Fazia tempo que eu não via uma sala de cinema cheia. Quase todos os lugares estavam preenchidos numa sessão de sábado à tarde, de um filme que já estreou há dez dias no circuito brasileiro. E não era o fenômeno MICHAEL, que vem batendo recordes também neste momento nos cinemas de todo o mundo.
Era O DIABO VESTE PRADA 2, anunciada e aguardada sequência do filme de 2006.
Confira minha análise desta novidade nas telas neste post!
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| Arte feita por Ia em cima de imagem/dDivulgação |
Não é um grande filme. E nem mesmo uma obra marcante como a lançada em 2006. Esta continuação, na verdade, é bem razoável, mas é eficiente na tela e está enchendo os cinemas por causa de alguns "ingredientes" que, somados, funcionam muito bem. Vamos a eles:
1. Elenco
Quem não quer ver nomes pesados da atualidade, como Anne Hathaway, e consagrados na história da sétima arte, como Meryl Streep? E, de lambuja, ter coadjuvantes de luxo como Stanley Tucci e Emily Blunt, que poderiam ser (e são) protagonistas em qualquer produção? Um quarteto conhecido que ajuda a vender ingressos, uma vez que seus nomes estão no cartaz.
E mais: os quatro juntos, de novo, 20 anos depois, em ação, refazendo seus papéis de maneira renovada, mas mantendo as características que nós aprendemos a gostar lá atrás em seus personagens? E o quarteto original sem nenhuma baixa? Ponto para a produção. Bem, dinheiro não faltou: só Meryl Streep recebeu o equivalente a 67 milhões de reais como cachê. Sem falar ainda em nomes como Kenneth Branagh, Justin Theroux e Lucy Liu, inseridos em segundo plano, mas que marcam presença.
2. Locações maravilhosas
Mais uma vez, tendo recurso, obviamente dá resultado filmar em lugares como Nova York e Milão, passando por outras partes lindas da Europa (como na beira do Lago de Como). Isso ajuda o espectador a se sentir viajando, admirando o luxo e a beleza histórica das construções — incluindo a linda Igreja Santa Maria delle Grazie. Há um acréscimo cultural na história presenteado por Miranda (personagem de Meryl) que, diante de um afresco gigante da Última Ceia, dá uma aula de interpretação sobre o olhar de Leonardo da Vinci na despedida de Jesus junto aos apóstolos. Mas a equipe não filmou lá devido aos cuidados necessários com a obra original. Por isso, foi recriada uma pintura na parede do refeitório do convento junto à igreja.
3. O mundo da moda (incluindo os verdadeiros)
Quem não quer ter um gostinho de como é a vida de rico, dando a volta ao mundo, assistindo a desfiles, participando de coquetéis e festas, e encontrando gente famosa? Pois bem, O DIABO VESTE PRADA 2 escalou nomes como Donatella Versace, Law Roach, Amelia Dimoldenberg, Naomi Campbell, Heidi Klum e Dolce & Gabbana, entre outros, para interpretarem a si mesmos. Mais um ponto para a produção.
4. Falas eficazes
Embora o roteiro se perca em tantos detalhes que inventou para si mesmo, além de criar sub-histórias que acabam não dando em nada (como a vida do marido músico de Miranda, vivido por Kenneth Branagh), ele recupera o mesmo tom cáustico do filme original, distribuindo falas mordazes aos personagens que giram em torno da boazinha Andy Sachs (Hathaway, a melhor em cena, fluindo de maneira natural), ou seja, Miranda, Emily (Blunt) e Nigel (Tucci). A fórmula de sucesso de 2006 se repete com eficiência e o gênero não muito comum da comédia de texto é exaltado.
5. Argumento básico que sempre funciona
A raiz da história segue a Jornada do Herói, que habita em 99% dos filmes lançados no mundo todo, especialmente nos Estados Unidos. Com a particularidade da síndrome da Gata Borralheira, da menina moça que vem de baixo, humilde, e experimenta os altos escalões do poder e do luxo. E se dá bem, mantendo seus princípios éticos. Ou seja, o público torce por Andy.
6. Uma pequena lição contemporânea
Esse é o ponto que mais me encantou no filme, embora deva ter passado batido em quase todas as plateias: o debate a respeito do fim do jornalismo, das revistas impressas e das grandes e gabaritadas equipes, sendo substituídas por ferramentas de IA e estratégias vis para baratear custos. O tema surge como pano de fundo, muito brando, mas é interessante ver o assunto pautado. Aliás, o enredo todo, com suas reviravoltas de compra e venda de grandes grupos e empresas, me lembrou um episódio da série Succession.
Bonus Track: A trilha sonora recheada de nomes modernos como Miley Cyrus, Dua Lipa, Laufey, SZA e, claro, Lady Gaga (que faz uma ponta no filme, inclusive) ajuda a embalar as passarelas e as festas. Claro, nem um pouco perto do momento histórico de 2006.
Ah, tem um momento para VOGUE.
Eu não sei se quem viu ou reviu o primeiro longa lembra de "Vogue", da Madonna, ou se quem ouve a música lembra imediatamente do filme. A ligação é tão intrínseca, e as duas peças culturais (canção e filme) foram tão boas na época — e fizeram tanto sucesso —, que parecem não andar sozinhas, uma vitaminando a outra.
Por todos esses fatores, devidamente somados, mas ainda assim não suficientes para compor um graaaaaaaande filme, é que O DIABO VESTE PRADA 2 ganha nota 7.
Assisti no GNC Cinemas de Porto Alegre.
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| renatomartins@redeatitudepositiva.com.br |
Renato Martins, jornalista, radialista, cinéfilo e professor, editor da Rede #AtitudePositiva e criador do projeto mulimídia #CenadeCinema.
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