Ação solidária do capitão do Tetra abre novo espaço para mulheres vítimas de violência em Porto Alegre
Sete anos depois de ser cedido à Polícia Civil, um prédio que fica a poucos metros do Palácio da Polícia, no bairro Santana, em Porto Alegre, vai receber um novo plantão exclusivo para atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica.
| Dunga participa da assinatura da parceria em abril de 2025 - PC/Divulgação |
A obra de reforma feita pelo Instituto Dunga/Seleção do Bem 8 (Instituto Dunga de Desenvolvimento do Cidadão) está quase concluída e a expectativa da polícia é de que a inauguração ocorra na segunda quinzena de maio.
A nova estrutura vai substituir o plantão da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam), que funciona junto ao Palácio da Polícia com estrutura defasada: a sala em que vítimas esperam é pequena, a entrada é única — o que faz com que agressores presos em flagrante passem pelo mesmo ambiente onde estão as mulheres — e há apenas uma cela.
Histórico de problemas no atendimento
A parceria para reformar o prédio foi firmada em 2025, um ano depois de serem revaladas problemas de atendimento no plantão para a mulher, como demora de horas para o registro de uma ocorrência, e estrutura precária: entrada sem acessibilidade, carência de cela e até falta de papel higiênico e água para as vítimas beberem.
Também em 2024, o site GZH havia mostrado que o prédio situado no número 850 da Rua Freitas e Castro, cedido pela prefeitura de Porto Alegre à polícia em 2019, estava sem uso porque armazenava arquivos antigos estragados por umidade e fezes, além de lixo contaminado.
E no ano passado, mais uma vez, a reportagem apurou problemas no atendimento do plantão da 1ª Deam, como vítimas esperando oito horas por atendimento e até desistindo de fazer seus registros, além de falta de espaço para colocação de suspeitos. À época, por vezes, havia equipes de apenas três policiais no atendimento. O efetivo foi reforçado e voltou a ser feita a promessa de que as vítimas teriam um local melhor estruturado para atendimento.
— O novo plantão da Deam é a realização de um sonho antigo da Polícia Civil — diz a delegada Patrícia Tolotti, subchefe da Polícia Civil. — Tanto as mulheres vítimas de violência doméstica quanto os policiais civis contarão com uma melhor infraestrutura. Também é preciso destacar a importância da ação conjunta com a iniciativa privada.
Acolhimento integral
O local que deve inaugurado na segunda quinzena de maio tem dois gabinetes — um para o delegado coordenador, outro para o plantonista — e salas para Defensoria Pública, Psicologia e Assistência Social. Também há um amplo salão para receber as mulheres que buscam o registro de ocorrência e espaço para crianças até com opção de pracinha externa, na frente do prédio. As equipes de atendimento devem ser compostas por ao menos seis policiais.
O acesso de agressores presos é feito por uma porta lateral, com entrada pela Rua Santana, onde haverá espaço para triagem e sala de reconhecimento, além de duas celas. Também há vagas para estacionamento das viaturas da Brigada Militar que conduzem os suspeitos. O entra e sai de homens algemados e de policiais militares armados ficará longe da visão de mulheres e crianças.
— É um espaço planejado para acolher de forma integral a mulher que procura o trabalho da Polícia Civil. Não tenho dúvida de que ao sair daqui esta mulher estará mais otimista de que sua situação, com a intervenção do Estado, vai ter uma solução efetiva — destaca o delegado Juliano Ferreira, diretor do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis, ao qual as Delegacias da Mulher estão vinculadas.
"Novo modelo de cuidado", diz Dunga
O Instituto Dunga realizou a obra com a ajuda de parceiros. Os nomes ficarão gravados em uma margarida que será instalada na recepção do novo plantão. Em entrevista a ZH, o capitão do Tetra afirma:
— Graças ao engajamento da iniciativa privada (empresários e amigos) e à união de esforços, a obra foi executada por cerca de um terço do valor originalmente previsto. Somos uma rede de colaboradores. A nova unidade foi pensada para oferecer um atendimento mais humanizado, moderno e eficiente, garantindo dignidade, segurança e suporte adequado às mulheres em situação de vulnerabilidade e também aos servidores. Mais do que uma obra física, essa delegacia representa um novo modelo de cuidado, respeito e compromisso com a vida, um exemplo que pode inspirar outras regiões do Brasil.
Fonte: GZH
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