A Escola de Ensino Médio de Tempo Integral Joaquim Bastos Gonçalves, localizada na cidade de Carnaubal, a 346 km de Fortaleza, venceu o prêmio "Melhores Escolas do Mundo". A escola ganhou 50 mil dólares, aproximadamente R$ 250 mil.
Unidade de ensino cearense venceu na categoria “Apoiando vidas saudáveis”, com o projeto “Adote um Estudante”, ação voltada à saúde mental dos alunos. O prêmio foi criado pela T4 Education, apoiado pela Fundação Lemann, Accenture e American Express.
| Maristela Gláucia/Sistema Verdes Mares/Reprodução |
Ação iniciou durante o retorno ao modelo de aula presencial, após a pandemia de Covid-19. Os professores e diretores de turma observaram, em sala de aula, que muitos jovens enfrentavam problemas de saúde mental como ansiedade, depressão, baixa autoestima, dificuldades de comunicação e de socialização.
Para reverter o cenário, o professor de educação física Guilherme Barroso, que também atua como diretor de turma na instituição, sugeriu a criação de um projeto que trabalhasse com o apoio de psicólogos voluntários, de diversas partes do Brasil.
Pela ação, os profissionais oferecem atendimentos via Google Meet, possibilitando aos alunos receber assistência psicológica de forma individual. Além dessa vertente, o projeto também oferta atividades de esporte e oficinas de teatro, dança, pintura e crochê.
Outra escola brasileira reconhecida pela premiação internacional foi a Escola Municipal Professor Edson Pisani, de Belo Horizonte (MG), vencedora no novo prêmio Escolha da Comunidade. A escola obteve o maior número de votos entre todas as finalistas do Prêmio Melhores Escolas do Mundo em uma votação pública. Agora, ela integrará o novo programa “Melhor Escola para Trabalhar” da T4 Education, um mecanismo independente e baseado em evidências para certificar escolas por sua cultura e ajudá-las a transformar seu ambiente de trabalho para atrair e reter os melhores professores.
Além das brasileiras, também receberam prêmios a Institución Educativa Municipal Montessori sede San Francisco (Colômbia), na categoria “Ação Ambiental”; a Riverside School (Índia), na categoria “Inovação”; a Max Rayne Hand in Hand Jerusalem School (Israel), na categoria “Superação de Adversidades”; e a SPARK Soweto (África do Sul), na categoria “Colaboração Comunitária”. Cada uma delas também receberá o valor de US$ 50.000.
Premiação
O World’s Best School Prizes foi criado pela T4 Education e apoiado pela Fundação Lemann para compartilhar boas práticas que transformem a vida dos estudantes e façam diferença nas comunidades onde as escolas estão inseridas. Nesta edição, 108 países participaram do prêmio.
Criado em 2022, a competição abrange cinco categorias (ação ambiental; inovação; superação de adversidades; colaboração comunitária e apoiando vidas saudáveis).
Sobre as escolas
A EEMTI Joaquim Bastos Gonçalves, uma escola pública em Carnaubal, Ceará, Brasil, tem proporcionado uma “tábua de salvação” aos alunos que lutam para se reintegrar na sociedade desde a pandemia da COVID-19, mas também criou uma cultura de apoio e empatia em toda a comunidade escolar. Com uma queda de 67% em apenas 18 meses no número de alunos que necessitam de apoio social e emocional, o projeto “Adote um Aluno” da escola não só melhorou a vida dos alunos, como também aumentou a sensibilização para a importância da saúde mental na comunidade escolar e além dela.
Numa comunidade em que a violência e outros comportamentos emocionais se tornaram comuns entre os alunos, a escola tomou conhecimento de novas ansiedades que afetavam as crianças da comunidade logo quando a sociedade começou a abrir-se novamente após o fim do confinamento pandêmico. Na própria escola, cerca de 6% da população estudantil foi diagnosticada com problemas emocionais graves, incluindo automutilação.
Consequentemente, a escola desenvolveu o projeto "Adote um aluno" para identificar os alunos vulneráveis, prestar-lhes assistência de um psicólogo profissional, ajudar os alunos a trabalharem mais eficazmente suas competências socioemocionais nas salas de aula e educar a comunidade escolar sobre a importância da saúde mental.
A escola começou por apresentar o projeto aos pais e ao conselho diretivo local para ajudar a explicar os seus objetivos e aumentar o seu alcance. Em seguida, os alunos dirigem-se ao programa ou são encaminhados pelos pais ou professores. A partir daí, a escola inscreve-os no projeto. Devido à existência de um estigma associado à saúde mental na comunidade, alguns alunos resistem a entrar no programa, pelo que só podem, portanto, ser encorajados.
Do número inicial até o lançamento do projeto em setembro de 2021, menos de 10 alunos continuam a ser assistidos. Aqueles que receberam apoio relataram melhorias na sua autoestima e bem-estar geral, resultando num melhor desempenho acadêmico e num renovado sentido de esperança. O projeto também registrou um aumento do apoio e do envolvimento da comunidade.
A EEMTI Joaquim Bastos Gonçalves pretende usar os fundos do prêmio para expandir o seu projeto “Adote um Aluno” e prestar mais apoio aos alunos que lutam com problemas de saúde mental. A escola também planeja colaborar com outras escolas da região para promover uma cultura de saúde mental e bem-estar.
A EEMTI Joaquim Bastos Gonçalves pretende usar os fundos do prêmio para expandir seu projeto Adote um Aluno e fornecer mais apoio aos alunos que lutam com problemas de saúde mental. A escola também planeja colaborar com outras escolas da região para promover uma cultura de saúde mental e bem-estar.
Foi escolhida como a vencedora do Prêmio Melhor Escola do Mundo 2023 na categoria “Apoiando Vidas Saudáveis” entre as três finalistas do prêmio, que também incluiu a IMG Academy (EUA) e a Cardiff Sixth Form College (Reino Unido).
A Escola Municipal Professor Edson Pisani, uma escola pública de educação infantil, ensino fundamental e alfabetização de adultos em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, tem sido há muito tempo um motor de transformação e defesa dos direitos de seus alunos e do Aglomerado da Serra, uma das maiores e mais antigas favelas do Brasil. Com a sua capacidade de mobilizar alunos, famílias e vizinhos, e de se coordenar com o governo e com os líderes locais inúmeras vezes para educar, discutir e propor ações de melhoria na área, a escola é uma voz comprovada para a mudança, promovendo práticas de vida sustentáveis, reduzindo o lixo e melhorando a qualidade de vida da comunidade.
Por mais de 100 anos, a favela do Aglomerado da Serra viveu sem a garantia de direitos básicos, como água tratada, saneamento básico e transporte. No início dos anos 2000, a favela recebeu diversas obras públicas estruturantes do programa Vila Viva, que incluiu uma nova via dividindo o Aglomerado da Serra. Em 2013, o programa propôs uma segunda fase, que incluía o alargamento da rua onde a escola está localizada e o deslocamento de muitas famílias.
Para que os arquitetos e engenheiros do projeto participassem das reuniões comunitárias e, assim, tivessem acesso às informações do projeto, a Escola Municipal Professor Edson Pisani rapidamente organizou a comunidade, reuniu assinaturas e, em seguida, fez uma parceria com as Faculdades de Arquitetura e Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com isso, muitas famílias não foram removidas.
Entretanto, o programa Vila Viva havia deixado entulhos por toda a comunidade, criando áreas perigosas e provocando o aumento de lixo, pragas e doenças. Também criou um problema em torno das fontes de água da comunidade. Mais uma vez, a escola, em parceria com a Escola de Arquitetura da UFMG, criou o Projeto Água na Cidade, que estudou os problemas hídricos e mapeou os pontos de água.
As obras abriram uma avenida de duas faixas, que permitiria finalmente a entrada de um ônibus na favela. Mais preocupado com os carros dos bairros ricos, o município recusou-se a criar a linha de ônibus. A escola, então, em parceria com o movimento Tarifa Zero, mobilizou a comunidade, organizou reuniões, coletou mais de 4.000 assinaturas e realizou inúmeras outras ações para pressionar a prefeitura. Após dois anos de luta, foi criada a linha de ônibus que liga a favela ao metrô, gerando mais acesso à saúde, educação e emprego, garantindo o direito de ir e vir da população favelada.
Fonte: G1 e assessoria de imprensa
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