Nas próximas semanas a Unesco deve anunciar o reconhecimento dos manuscritos de Luiz Gama, um dos maiores nomes do abolicionismo no Brasil, como Patrimônio Documental da Humanidade.
A candidatura e a possibilidade de fazer parte do Patrimônio Documental da Humanidade se deve ao trabalho de destaque do abolicionista na história brasileira, se dá pelo ineditismo dos documentos, que seguem pouco explorados.
| Wikimedia Commons |
Em 2024, o acervo de Luiz Gama foi aprovado para receber o certificado de registro do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) no Programa Memória do Mundo em 2025.
Luiz Gama foi autor de inúmeros processos judiciais e responsável pela “Questão Netto”, a maior ação em prol da libertação de pessoas negras escravizadas na América Latina, um feito considerado de extrema relevância não somente para o movimento abolicionista brasileiro do século XIX, como para a história do mundo.
A “Questão Neto” foi um processo judicial iniciado pelo advogado abolicionista Luiz Gama em 1869, após ele descobrir que o testamento do rico comendador Manoel Joaquim Ferreira Netto, que determinava a libertação de 217 pessoas escravizadas após sua morte, não estava sendo cumprido por sua família e seus sócios.
Diante disso, Gama acionou a Justiça para garantir que a vontade do falecido fosse respeitada, dando início a uma ação considerada por historiadores como a maior iniciativa coletiva de libertação de pessoas escravizadas nas Américas.
Bruno Rodrigues de Lima, historiador, advogado, pesquisador do Instituto Max Planck e autor de Obras Completas de Luiz Gama, foi um dos responsáveis pela catalogação do acervo de Luiz Gama e tem vibrado com o possível reconhecimento pela Unesco.
Em seu perfil no Instagram, Bruno afirma em um post que:
“sobre o potencial reconhecimento dos escritos de Luiz Gama como patrimônio histórico mundial da @unesco. Isso está em vias de acontecer — o que está diretamente ligado à recente resolução da ONU reconhecendo o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.
Ao reconhecer os manuscritos do abolicionista Luiz Gama como Patrimônio Documental Mundial, a Unesco está dando mais um pequeno passo para tornar seu acervo mais completo e agora também composto pelo maior nome do abolicionismo negro brasileiro.
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