A mídia quer parar de dar holofotes para agressores e autores de atentados. O conselho veio dos especialistas em estudos de violência no Brasil, logo após ao trágico ataque à creche de Blumenau, em Santa Catarina. A ideia é semelhante ao que aconteceu nos anos 70, quando a imprensa britânica iniciou uma grande onda no mundo ao parar de noticiar suicídios, depois que essas ocorrências tinham aumentado vertiginosamente. E deu certo. O número de suicídios caiu na Inglaterra e no resto no mundo. Veja os detalhes depois da imagem.
O mais incrível (e positivo) nesta história é que a ação veio rápida. A própria mídia foi coletar opiniões de especialistas, como sempre, depois do caso do homem que matou quatro crianças na creche de Blumenau. E a opinião de vários deles coincidiu: "vocês mesmos, da imprensa, reforçam o ego dos criminosos, divulgando incessantemente a imagem e o nome dos autores de agressões e causadores de tragédias como essa". O Ministério Público de Santa Catarina e de São Paulo também tiveram a mesma posição e fizeram o pedido aos veículos de comunicação.
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O mais incrível (e positivo) nesta história é que a ação veio rápida. A própria mídia foi coletar opiniões de especialistas, como sempre, depois do caso do homem que matou quatro crianças na creche de Blumenau. E a opinião de vários deles coincidiu: "vocês mesmos, da imprensa, reforçam o ego dos criminosos, divulgando incessantemente a imagem e o nome dos autores de agressões e causadores de tragédias como essa". O Ministério Público de Santa Catarina e de São Paulo também tiveram a mesma posição e fizeram o pedido aos veículos de comunicação.
A partir dessas entrevistas na semana pasada, diversas emissoras e jornais resolveram divulgar as mudanças editoriais na forma como serão conduzidas as coberturas de ataques a escolas. Nas últimas duas décadas, o Brasil tem registrado pelo menos 24 ocorrências desse tipo de atentado. Somente desde 2011, foram dez ataques. Para evitar o que os estudiosos chamam de "efeito contágio", empresas como a CNN, Band, Grupo Globo e Canal Meio decidiram não anunciar mais nomes, fotos e vídeos dos acusados. A Empresa Brasil de Comunicação, a agência de notícia do governo federal, já adotava esse protocolo em suas coberturas diárias.
As entidades médicas também corroboram o pedido: os médicos afirmam que há uma conexão causal entre a violência na mídia e comportamentos agressivos em algumas crianças. Com isso, muitas autoridades e entidades também estão saudando a decisão dos profissionais de comunicação de evitar expor detalhes sobre os agressores e também de suas vítimas.
De acordo com a professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Danila Zambianco, a cobertura da imprensa não deve trazer espetáculo ou notoriedade para os autores desses atos. Ela afirma que o foco da mídia deve estar nas vítimas e na reconstrução do espaço escolar. Zambianco destaca que é importante que a escola afetada adquira um novo significado para as pessoas e que a política pública de promoção da convivência seja difundida e acompanhada pelas instituições estaduais.
Além do caso em Santa Catarina, ocorrido na última segunda-feira (5), também em São Paulo houve um ataque em março na Escola Estadual Thomazia Montoro, com a morte de uma professora. Desde o ocorrido, a Polícia Civil paulista identificou um aumento nas situações que indicam planos de possíveis ataques em escolas. Em apenas uma semana, foram registrados 279 casos. Está comprovado que a diminuição do noticiário, e principalmente do sensacionalismo que é trazido por muitas emissoras, pode ajudar a diminuir esses casos e até frear - e melhor de tudo, evitar - essas tragédias.
Da Redação #AtitudePositiva
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