Canal 156 ultrapassa 100 atendimentos a mulheres em poucos dias em Porto Alegre

O novo serviço da Central do Cidadão 156 voltado ao atendimento de mulheres em situação de violência já ultrapassou a marca de 100 atendimentos em poucos dias de funcionamento em Porto Alegre. Até a noite de terça-feira, foram registrados 102 contatos, sendo 67 via WhatsApp e 35 por telefone.

Alex Rocha/PMPA


Lançada há duas semanas, a ferramenta foi criada para funcionar como uma porta de entrada, oferecendo orientação e direcionamento para a rede de proteção. A iniciativa surgiu em um contexto de aumento nos casos de violência contra a mulher no Estado.

Segundo a secretária municipal de Transparência e Controladoria, Mônica Leal, o serviço não substitui os atendimentos tradicionais, mas cumpre um papel estratégico no primeiro contato. “Não queremos, de forma alguma, substituir delegacia, hospital ou casas de acolhimento. Somos o primeiro passo. A mulher, muitas vezes, está perdida, com medo, em situação de violência. Ela acessa a ferramenta e recebe informações e orientações para buscar ajuda de forma correta”, afirma.

A secretária destaca que o projeto foi construído ao longo dos últimos meses e pensado para ser acessível. “É uma ferramenta conhecida da população. Surgiu a ideia de colocarmos mais esse serviço dentro do 156 para pessoas em situação de vulnerabilidade. A intenção é que ela tenha ali um direcionamento seguro”, completa.

Na prática, o serviço funciona como uma triagem inicial. De acordo com a diretora de Transparência e Cidadania, Viviane Schneider Lopes, o atendimento é informativo e direciona as mulheres conforme a gravidade da situação. “O 156 não exerce atividade psicológica. Ele faz um atendimento inicial e direciona essas mulheres para os locais de atendimento. Funciona 24 horas por dia, sete dias por semana”, explica.

Durante o contato, as atendentes seguem um roteiro de perguntas para identificar se a mulher está em risco imediato, se pode falar com segurança e qual tipo de violência está enfrentando. A partir disso, são indicados os serviços mais adequados, como delegacias, hospitais ou redes de acolhimento. “Às vezes a mulher está numa situação de risco e não sabe para quem recorrer. A gente faz essa triagem e depois ela recebe toda a orientação de como proceder e para onde ir”, detalha Viviane.

Demanda e perfil dos atendimentos

Nas primeiras semanas, a maioria dos contatos tem caráter informativo, o que indica, segundo a prefeitura, falta de conhecimento sobre os serviços disponíveis. “A gente percebe que muitas mulheres não têm conhecimento da rede de apoio. Com o atendimento, elas conseguem ter esse direcionamento, o que faz toda a diferença”, afirma a diretora.

Entre os casos atendidos, um dos que mais chamou a atenção envolveu uma mulher vítima de estupro, que não sabia para onde buscar ajuda dias após o crime.

Para viabilizar o serviço, cerca de 80 atendentes passaram por capacitação específica, com foco no acolhimento e na condução de situações sensíveis. O atendimento ocorre em regime integral, o que amplia o acesso em horários em que outros serviços da rede não estão disponíveis.

A avaliação inicial da prefeitura é positiva, e a tendência é ampliar a divulgação da ferramenta. “Nós queremos que isso seja cada vez mais conhecido. Que as pessoas saibam que ali dentro do 156 existe um canal que pode orientar e ajudar numa situação de violência”, projeta Mônica Leal.

O acesso ao serviço pode ser feito pelo telefone 156, na opção de emergência, ou pelo WhatsApp (51) 3433-0156.

Fonte: Correio do Povo e PMPA 


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