Criada no segundo semestre de 2025, a Coalizão RS surge como uma iniciativa inédita no Rio Grande do Sul ao reunir setores privado, público, academia e organizações da sociedade civil em torno de um objetivo em comum: fortalecer a adaptação climática no Estado.
| Tarso Oliveira e Claudia Pitta, da Coalizão RS - Divulgação |
O movimento se consolida no contexto da reconstrução após a enchente histórica de 2024, apontada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) como o maior desastre natural já registrado no Estado e um dos mais severos do Brasil, atingindo cerca de 2,4 milhões de pessoas em 478 municípios e gerando um prejuízo estimado em bilhões, evidenciando desta forma a exposição estrutural e a fragilidade do território gaúcho a eventos climáticos extremos.
A Coalizão RS nasceu a partir de articulação entre organizações da sociedade civil e lideranças institucionais, com posterior adesão do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre. Estruturada como uma plataforma de governança colaborativa, a iniciativa foi concebida para integrar esforços que até então estavam dispersos, criando um espaço de cooperação técnica e institucional voltado à resiliência climática. A iniciativa também dá continuidade ao Regenera RS, transformando o impulso inicial de reconstrução e regeneração em um trabalho estruturado e de longo prazo, aprofundando debates e ações estratégicas para preparar o Rio Grande do Sul para os desafios climáticos.
“A Coalizão RS foi pensada justamente para acelerar iniciativas estratégicas e criar as condições necessárias para que elas saiam do papel. Para 2026, nossa meta é destravar cerca de R$2 bilhões em projetos voltados à resiliência climática e à preparação do estado para enfrentar eventos extremos com mais planejamento e capacidade de resposta”, afirma Tarso Oliveira, Diretor Executivo da Coalizão RS.
Com modelo de atuação apartidário, a Coalizão RS organiza suas ações em três frentes principais: viabilização de projetos prioritários de reconstrução e adaptação, consolidação e transparência de dados por meio de um observatório e plataforma digital, e acompanhamento de políticas públicas com o objetivo de promover compromissos duradouros. A meta é apoiar a estruturação de projetos estratégicos e contribuir para que a adaptação climática seja incorporada às decisões estruturantes do Estado.
Ao defender a adaptação climática como política de Estado, e não apenas de governo, a organização busca assegurar continuidade às ações independentemente de ciclos eleitorais. A proposta é antecipar riscos, qualificar o planejamento urbano e regional, fortalecer a infraestrutura e preparar cidades, empresas e comunidades para lidar com cenários climáticos cada vez mais desafiadores.
“A Coalizão RS começou a ser estruturada ao longo de 2025, reunindo lideranças, organizações e representantes de diferentes setores comprometidos com o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Depois de um período de construção, articulação e alinhamento de propósitos, entendemos que este é o momento de apresentar a iniciativa à sociedade. Fazer isso durante o South Summit Brazil 2026 é especialmente simbólico, por ser um ambiente que estimula inovação, colaboração e novas soluções para os desafios que estamos viviendo”, diz Claudia Pitta, Diretora de Governança e Jurídica.
A iniciativa também se destaca pela ênfase na transparência e na qualificação de informações. A consolidação de dados confiáveis sobre reconstrução e investimentos em resiliência pretende apoiar gestores públicos, pesquisadores e o setor produtivo na formulação de políticas e estratégias baseadas em evidências, ampliando a eficiência do uso de recursos e a prestação de contas à sociedade.
Ao estruturar uma governança multissetorial voltada exclusivamente à adaptação climática, a Coalizão RS posiciona o Rio Grande do Sul como referência nacional na construção de respostas institucionais frente as mudanças do clima. Em um cenário em que eventos extremos tendem a se intensificar em todo o País, a experiência gaúcha pode contribuir para o desenvolvimento de modelos replicáveis, reforçando a importância da cooperação, do planejamento de longo prazo e da resiliência como fundamentos do desenvolvimento sustentável.
Fonte: Correio do Povo
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