Não cheguei nem mesmo ao final da primeira temporada completa de A CASA DE PAPEL. Confesso que parei lá pelo quarto ou quinto episódio por falta de ânimo e depois, outras produções sobrepujaram a elogiada série espanhola. E até me esqueci dela.
Passam-se seis anos.
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Sei lá por que, mas resolvi embarcar no “spin off” que leva o nome de um dos personagens da série original, BERLIM. São mais oito episódios dos mesmos criadores de A CASA DE PAPEL, Álex Pina e Esther Martínez Lobato. Queria me divertir e não ver nada muito rebuscado ou profundo (depois de ter remado para conseguir terminar MAESTRO, um filme lindo mas chato para dedéu). E foi exatamente o que ganhei: diversão.
A mistura certeira da trama de um grande golpe - que já virou um gênero no cinema - com os assuntos pessoais e principalmente amorosos dos personagens, tanto principais como coadjuvantes, é o grande trunfo do sucesso de BERLIM. Tanto que neste momento a série é TOP 1 no ranking da Netflix em vários países do mundo. Exímio golpista, mas machucado no amor, assim é o bandidão do título (o ótimo Pedro Alonso), que comanda toda a quadrilha espanhola de ladrões e ainda arranja tempo para curar as feridas de um fim de uma relação, se apaixonar pela mulher do principal alvo vigiado por ele e ainda passear pelas ruas de Paris.
Aliás, um pequeno parênteses sobre a capital francesa, que é tão usada para filmagens por tantas produções: esta série explora como poucas a beleza parisiense. O Sacré Cœur e a Torre Eiffel aparecem muito pouco, mas o que se destaca são alguns ângulos diferentes de ruelas, prédios maravilhosos, cafés, carros, motos, bicicletas, vistas aéreas, tudo muito bem captado e por vezes com enquadramentos tão eficientes e reveladores que dão vontade de fazer um carnê de dez prestações e pegar o avião para ir até lá. Mais uma vez.
BERLIM é acima da média como diversão, mas nada que ficará em nossas memórias como Charles Chaplin, Jerry Lewis ou Jacques Tati, contudo, nos entreterá enquanto estivermos passando episódio por episódio. Além da original A CASA DE PAPEL, lembrou-me também da recente CALEIDOCÓSPIO, na qual também havia um engenhoso plano de roubar um cofre e todos os personagens tinham suas implicações particulares, além de um líder marcante mas com seus problemas do passado. Normalmente, se não é amor, é vingança. Ou os dois.
Os personagens são bons e os atores eficientes. O melhor, a meu ver, é Tristán Ulloa, que vimos em A GAROTA DA FITA, série de 2023 também da Netflix e LÚCIA E O SEXO, filme de 2001. O ator interpreta Damián, o cérebro operacional do golpe, braço direito de Berlim. A relação entre os dois é um dos pontos altos do roteiro, que é outro ponto forte: com desdobramentos inimagináveis na história, e mesmo apresentando situações surreais e nada plausíveis, contém sequências com uma grande dose de divertimento.
Depois de ver toda esta temporada (será a única?), é que me lembrei que Berlim era integrante do grupo de ladrões da série original e era irmão do "Professor". Há também a participação de Itziar Ituño, a mesma inspetora de polícia de A CASA DE PAPEL. Ah, e todos os fatos de BERLIM são passados anos antes, transformando portanto este lançamento no que o mercado gosta de chamar de "prequel".
Mas isso não fez diferença nenhuma para mim. O que mostra o valor da produção: ela se mantém em pé sozinha todo o tempo, sem praticamente necessitar das referências à obra anterior, de onde se ramificou. Belo passatempo.
NOTA 8
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Renato Martins, jornalista, radialista, cinéfilo e professor, editor da Rede #AtitudePositiva e criador do projeto mulimídia #CenadeCinema.
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