CIÊNCIA: Francis Halzen vence Nobel de Física por detecção de neutrinos na Antártida

O cientista Francis Halzen conquistou o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas contribuições decisivas para o Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. O físico belga, professor da Universidade de Wisconsin-Madison, receberá sozinho a láurea de 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), um feito que não ocorria na categoria de Física desde 1992.

Confira a seguir como funciona a captação de partículas no gelo e a importância da descoberta.

Foto: Reprodução/Nobel Prize

O observatório no gelo

Os neutrinos são partículas subatômicas abundantes no Universo, mas de detecção extremamente difícil por quase não interagirem com a matéria. Em casos raros, a colisão de um neutrino com o núcleo de um átomo produz um pequeno clarão de luz. A partir dessa premissa, Halzen propôs em 1988 o uso de um quilômetro cúbico de gelo no Polo Sul como um gigantesco detector. A ideia resultou no IceCube, concluído em 2011, que utiliza milhares de sensores de luz em profundidade na Antártida para registrar a radiação gerada por essas colisões raras, mapeando a direção e a energia das partículas.

Astronomia de neutrinos

Os neutrinos de alta energia funcionam como mensageiros de fenômenos extremos do cosmos. Diferentemente de outras partículas, eles não são desviados por campos magnéticos e viajam grandes distâncias sem perder energia, o que permite aos cientistas rastrear exatamente a sua origem. Com os equipamentos do IceCube, os pesquisadores identificaram os primeiros neutrinos cósmicos vindos de muito além do Sistema Solar, inaugurando a astronomia de neutrinos. A tecnologia permite investigar aceleradores cósmicos e ambientes violentos do Universo que não podem ser estudados apenas com a luz.

Curiosidades do Nobel

Desde 1901, o prêmio de Física já reconheceu mais de 220 cientistas, incluindo nomes históricos como Albert Einstein e Marie Curie, a primeira mulher a receber a honraria. O ganhador mais jovem da categoria foi Lawrence Bragg, premiado aos 25 anos em 1915, enquanto o mais velho foi Arthur Ashkin, aos 96 anos em 2018. A semana do Nobel 2026 segue com o anúncio dos vencedores em Química, Literatura, Paz e Economia, após a entrega do prêmio de Medicina na segunda-feira (5) para o trio responsável pela descoberta da optogenética.

Fonte: g1


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