#TBT: Há um ano, o México proibia o uso de mamíferos marinhos em shows de entretenimento

Lembra dessa? Em 2025, a Câmara dos Deputados do México aprovou por unanimidade, após aval favorável do Senado, uma emenda histórica à Lei Geral de Vida Silvestre que proíbe o uso de mamíferos marinhos — como golfinhos, leões-marinhos e orcas — em espetáculos fixos ou itinerantes e atividades de entretenimento em cativeiro. A nova legislação entrou em vigor imediatamente e determinou que os cerca de 350 golfinhos mantidos em cativeiro no país fossem gradualmente realocados para santuários marinhos em cercados oceânicos.

Confira essa lembrança de notícia boa.


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Fim da exploração comercial e exceções científicas

A emenda aprovada no ano passado proíbe estritamente a captura de novos animais na natureza, a reprodução em cativeiro e a manutenção dessas espécies para finalidades puramente comerciais ou de lazer. A única exceção prevista na legislação abrange atividades estritamente voltadas à pesquisa científica para conservação, programas de reintrodução, repovoamento ou translocação voltados à restauração de populações em seus habitats naturais.

Organizações de proteção animal, como a Humane World for Animals Mexico, celebraram a medida como um marco decisivo para os direitos dos animais no país, destacando a articulação científica liderada por especialistas em bioética e pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

O que ainda há por fazer 

Como diversas notícias boas que a gente comemoram, uma boa parte delas ainda não se efetiva.

Segundo a lei mexicana, as normas complementares de regulamentação e transição para os santuários deveriam ser publicadas pelo governo no prazo de um ano. 

O que aconteceu até agora?

1. As normas já foram publicadas?

Não de forma completa. O prazo de um ano venceu e a imprensa mexicana (como o jornal El Economista) noticiou em agosto de 2026 que justamente a falta de regulamentação governamental específica está travando a transferência dos animais.

A lei entrou em vigor em julho de 2025, proibindo os shows imediatamente, e deu aos parques um prazo de 90 dias para entregarem um inventário dos animais à SEMARNAT (Secretaria de Meio Ambiente do México) e até 18 meses (ou seja, até o início de 2027) para concluírem as realocações. Mas as diretrizes exatas de como e para onde fazer essa movimentação com segurança atrasaram.

2. Como está a situação dos animais atualmente?

A situação é de transição delicada e aguardo:

  • O Primeiro Santuário em Andamento: O governo do estado de Quintana Roo (onde ficam Cancún e a Riviera Maya, os maiores polos de golfinhos em cativeiro do país) anunciou, entre julho e agosto de 2026, que está preparando o primeiro santuário de golfinhos da América Latina, que ficará localizado na ilha de Cozumel.

  • A Saúde dos Animais: A PROFEPA (Procuradoria Federal de Proteção ao Ambiente) tem feito fiscalizações constantes. Relatórios recentes de agosto/setembro de 2026 mostraram que vários golfinhos resgatados em Cancún estão com a saúde debilitada. O processo não é tão simples quanto soltá-los na água: os biólogos constataram que os animais precisam de reabilitação severa para viverem em semiliberdade (cercados no mar), pois passaram a vida toda em piscinas de concreto.

Resumo da notícia: A lei de fato acabou com os shows e impediu que a indústria continue explorando os animais para turistas tirarem fotos. No entanto, a burocracia do governo e a saúde frágil dos golfinhos estão fazendo com que a logística do "pós-cativeiro" caminhe a passos lentos, com o primeiro grande santuário ainda em fase de implementação em Cozumel.

Fonte: Redação AP


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