MEIO AMBIENTE: "Perereca-leiteira" é registrada pela primeira vez no bioma Pampa, no RS

Pela primeira vez, uma espécie de perereca-leiteira (Trachycephalus typhonius) foi identificada no bioma Pampa, no Brasil. O registro inédito ocorreu na cidade de São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, e foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com a Rede Campos Sulinos. A descoberta eleva para 64 o número total de espécies de anfíbios conhecidas na região.

Confira a seguir os detalhes do animal e a importância da descoberta para a biodiversidade gaúcha.

Foto: Teilor Koscrevic / Divulgação

Descoberta pelo canto

Os animais foram localizados por acaso durante uma saída a campo de estudantes universitários. Os alunos foram atraídos por uma vocalização grave e típica vinda de uma lagoa temporária, a cerca de 4,6 quilômetros do rio Uruguai, na fronteira com a Argentina. Após a gravação do som e fotografias de dez machos, a identificação foi confirmada e o achado foi oficialmente documentado na revista científica Herpetology Notes neste mês de setembro.

Características e reprodução "explosiva"

A espécie tem entre 10 e 12 centímetros, íris dourada e um dorso camuflado que lembra casca de árvore. Ela recebe o nome popular de "perereca-leiteira" devido a uma secreção esbranquiçada e adesiva produzida por sua pele. Segundo o professor Tiago Gomes dos Santos, os animais possuem um comportamento de "reprodução explosiva", em que os machos se reúnem em poças temporárias após chuvas fortes e cantam para as fêmeas por poucas noites. O anfíbio se alimenta de pequenos insetos e não está ameaçado de extinção.

Corredor ecológico na fronteira

O registro surpreendeu os cientistas, que não sabiam que a distribuição da espécie chegava tão ao sul. A descoberta evidencia que a Fronteira Oeste atua como um importante corredor biogeográfico, permitindo a troca de fauna entre os pampas do Brasil, da Argentina e do Uruguai. A principal hipótese levantada pelos pesquisadores é que os indivíduos encontrados possam ter atravessado o rio Uruguai a partir do território argentino.

Fonte: GZH

Tiago Gomes dos Santos / Divulgação



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