Isaquias Queiroz conquistou nesta sexta-feira a medalha de prata na final da canoagem de velocidade dos Jogos Olímpicos de Paris. Atleta brasileiro disputou a C1 1000m e chegou à marca de cinco premiações em Olimpíadas. O tempo de prova ficou em 3min44s33.
Queiroz já tem um ouro e duas pratas (Rio 2016 e Paris 2024) na prova, além da prata do C-2 1000m e bronze do C-1 200m, na Rio 2016. Ele empatou com Robert Scheidt e Torben Grael como os atletas masculinos com mais medalhas, com cinco cada. A ginasta Rebeca Andrade permanece soberana com seis medalhas em Jogos Olímpicos.
| Alexandre Loureiro/COB |
A exemplo da semifinal, no começo do dia, Isaquias se manteve em ritmo mais lento no início da prova. Nos primeiros metros, ficou no terceiro lugar, mas depois, já na primeira metade do percurso, caiu para a quinta colocação, atrás de Martin Fuksa e Zakhar Petrov, até então líder e vice-líder da disputa.
Um de seus principais inimigos na prova era o alemão Sebastian Brendel, mas que não teve um bom desempenho. O atleta europeu acabou ficando fora da briga por medalhas.
A partir daí, na reta final da disputa, quando faltavam menos de 300 metros, Isaquias elevou o ritmo e começou a se aproximar de Petrov até que assumiu a segunda colocação a poucos metros do fim.
O primeiro colocado da prova foi o representante da República Tcheca Martin Fuksa. O tcheco, desde o início da final, colocou um ritmo fortíssimo no percurso, não sendo alcançado por outros adversários. O bronze ficou com Serghei Tarnovschi, de República de Moldova, com tempo de 3min44s68, repetindo o feito de Tóquio 2020, e se tornando o primeiro atleta de seu país a conquistar duas medalhas em Jogos Olímpicos.
De Ubaitaba a Paris
Isaquias nasceu na “cidade das canoas”, significado em tupi-guarani de Ubaitaba, na Bahia. O local de nascimento já predestinava o que o canoísta viria a conquistar remando em uma canoa, mas não sem antes superar alguns obstáculos.
O menino cresceu numa família humilde, ao lado de nove irmãos. O pai faleceu quando o campeão Olímpico ainda era criança e a mãe, Dona Dilma, sustentava a casa como servente na rodoviária da cidade.
Com apenas três anos de idade, uma panela de água fervente virou sobre Isaquias, que ficou um mês internado, com queimaduras em diversas partes do corpo. Sem se recuperar a ponto de conseguir alta do hospital, Dona Dilma assinou um termo de responsabilidade, o levou para casa e cuidou dele até a recuperação.
Aos 10 anos, Isaquias subiu em uma mangueira para ver uma cobra morta, se desequilibrou e caiu de costas em cima de uma pedra. A pancada provocou uma lesão séria no rim, com hemorragia interna, que o levou a uma cirurgia para retirada do órgão. O incidente gerou o apelido de “Sem Rim” ao, agora, cinco vezes medalhista olímpico. Isaquias costuma brincar que "perdeu um rim, mas ganhou um terceiro pulmão".
Pouco tempo depois, a canoagem entrou na vida do garoto. Isaquias começou a participar do projeto Segundo Tempo, que oferecia prática esportiva para crianças e adolescentes de Ubaitaba. O goleiro Isaquias queria o futebol, mas a canoagem velocidade dominou o coração do menino, inspirado por outro filho ilustre da “cidade das canoas”, Jefferson Lacerda, pioneiro da modalidade no Brasil, que competiu em Barcelona 1992, na primeira vez que canoístas brasileiros estiveram nos Jogos.
Fonte: Correio do Povo
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