SAIBA o que é o VSR, vírus que avança no RS, lota as UTIs e aumenta mortes entre idosos

O número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) no Rio Grande do Sul cresceu nos últimos três anos. Em 2025, o Estado registrou 3.621 internações e 68 mortes pela doença – um aumento de 32% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 2.752 hospitalizações e 56 óbitos, e de 63% em relação a 2023, com 2.222 hospitalizações e 43 mortes.



Com a temporada de inverno de 2026 se aproximando, especialistas alertam para os grupos mais vulneráveis: bebês no primeiro ano de vida e adultos com mais de 60 anos.

Os dados são do painel epidemiológico da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul e dialogam com o cenário nacional. Segundo o Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil registrou 224.721 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em 2025.

Entre os casos com identificação viral, o vírus sincicial respiratório (VSR) aparece como principal agente, responsável por 37,4% das infecções, seguido por rinovírus (29,3%), influenza A (23,1%), SARS-CoV-2 (8,5%) e influenza B (1,2%).

Vírus que lota UTIs pediátricas no inverno

Conforme João Ronaldo Krauzer, chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Moinhos de Vento, o VSR domina as internações em unidades de terapia intensiva (UTIs) pediátricas entre junho e agosto.

— Durante o inverno, é o principal motivo de internação em UTI pediátrica. É o mais presente e o responsável pela superlotação de UTIs — aponta Krauzer.

O vírus provoca cerca de 65% das infecções respiratórias em crianças, segundo o médico. Em crianças com o sistema imunológico mais desenvolvido, o quadro costuma ser leve, com coriza, tosse e, às vezes, febre. Já em bebês com menos de dois anos, pode evoluir rapidamente para formas mais graves.

Segundo Krauzer, o vírus sincicial provoca a bronquiolite, uma inflamação dos bronquíolos — pequenas ramificações dos brônquios que levam o oxigênio aos pulmões. Nos casos mais graves, a criança pode apresentar coloração azulada nos lábios e nos dedos — sinal de baixa oxigenação —, além de dificuldade para mamar. Nessas situações, podem ser necessários internação e suporte ventilatório.

—  A criança passa a ter dificuldade para respirar. O quadro leva à hiperinsuflação pulmonar e pode evoluir para pneumotórax (acúmulo de ar no espaço entre o pulmão e a parede torácica) e outras complicações, como pneumonia — explica o pediatra.

Os dados gaúchos confirmam essa vulnerabilidade. Em 2025, bebês no primeiro ano de vida responderam por 2.589 das hospitalizações por VSR no Estado, o equivalente a cerca de 72% do total. É o maior contingente entre todas as faixas etárias. A curva é de crescimento contínuo: foram 1.596 internações em 2023 e 1.977 em 2024.

— O vírus sincicial respiratório leva mais crianças para a emergência e para o hospital. A taxa de internação é muito maior nesse grupo, mas a mortalidade é baixa. Já entre adultos com mais de 60 anos, quem precisa de hospitalização apresenta mortalidade muito elevada — aponta Paulo Gewehr, infectologista, representante regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e supervisor do Núcleo de Vacinas do Hospital Moinhos de Vento.

Vacina está no SUS gratuita para gestantes desde 2025 - João Risi/MS/Divulgação

Idosos também estão em risco

O VSR não é apenas uma ameaça pediátrica. A partir dos 60 anos, o vírus pode agravar ou descompensar doenças crônicas preexistentes, e os números gaúchos mostram que essa faixa etária paga um preço crescente.

Em 2025, pessoas entre 60 e 79 anos somaram 175 internações e 26 mortes, o equivalente a cerca de 4,8% dos casos no Estado. Entre aqueles com 80 anos ou mais, foram registradas 95 internações e 22 mortes, cerca de 2,6% do total.

Apesar de representarem uma parcela menor das hospitalizações, os idosos concentram maior risco de morte. Entre os pacientes de 60 a 79 anos, cerca de 15% dos internados morreram. No grupo com 80 anos ou mais, essa proporção sobe para aproximadamente 23%.

— O problema sempre está nas pontas, no início e no fim da vida. Quando os mecanismos de defesa estão comprometidos, a pessoa se torna mais suscetível — observa Krauzer.

Gewehr reforça o raciocínio e detalha o mecanismo pelo qual o vírus causa complicações nos mais velhos.

— O VSR acomete principalmente o pulmão, dificultando a troca de oxigênio e causando insuficiência respiratória aguda. Nos grupos de risco, também pode descompensar outras doenças crônicas de base — explica o infectologista.

Entre os adultos, o VSR raramente causa bronquiolite, mas pode provocar pneumonia grave, com necessidade de internação e suporte respiratório.

As condições e fatores que aumentam o risco de agravamento são:

  • Cardiopatias
  • Doenças pulmonares, como DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica, que dificulta a passagem do ar nos pulmões) e asma
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Insuficiência renal e hepática
  • Câncer
  • Imunossupressão
  • Fragilidade física

Como identificar e quando procurar ajuda

Na prática clínica, diferenciar o VSR da gripe ou da covid-19 só é possível por meio de exame laboratorial. Atualmente, há testes rápidos que detectam, em uma única amostra, influenza, SARS-CoV-2 (covid-19) e o vírus sincicial respiratório (VSR).

— É importante buscar o diagnóstico. Isso ajuda a entender a epidemiologia da doença, dimensionar seu impacto na população e orientar políticas públicas de prevenção mais efetivas — afirma Gewehr.

Os sintomas iniciais do VSR se assemelham aos de um resfriado, como coriza, tosse leve e febre. Os sinais de alerta incluem piora do padrão respiratório, aumento do esforço para respirar e queda na oxigenação. Em bebês, a dificuldade para mamar é outro indicativo importante. Qualquer um desses sinais exige avaliação médica imediata.

O período de incubação varia de dois a oito dias, com média de quatro a seis dias. A transmissão ocorre por contato direto ou por gotículas e pode começar até dois dias antes do início dos sintomas.

O vírus também pode permanecer ativo em superfícies, o que facilita a disseminação, especialmente em ambientes fechados, tornando o inverno o período de maior risco.

— É uma doença altamente transmissível. Praticamente todas as crianças terão ao menos uma infecção por VSR até os quatro anos de vida — ressalta Gewehr.

Prevenção e medidas de barreira

Por décadas, o VSR foi tratado apenas com medidas de suporte, sem a disponibilidade de um antiviral específico. O cenário começou a mudar com o desenvolvimento de vacinas e, mais recentemente, com a chegada de um anticorpo monoclonal de nova geração.

— Por muitos anos, só tratamos das consequências. Não existe uma terapêutica específica contra o vírus. Por isso, os esforços se concentram na prevenção — comenta Krauzer.

Para bebês, há duas estratégias principais. A primeira é a vacinação da gestante, que permite a transferência de anticorpos pela placenta e protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida.

A vacina utilizada nessa estratégia é a Abrysvo, da Pfizer, indicada a partir da 28ª semana de gestação. Estudos clínicos apontam redução de 81,8% nos casos de doença grave do trato respiratório inferior nos primeiros três meses após o nascimento e de 69,4% até os seis meses.

— A grande vantagem da Abrysvo é poder ser aplicada durante a gestação, a partir das 28 semanas, estimulando a produção de anticorpos na mãe que são transferidos ao bebê. É o que chamamos de imunização passiva transplacentária. Essa vacina foi incorporada ao SUS gratuitamente para gestantes em novembro de 2025 — explica Gewehr.

A segunda estratégia é o uso do nirsevimabe, um anticorpo monoclonal contra o VSR comercializado como Beyfortus. Na prática, trata-se de uma espécie de proteção pronta, aplicada no bebê para ajudar o organismo a se defender do vírus – diferentemente das vacinas, que estimulam o corpo a produzir seus próprios anticorpos.

Em comparação com o palivizumabe, utilizado anteriormente, o novo medicamento representa um avanço significativo. Antes, eram necessárias aplicações mensais durante toda a temporada do vírus. Com o nirsevimabe, a proteção é feita em dose única e dura de três a seis meses.

Desde fevereiro de 2026, o Beyfortus está disponível no SUS para dois grupos. O primeiro inclui prematuros nascidos com menos de 37 semanas de gestação, desde que tenham nascido após agosto de 2025 e tenham menos de seis meses de vida.

O segundo abrange crianças de até dois anos com condições de alto risco, como cardiopatias congênitas, doença pulmonar crônica da prematuridade, fibrose cística, doenças neuromusculares, imunossupressão grave ou síndrome de Down.

A aplicação em recém-nascidos prematuros ocorre nas maternidades públicas. Já crianças com comorbidades são atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie). Para bebês nascidos a termo e sem fatores de risco, o produto segue disponível apenas na rede privada.

Vacinação para adultos

Para adultos, as vacinas contra o VSR, Abrysvo (Pfizer) e Arexvy (GSK), estão disponíveis apenas na rede privada.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação para todos com 70 anos ou mais, independentemente da presença de doenças crônicas, e para pessoas entre 18 e 69 anos com comorbidades. A Anvisa aprovou recentemente a ampliação do uso da Arexvy para adultos a partir de 18 anos.

— É fundamental que todos os idosos a partir de 70 anos se vacinem. É importante lembrar que gestantes também devem se vacinar a partir das 28 semanas — reforça Gewehr.

O esquema é de dose única, aplicada em qualquer época do ano, com proteção estimada por ao menos duas temporadas. No SUS, a vacina para adultos ainda não foi incorporada.

Como reduzir a transmissão

Medidas de barreira ajudam a diminuir o risco de infecção:

  • Lavar as mãos com frequência
  • Tossir ou espirrar no cotovelo
  • Usar lenços descartáveis
  • Evitar ambientes fechados e com aglomeração, especialmente sem máscara
  • Evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios

— São os mesmos métodos de prevenção da gripe. Por ser uma doença altamente transmissível, essas medidas fazem diferença — observa o infectologista.

Fonte: GZH

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