#CENADECINEMA: Nosso editor RENATO MARTINS comenta o filme MICHAEL, campeão de bilheterias em todo o mundo
A maioria das pessoas que, como eu, gostam MUITO de Michael Jackson, está achando o filme MICHAEL bem interessante e divertido. Mas se olharmos com profundidade e uma mínima análise crítica, essa cinebiografia musical do rei do pop é de razoável para fraca. Neste artigo, explico os pontos positivos e negativos, no que poderia ser melhor e o quanto fica devendo para outras cinebiografias mais recentes.
Confira minha análise neste post.
Profundidade não é o forte do filme. MICHAEL repete uma estrutura bem semelhante à de BOHEMIAN RHAPSODY, produzido pelo mesmo Graham King. Muitos não gostaram do filme sobre Freddie Mercury pelo excesso de números musicais e pela superficialidade dos fatos sobre o cantor e a relação com a banda Queen. Eu, pessoalmente, não achei ruim na época. Mas depois me dei conta de que sou muito fã do Queen. Aliás, Rami Malek entrou no papel do cantor tanzaniano/inglês e nunca mais saiu, prejudicando os seus filmes seguintes.
Bem, gostei de MICHAEL pelo mesmo motivo: me diverti com a história, os fatos curiosos, as grandes músicas, as performances de dança e os trechos de shows. Mas é porque eu sou fã. E o fã é um perigo, porque releva uma série de defeitos que possam existir na obra. O talentoso Antoine Fuqua (DIA DE TREINAMENTO, 2001) se esforçou, mas o roteiro massacrado de tanto ser reescrito e as limitações jurídicas da produção não permitiram que ele fizesse uma obra consistente.
Tudo o que estão falando é verdade: a relação com Quincy Jones é pouco valorizada. Os problemas emocionais do artista são subestimados e muitos deles viram até piada. A relação traumática com o pai (brilhantemente encarnado por Colman Domingo, na foto acima) não se aprofunda. Os números musicais intercalam a narração da vida e da carreira dos Jackson, cortando essa linha do tempo, que se torna superficial. Tecnicamente o longa é ótimo, com fotografia, figurinos e trilha (óbvio) perfeitos. Mas isso se torna apenas um grande álbum de figurinhas para quem gosta da música de MJ.
O sobrinho do astro, Jaafar Jackson, escolhido para ser o protagonista sem nunca ter atuado, saiu-se bem no papel — embora eu tenha estranhado, nas primeiras falas, a voz aguda forçada para parecer o tio. Mas ele foi bem nas performances vocais a capella (nos shows e gravações era o próprio Michael) e deu um show nas coreografias, que é o seu forte (o rapaz é dançarino). A maquiagem e os figurinos deixam Jaafar muito parecido com Michael, mas em muitas cenas notamos as diferenças físicas mais evidentes: o filho de Jermaine é mais corpulento e Michael era franzino. Mas não estraga a encenação.
Já o menino Juliano Valdi, com apenas 12 anos, arrasa na primeira parte do filme, interpretando o Michael ainda menino. Valdi interpreta com carisma e fofura, apresentando igualmente talento para a dança e para o canto. Rouba as cenas e deixa Jaafar para trás.
Enfim, em um filme no qual diversos irmãos de MJ são os produtores, junto com John Branca (empresário de Michael, interpretado por Miles Teller), que é personagem na trama, não dá para esperar profundidade nas questões incômodas, não é mesmo? Por sinal, Janet Jackson se negou a participar do projeto desde o início e, por isso, não é citada quando a família musical é retratada.
Sobre as músicas, eu, pessoalmente, ainda achei que "Billie Jean" não teve o lugar que merecia, "Wanna Be Startin' Somethin'" (uma das minhas preferidas) foi usada exaustivamente, e "Rock With You" foi ignorada solenemente. Assim como a parceria com Paul McCartney para "The Girl Is Mine", que entrou no célebre disco Thriller. E nada sobre "We Are the World", naquela histórica gravação com dezenas de artistas em 1985 — mas reconheço que seria muito difícil recriá-la.
Quase em seu final, MICHAEL abandona por completo a história em si e apresenta um musical com "Human Nature" completa, com direito a paradinhas para o público cantar, e encerra com "Bad", executada inteira, sem falar absolutamente nada sobre o álbum posterior ao Thriller.
Fica a mensagem, junto aos créditos, de que "MICHAEL voltará". Mas parece que a segunda parte só acontecerá se este primeiro fizer sucesso e der dinheiro. Por enquanto, o filme é a maior bilheteria do ano no Brasil e no mundo. E pode ser, para alguns, a mais badalada das cinebiografias recentes, mas fica devendo muito para ELVIS e ROCKETMAN, que são muito superiores.
Fotos do filme: Lionsgate/reprodução
| renatomartins@redeatitudepositiva.com.br |
Renato Martins, jornalista, radialista, cinéfilo e professor, editor da Rede #AtitudePositiva e criador do projeto mulimídia #CenadeCinema.
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