Finalmente terminei (por pura falta de tempo) a série brasileira mais falada do momento: DNA DO CRIME, disponível na Netflix e que tem a assinatura de Heitor Dhalia, responsável por um dos grandes filmes do cinema nacional - O CHEIRO DO RALO, de 2006. Ele é também expert em cenas de ação ao estilo de Hollywood, pois já teve várias experiências lá desde 2012.
E é realmente o que a série tem melhor: as incríveis cenas de ação, em se tratando de uma produção tupiniquim. Mesmo com curto orçamento, Dhalia pensa grande, com drones 4K filmando o Brasil e o Paraguai de cima, com direito a cenas de perseguição, carros capotados e incendiados, tiroteios e prédios explodindo. É o que de melhor temos, nos últimos lançamentos de produções com temática policial na América Latina - com certeza.
Bernardo Barcellos e Bruno Passeri assinam o elenco, a segunda melhor coisa da série, já que se inspira em fatos e personagens reais, mas colocando-os em um contexto bem amarrado e recheado de sequências intrigantes e bem desenvolvidas. Os personagens são bons e seus conflitos e destinos igualmente também são interessantes em sua maioria, com exceção de alguns clichês.
Todo mundo está adorando DNA DO CRIME, mas eu vou ter que ser o chato para dizer que, infelizmente, o Brasil tem um sério problema em sua escola de atores mais recente. E isso fica visível nessa produção, pois muitas vezes não passam credibilidade nas palavras e atos que estão desempenhando. O compromisso principal recai sobre o casal protagonista - Rômulo Braga e Maeve Jinkings, - que têm a faca e o queijo na mão para brilharem na tela, mas infelizmente derrapam demais na artificialidade. O destaque para mim, é Thomás Aquino, que esteve em DESERTO PARTICULAR (2021), e encarna magistralmente o vilão "Sem Alma", interpretando o matador transtornado que se divide entre a religiosidade e a fúria assassina. É sensacional. Dá medo.
Outros atores e personagens também são bons, mas escorregam nos diálogos fáceis e previsíveis - quase tão repetitivos como das séries e filmes policiais americanos. Aí talvez seja a má influência de Dhalia.
Mas a série vale muito a pena. Nota 8
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Renato Martins, jornalista, radialista, cinéfilo e professor, editor da Rede #AtitudePositiva e criador do projeto mulimídia #CenadeCinema.
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