Percebemos que alguns estudantes não se reconhecem como pessoas pretas ou pardas, mas respeitamos a autodeclaração."

O diretor destaca que um dos objetivos da escola é trabalhar a identidade racial de maneira pedagógica: "já tivemos relatos de alunos, principalmente do ensino médio que passaram a se entender como negros aqui, na escola", afirma.

"Monitorar para não deixar ninguém para trás" 

A Lei nº 10.639/2003 prevê a obrigatoriedade do ensino da cultura afro nas escolas públicas do País, posteriormente, em 2008, foi adicionada à essa lei a diretriz que prevê a inclusão da cultura indígena nos conteúdos programáticos. A lei tem caráter nacional, no entanto, sua aplicação varia regionalmente. Por exemplo, no Rio Grande do Sul, segundo dados do IBGE, a maioria da população é autodeclarada branca, o que, segundo o subsecretário de Desenvolvimento da Educação, Marcelo Jeronimo, significa que outras estratégias devem ser abordadas aqui. "O que realizamos aqui é diferente de Salvador, onde as escolas são afrocentradas, por exemplo. Aqui há uma estratégia de combater o racismo que existe dentro da escola".

Tanto para Soares quanto para Jeronimo, a escola antirracista tem como efeito prático a diminuição do insucesso dos alunos negros que, estatisticamente, são aqueles que acabam não avançando nos anos escolares. "Aqui na escola, quando nós começamos as conversas e tratativas para pilotar o programa, nós olhamos nossos dados e verificamos, através de evidências, a atuação da desigualdade no ensino. As menores notas eram dos estudantes negros, e o maior índice de reprovados também" relata Vinicius.

O subsecretário acrescenta que uma das estratégias para mitigar a reprovação foi a implementação da escola em modalidade de tempo integral e declara: "monitorar, e não deixar ninguém para trás".

A Cajú é uma escola piloto, porém, como indica Jerônimo, a expectativa é que, conforme a Secretaria de Educação veja os resultados, outras instituições sejam objeto da implementação.


Fonte: Jornal do Comércio


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