Nobel da Paz 2026 reconhece Navi Pillay pela defesa dos direitos humanos e do direito internacional

A jurista sul-africana Navanethem Pillay, conhecida como Navi Pillay, de 85 anos, venceu o Prêmio Nobel da Paz 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. A premiação reconhece sua atuação pela paz e pelo fortalecimento do direito internacional.

Conheça a trajetória da jurista que enfrentou o apartheid, presidiu o tribunal responsável por julgar o genocídio em Ruanda e comandou a área de direitos humanos da ONU.


Da luta contra o apartheid à justiça internacional

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem indiana tâmil, Pillay construiu sua carreira durante o apartheid, regime de segregação racial que restringia os direitos da população não branca.

Como advogada, atuou na defesa de opositores do regime e dos direitos de presos políticos. Em 1995, após o fim do apartheid, tornou-se a primeira mulher não branca nomeada juíza do Tribunal Superior da África do Sul.

No mesmo ano, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994. Presidiu a instituição entre 1999 e 2003.

Sua trajetória internacional também inclui:

— Atuação como juíza do Tribunal Penal Internacional, entre 2003 e 2008.
— Exercício do cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 2008 a 2014.

Reconhecimento à defesa da justiça

Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, Pillay contribuiu para consolidar o direito internacional como instrumento de paz e de responsabilização por crimes graves. A instituição destacou sua coragem, integridade e compromisso com princípios jurídicos universais.

Mais recentemente, a jurista presidiu a comissão independente de investigação da ONU sobre o território palestino ocupado e Israel. A comissão concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza, conclusão rejeitada pelo governo israelense.

Ao anunciar a escolha, o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que o reconhecimento também reforça a importância das instituições internacionais e do respeito ao Estado de Direito para a construção de um mundo mais pacífico.

Fonte: Redação AP com g1, Comitê Norueguês do Nobel e ONU



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