A felicidade no ambiente de trabalho virou um mantra entoado por boa parte das grandes companhias globais, que tentam seduzir seus talentos para evitar a rotatividade. Empresas como Basf, Grupo Boticário e Magazine Luiza adotam uma série de ações para garantir a felicidade dentro de suas organizações, como programas de terapia, educação financeira, iniciativas para fortalecer a segurança psicológica e até área de recreação para os filhos de funcionários.
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Mas para criar esse ambiente é necessário ultrapassar as paredes do escritório e das fábricas. “É preciso entender quais são as vulnerabilidades e o sofrimento de cada um do lado de fora da empresa”, afirma Carla Furtado, diretora do Instituto Feliciência.
Um levantamento mundial, com participação do Brasil, revelou que 71% dos entrevistados se diziam felizes em relação à vida, mas apenas 46% estavam satisfeitos com o trabalho. A pesquisa foi divulgada em dezembro de 2022, pela Woohoo Unlimited, maior certificadora internacional de chefe de felicidade.
Entre os principais pontos do estudo, um deles chamou atenção para ferramentas utilizadas pelas empresas para fomentar o bem-estar, a felicidade e a saúde mental. Segundo Carla, os recursos financeiros oferecidos pelas instituições não são suficientes para garantir um ambiente seguro e auxiliar na qualidade de vida do trabalhador. A rede de apoio deve começar na alta gestão, ressalta, acrescentando que um chefe adoecido e sobrecarregado resulta em uma equipe em estado de sofrimento.
“Não é completo um programa que centre no indivíduo dentro da organização toda a responsabilidade”, diz. Ela explica que o sofrimento do trabalhador é investigado a partir de dois fatores: a cultura da empresa e a interligação com a liderança. No caso do gestor, ele não deve ser o principal responsável da companhia, mas representa um fator de promoção da saúde.
“O líder precisa ter um comportamento orientado para a saúde. É um chefe que, em primeiro lugar, cuida da sua própria saúde, pois como ele vai reconhecer que a saúde do colaborador é importante se a dele não é?”, afirma. A especialista em felicidade Mary Elbe pensa o mesmo. “O papel do chefe é importante para calcular se está diante de um ambiente tóxico”, diz.
Veja como algumas empresas tratam o assunto:
BASF. Se antes de 2020, o foco da multinacional Basf no Brasil estava voltado para área social e esportiva, agora o eixo central é o bem-estar integral aliado a segurança psicológica, afirma a consultora de bem-estar da empresa, Bruna Fesneda. “O objetivo genuíno é enxergar o colaborador não só como profissional, mas como pessoa.” Para isso, a empresa oferece plataforma de terapia e assistência política e financeira. Quando é identificado um problema em uma equipe, são desenvolvidos conteúdos personalizados.
Já o setor de acompanhamento financeiro é feito por meio de um canal sigiloso, com assessores financeiros. A Felicidade Interna Bruta (FIB) e a medição de estresse, por sua vez, são calculadas em pesquisas. Para assegurar o nível adequado, a empresa tem praticado a cultura do erro, para que o funcionário não sinta medo de se comunicar e se posicionar no ambiente, fator diretamente ligado à segurança psicológica.
GRUPO BOTICÁRIO. Com histórico de programas de bemestar há mais de 12 anos, o aprendizado do Grupo Boticário na pandemia foi maturar o olhar sobre ações relacionadas ao tema e gerar consciência de colaboradores que ainda alimentavam um certo ceticismo a respeito de saúde mental, afirma a diretora da empresa, Renata Simioni. A rede apostou em transformar metas individuais em colaborativas para incentivar o trabalho em equipe e gerar ambientes mais seguros, relata Simioni.
Outro avanço está ligado a terapias. A empresa custeia duas sessões por mês a cada colaborador e o benefício pode ser estendido a familiares.
O feedback das pessoas é feito por meio de perguntas semanais para avaliar, por exemplo, o índice de estresse. Foi a partir dessas análises que o grupo criou em 2018 o Sentinela, projeto que mantém uma matriz de risco (com informações sigilosas) para identificar funcionários que necessitam de suporte urgente, mas não buscam os canais disponíveis. Assim como a Basf, a rede oferece suporte para ajudar lideranças a direcionar e diagnosticar problemas dentro do time.
“Líder precisa ter um comportamento orientado para a saúde; em primeiro lugar, tem de cuidar da própria saúde”, afirma Carla Furtado, do Instituto Feliciência.
MAGAZINE LUIZA. Propósito é a base para o desenvolvimento do bem-estar dos profissionais da Magazine Luiza, afirma a diretora executiva de gestão de pessoas, Patricia Pugas, que parte do seguinte questionamento: “Como facilito o cotidiano do meu colaborador e como torno a vida dele (a) melhor?”. Entre os métodos para medir a felicidade dos funcionários, a empresa usa pesquisas que observam tempo de permanência, nível de carreira, engajamento e outros fatores internos.
Quando o assunto é saúde, a diretora explica que as ações são direcionadas para a área mental (telemedicina e terapia), financeira e física. Os benefícios diferenciados são voltados para os trabalhadores com filhos. “Nós temos o ‘Cheque-Mãe’, auxílio para pagamento de creches, que também tem o objetivo de incentivar a carreira da funcionária”, diz. Ainda no espectro familiar, a Magalu tem espaços de recreação em unidades da loja paras filhos dos funcionários durante as férias escolares.
Com informações do Estado de SP
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