Guilherme Carlos Lubian, de 35 anos, atua como especialista em acessibilidade digital para um banco, mas sua paixão o levou a transformar a garagem de casa, em Canoas (RS), em uma oficina mecânica. Deficiente visual de nascença e com apenas 5% de visão, ele conserta veículos utilizando ferramentas de inteligência artificial e óculos inteligentes. Agora, ele também compartilha sua rotina na internet e cobra a criação de equipamentos mais inclusivos pela indústria.
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Inteligência artificial no diagnóstico
Para realizar o conserto dos carros, o mecânico utiliza um conjunto de tecnologias. O principal recurso é o aplicativo Be My Eyes, que conecta deficientes visuais a voluntários ou a ferramentas de inteligência artificial por meio de chamadas de vídeo ou fotos. Lubian também emprega os óculos inteligentes Ray-Ban Meta integrados ao aplicativo, permitindo que ele leia códigos de peças diretamente do motor por meio de comandos de voz. Já os diagnósticos automotivos são feitos com o auxílio do aplicativo Car Scanner. A esposa, Daiane Tubello, também o ajuda a visualizar peças mais complexas quando necessário.
Desafios e combate ao capacitismo
O mecânico ressalta que o capacitismo — o preconceito de que pessoas com deficiência não são capazes de exercer certas funções — é um desafio constante. Ele relata que, desde o início da oficina durante a pandemia, precisou lidar com o descrédito de muitas pessoas, mas que a sua persistência atrai clientes, especialmente pais de filhos com algum tipo de deficiência. Por meio de seu canal no YouTube, o Lubian Garage, ele compartilha suas restaurações de motores a diesel e gasolina.
Luta por ferramentas inclusivas
Especialista em análise de sistemas e experiência do usuário, Lubian quer expandir seu impacto para além da própria oficina. Ele afirma que seu próximo objetivo é pressionar o mercado e a indústria brasileira a reverem a padronização das ferramentas manuais e equipamentos de trabalho. Ele argumenta que a produção atual pressupõe que todos os usuários enxergam, ouvem e falam, excluindo milhares de pessoas do mercado de trabalho.
Fonte: Redação AP com GZH
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