Em 2023, a pensionista Alzira Gonçalves, hoje com 87 anos, sofreu um infarto após um episódio de mal-estar com falta de ar. Diabética e fã de um cafezinho, ela foi aconselhada pela família a adotar a versão descafeinada, mesmo sem orientação médica. "No fim, a culpa do meu mal-estar acabou caindo sobre o coitado do café, mas não posso falar mal dele", conta Alzira, que não recusa a bebida tradicional quando lancha fora de casa. Esse medo da família vem de uma fama antiga de que o café causa pressão alta e arritmia. No entanto, estudos recentes e especialistas mostram que esse temor não se justifica.
Saiba mais sobre os benefícios do consumo moderado da bebida
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O que dizem os especialistas
A nutróloga e coordenadora clínica de Terapia Nutricional do Hospital São Lucas da PUCRS, Carla Grzybowski, explica que o consumo deve ser individualizado, mas que doses moderadas — de até 400 ml por dia (cerca de quatro xícaras) — são seguras e não estão associadas ao aumento de arritmias sérias. "Em relação ao infarto, não existe contraindicação formal automática pelo evento isolado. O consumo esporádico dificilmente trará efeitos adversos", esclarece. A médica destaca ainda que o consumo de cafeína está ligado à redução do risco de problemas cardiovasculares e à proteção contra demências e Alzheimer, benefícios que o descafeinado não oferece.
Metabolismo e horário limite
Carla pontua, porém, que a população idosa costuma ter um metabolismo mais lento, o que faz a cafeína circular por mais tempo no organismo. Por isso, a dose precisa ser ajustada e o horário do último café do dia deve ser antecipado para as 15h ou 16h, testando como isso interfere no sono.
Impactos a longo prazo no corpo
O endocrinologista Fernando Gerchman reforça os benefícios. Segundo ele, o café reúne substâncias benéficas, como magnésio e polifenóis, que combatem o envelhecimento celular, melhoram a flora intestinal e ajudam a regular o metabolismo. "Ao contrário de substâncias que promovem efeitos passageiros, o consumo moderado e regular de café traz resultados consistentes à saúde no longo prazo, reduzindo o risco de diabetes tipo 2", avalia.
Envelhecimento com funcionalidade
A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Berenice Werle, acrescenta que revisões científicas apontam o café como potencial aliado. "Ele contribui para que o tempo de vida seja acompanhado de mais saúde e funcionalidade, mantendo o idoso mais ativo e alerta", diz. Para garantir os efeitos positivos, o consumo deve ser preferencialmente do café puro, já que o açúcar e o leite reduzem seus benefícios.
Osteoporose e cuidados
Para quem tem osteoporose, não é preciso cortar o café, apenas ajustar o horário. Como a bebida interfere na absorção de cálcio e ferro, o ideal é aguardar de uma hora a uma hora e meia após refeições como o almoço. Pacientes com sensibilidade gástrica podem optar pelo descafeinado. Em caso de exageros no consumo, os sinais de alerta do corpo incluem ansiedade, tremores, insônia e coração acelerado.
Fonte: GZH
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