Copa do Mundo e Black Friday podem dar fôlego ao varejo brasileiro

Sem conseguir tração consistente de vendas entre julho e agosto, o varejo acelerou neste mês um plano de ações para surfar a onda de otimismo que a somatória de Copa do Mundo, Black Friday e Natal pode trazer para os últimos três meses do ano. O objetivo é superar o impacto negativo sobre as vendas que tem sido gerado pelos juros ainda elevados, o alto endividamento das famílias e a baixa confiança do consumidor.

Para a Copa do Mundo não "canibalizar" as vendas de Black Friday e Natal, o varejo resolveu antecipar atividades promocionais, esticando o calendário e segmentando as datas por itens. Por exemplo, desde setembro as grandes varejistas começaram a comunicar promoções específicas para de televisores.

"Copa traz um calendário mais longo. Televisores, churrasqueira elétrica, cervejeira e deixa outras categorias para Black Friday, como smartphones. E Natal fica com tíquete menor, com categorias como livros", explica Fernando Baialuna, diretor da consultoria GfK, que audita vendas no varejo.

Reprodução Conexão Fluminense


De acordo com Baialuna, além de esticar o calendário, as varejistas vão fazer mais esforço para vender, intensificando comunicação e promoções, além de criar mais opções de pagamento. "O varejo está posciocionado e estocado. Movimento vai ser forte para girar os estoques", diz destacando que há aumento de condições de parcelamento, alternativas de troca por pontos e descontos na troca de produtos usados.

Mas esse ritmo de avanço pode vir só depois de 30 de outubro, conforme a Copa do Mundo e a Black Friday se aproximam e a disputa pela presidência define o eleito. "O nível de confiança hoje é muito baixo, principalmente entre os mais pobres. Mas se olhar as últimas eleições, há uma confiança maior depois de definido o presidente. E vai casar bem com o período de Black Friday. Aí o cliente toma mais risco e vai para o parcelamento e consome."

Qual a expectativa de vendas?

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que R$ 1,48 bilhões em vendas no comércio e serviços relacionadas à Copa do Mundo, que neste ano começa em 20 de novembro por causa do calorão do Catar durante o período de julho  e agosto, quando o torneio acontece tradicionalmente.

Essa projeção significa um avanço de 7,9% ante a edição do torneio de futebol em 2018, que foi sediado na Rússia. Entre essas vendas estão especialmente televisores, mas há também grande estímulo para alimentos e bebidas, em especial carnes e cerveja, e artigos de moda esportiva.

A confiança da população em ver Brasil levantar a taça pela sexta vez também estimula expectativas ainda mais otimistas. Levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) projeta que aproximadamente 60 milhões de consumidores vão consumir na Copa do Mundo e podem injetar R$ 20 bilhões na economia somente com gastos relacionados ao torneio.

Além disso, a Black Friday também pode ser melhor do que em 2021, quando o desempenho frustrou grande parte do comércio. Segundo levantamento inédito da consultoria GfK, 90% declaram que irão comprar na edição de 2022 da Black Friday. A disposição em comprar cresceu 3 pontos percentuais ante 2021 e, agora, 53% afirmam que vão buscar descontos na data, o que deve ser estimulado com a volta mais consistente do varejo físico quando comparado a 2020 e 2021, em que a pandemia afetou as atividades. 


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