Filha de mãe brasileira e pai nigeriano, uma estilista nascida em Porto Alegre criou um banco de imagens de pessoas negras. A iniciativa, segundo Remi Carolino Owadokun, de 36 anos, surgiu para superar a falta de representatividade.
Com formação em moda na Itália, Remi, que também é palestrante, percorreu ao menos 13 países em sua trajetória profissional. Ela relata que tinha dificuldade de encontrar fotos de pessoas pretas para incluir em apresentações. Quando localizava imagens, conta que os retratados estavam associados a serviços braçais.
"Não encontrava uma pessoa preta dirigindo um carro de luxo ou numa posição de CEO, por exemplo. Muito menos mulheres pretas. Como solução, tive que muitas vezes encomendar fotos minhas. Então resolvi parar de reclamar e fazer algo para mudar essa situação", diz Remi.
O lançamento oficial da plataforma Morena Pixels ocorrerá no dia 7 de agosto. De acordo com a responsável, o acervo já reúne mais de 10 mil imagens.
"Criei o Morena Pixels para que eu me identificasse com as fotos do banco de imagem, para que meus amigos e clientes se vissem ali. Para que todas as pessoas pretas pudessem se sentir representadas", conta.
Foram realizadas sessões de fotos em cinco países: Brasil, Nigéria, Canadá, Quênia e Estados Unidos. No Rio Grande do Sul, os municípios de Porto Alegre, Cachoeirinha e São Leopoldo foram contemplados no roteiro.
Na sexta-feira (28), foram feitas fotos no Morro da Cruz, na Zona Leste da Capital. Luiza de Oliveira, de 19 anos, foi uma das modelos. Empreendedora e estudante de administração, ela aprovou o projeto.
"A ideia da Remi, de mostrar que a comunidade negra tem tanta pluralidade, é incrível, porque é fundamental que tenhamos mais representatividade. Como empreendedora, também valorizo muito a iniciativa dela. Hoje, principalmente aqui no Rio Grande do Sul, é importante que nos vejamos representados", avalia a jovem.
Morador do Morro da Cruz e integrante do projeto "Territórios Inovadores", que busca desenvolver a comunidade por meio do empreendedorismo, Michel Couto foi um dos articuladores para que o Morena Pixels fosse até a região.
"Ser este catalisador de oportunidades para as comunidades periféricas é o próposito que nos une. O case de empreendedorismo pode inspirar as pessoas aqui do Morro da Cruz, que também têm seus sonhos e projetos", explica Michel.
Como vai funcionar
Embora o lançamento seja no próximo mês, a plataforma já esta no ar para quem quiser se cadastrar, gratuitamente, como modelo (somente pessoas negras). Os interessados preenchem um formulário, e a startup tenta conectá-los a um espaço e a um fotógrafo parceiro da iniciativa.
Segundo Remi, o modelo receberá 10% sobre o valor de licenciamento da imagem, o local ficará com 5% e o fotógrafo de 10 a 40%, conforme o tipo de contrato que tiver com a plataforma.
"Além da representatividade, também buscamos uma forma de criar renda para pessoas pretas, sem ter estudo ou preparação específicos. Os proprietários dos locais e os fotógrafos não precisam ser pretos, mas a pessoa em frente à câmera, sim", pontua a criadora da Morena Pixels.
Fonte: G1
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