SUA SAÚDE: Conheça alimentos comuns que são apontados como cancerígenos pela OMS

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou que deve incluir o aspartame em sua lista de alimentos perigosos para o desenvolvimento de câncer (veja no final deste post mais detalhes). O adoçante é popular em produtos dietéticos. Entretanto, ele não é o único alimento do dia a dia que já foi associado pela entidade ao surgimento de tumores.

Pexels


Embutidos, como a salsicha, as linguiças e o presunto, estão na lista desde 2017 e em seu nível mais alto. O guia da Iarc é dividido em quatro níveis (1, 2A, 2B e 3), e apresenta substâncias, comportamentos e estilos de vida que são perigosos para o desenvolvimento de câncer. Os níveis estão divididos pela quantidade de evidência científica que existe vinculando cada alimento ou ação a manifestações da doença.

O nível com mais evidências é o 1, em que dividem espaço o hábito de fumar, as infecções por hepatite e até ser bombeiro profissional. Entre estes itens há quatro alimentos. Dois deles são altamente consumidos no Brasil: bebidas alcoólicas e carne processada.

Na lista desde 2017, carne processada inclui toda opção animal que foi transformada por meio de salga, fermentação, defumação ou outros processos para realçar o sabor ou melhorar a preservação. Presunto, salsichas, carne enlatada e carne seca são exemplos desses produtos.

As evidências coletadas pelo Iarc apontam que o consumo deste tipo de alimento pode levar ao câncer colorretal. “As carnes processadas têm em sua composição substâncias que entram no metabolismo celular do sistema digestivo atrapalhando o processo de duplicação celular”, explica o oncologista Leandro Ramos.

Embora esteja na lista da Iarc como nível 1, ou seja, causador de câncer, a salsicha e demais embutidos não têm a mesma gravidade para o desenvolvimento de tumores que o hábito de fumar, por exemplo.

“A carne processada e o tabagismo estão no mesmo grupo, mas isso não significa que todos são igualmente perigosos. As classificações descrevem a força da evidência científica, não o nível de risco”, esclarece a agência em seu site.

“A gente sabe que 40% dos casos de câncer estão relacionados a fatores de risco modificáveis e a alimentação tem um papel nisso. É como a pele: quando a gente pega sol muitas vezes, sofremos uma queimadura constante que pode levar ao câncer. Se comemos alimentos que inflamam o nosso sistema digestivo com muita constância, aumentamos nossas chances de ter câncer”, resume o oncologista Daniel Vargas.

Bebidas alcoólicas

O etanol que é absorvido no consumo de bebidas alcoólicas está na lista de grau 1 desde 2012. Para a agência, existem fartas evidências de que o hábito de beber está relacionado ao risco de desenvolver cânceres do início do sistema digestivo: boca, faringe, esôfago e laringe.

Para Ramos, porém, isso não quer dizer necessariamente que devemos eliminá-la da dieta. “As bebidas alcoólicas não são as mais graves. O que a lista aponta é que há evidências fortes, mas isso não quer dizer que não existem benefícios em tomar vinho eventualmente, por exemplo”, aponta Ramos.

Outros alimentos na lista da Iarc

Os demais níveis da Iarc se dividem em: 2A, com os itens provavelmente cancerígenos, quando há suficientes e fortes evidências, mas em pequeno número; 2B, os possivelmente cancerígenos, quando as pesquisas científicas são limitadas ou controversas; e 3, quando já foram apresentadas evidências, mas que não puderam ser comprovadas ou que apareceram apenas em estudos laboratoriais com animais.

Carne vermelha

A carne vermelha é um item 2A na lista. Ela foi associada, ainda que com evidências que a Iarc considerou limitadas, ao câncer de cólon, de reto, de pâncreas e de próstata.

“No caso das carnes vermelhas, a gente tem visto mais evidências de que devemos evitar um consumo constante. O melhor é recorrer a ela só em casos mais especiais e, no dia a dia, seguir com proteínas mais fáceis de digerir, como as carnes brancas”, diz Vargas.

Bebidas quentes

Chás, chimarrão, cafés e outras bebidas servidas a temperaturas superiores a 65ºC também estão entre os itens 2A da lista. Elas entraram nesta classificação pela existência de estudos que associam seu consumo ao câncer de esôfago.

Fritura

As frituras estão no também no nível 2A. Elas foram associadas em pesquisas científicas ao câncer de língua, mas faltam outros estudos que comprovem a ligação.

“O modo de preparo é muito importante para o potencial cancerígeno de um alimento. Comidas que são sobreaquecidas ou preparadas em brasa acabam sofrendo alterações moleculares que facilitam as inflamações e contribuem para o câncer”, explica Vargas.

Picles e outros vegetais em conserva

Os picles e outros vegetais fermentados que são vendidos conservados em uma mistura de sal, água e vinagre, são considerados substâncias cancerígenas, mas em nível 2B. Isso quer dizer que as evidências científicas disponíveis até agora não são conclusivas para determinar a associação deste alimento ao câncer.

A classificação sinaliza, no entanto, que há indícios de que o picles pode contribuir para o aparecimento de câncer de faringe, esôfago e estômago.

Os oncologistas apontam que a classificação do Iarc não significa o banimento de um alimento, apenas que se deve ter cuidado ao consumí-lo e evitá-lo sempre que possível. Eles ressaltam que nenhum dos efeitos observados, nem mesmo no grupo 1 de evidências mais robustas, é de uma imediata e definitiva correlação da comida com o câncer.

“Temos que ter bom-senso ao avaliar estas listas. Não dá para dizer que todos que bebem terão este tipo de câncer ou que comer um cachorro-quente pode te matar. O que devemos é fazer um esforço ativo em consumir produtos naturais e manter o estilo de vida mais saudável que esteja a nosso alcance”, explica Ramos.

Sobre o Aspartame

O aspartame é um dos adoçantes mais comuns para substituir o açúcar em produtos adocicados. É encontrado especialmente em versões diet de sucos, refrigerantes e alimentos que evitam a adição de açúcar. Entretanto, a substância deve entrar na lista de itens cancerígenos da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), que é ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), no próximo mês.

O aspartame é um adoçante artificial composto por dois aminoácidos, o ácido aspártico e a fenilalanina. Descoberto em 1965, ele é quase 200 vezes mais doce que o açúcar e, por isso, é usado em pequenas quantidades, gerando um intenso dulçor. Seu uso, porém, já foi associado até à ansiedade em estudos científicos.

Já se podem determinar os riscos?

A Iarc mantém uma lista com quatro grupos de substâncias que são cancerígenas, sendo o primeiro, o mais grave. A decisão sobre em qual classe o aspartame será incluído será dada em 14 de julho. No entanto, o documento que antecipa o veredito já aponta a necessidade de ponderação sobre a ingestão diária do componente.

A instituição afirma ter feito a revisão de mais de 1,3 mil estudos sobre o aspartame para decidir colocá-lo na lista. “Ele foi apontado como de alta prioridade por evidências que o associam ao desenvolvimento de câncer em humanos e em animais em laboratório”, afirma o documento que convida para o anúncio da Iarc.

Entre as pesquisas científicas recentes, porém, há movimentos que vão tanto a favor como contra o uso deste tipo de adoçante. Um estudo espanhol publicado em 16 de junho no International Journal of Cancer, por exemplo, apontou que, entre diabéticos que usavam a substância, havia maior risco de câncer colorretal e de estômago.

Outras pesquisas, porém, como uma da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicada em outubro de 2022, defendeu que as evidências disponíveis atualmente não permitem determinar uma conexão entre o uso de aspartame e câncer.

Quanto aspartame se pode consumir?

A avaliação da substância feita pela OMS em 1981 apontava que era segura a ingestão de até 40 mg de aspartame por quilo do consumidor ao dia. Para ultrapassar este nível, um adulto médio teria que tomar até 36 latas de refrigerante diet diariamente.

Os dados científicos mais recentes, no entanto, levaram o Iarc a determinar que consumos menores do que este podem levar a uma tendência ao câncer, mas o resultado final da avaliação de riscos só será apontado em julho.

“Um grupo de trabalho avaliou o potencial risco cancerígeno do aspartame e os resultados anunciados guiarão para uma revisão da ingestão diária aceitável e dos riscos de consumo com base nas últimas evidências disponíveis”, diz o documento da Iarc.

Várias instituições, no entanto, não endossam por hora o entendimento de que há perigo no consumo atual. O conselheiro científico da Food Standards Agency (FSA), instituição que regula a aprovação de alimentos no Reino Unido, Rick Mumford, defende que é preciso esperar a decisão para se posicionar.

“As declarações da Iarc abordam o perigo, mas ainda não o risco. É preciso saber os níveis abordados e em que grupo de risco o aspartame será incluído. A opinião da FSA é que o aspartame, nos níveis de uso atualmente permitidos, é seguro”, defende Mumford.

Em que produtos ele se encontra?

É difícil determinar a lista completa de produtos que contém aspartame, já que aproximações feitas em 2017 mostravam que ele estava nos ingredientes de ao menos 6 mil produtos, incluindo até medicamentos para a tosse e pastas de dente. Para evitá-lo, é sempre bom conferir a lista de ingredientes de alimentos, especialmente em:

  • Bebidas (sucos, chá gelado, águas aromatizadas, refrigerantes);
  • Cereais matinais;
  • Chicletes e balinhas;
  • Produtos lácteos, especialmente em versões light;
  • Frutas em conserva;
  • Sobremesas light;
  • Sorvetes;
  • Barras de cereais;
  • Medicamentos, especialmente para crianças;
  • Adoçantes de mesa.


Fonte: Metrópoles

Comentários