Cinquenta e cinco empresas, incluindo Natura, Nestlé, Itaú e Unilever, integrantes do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), aderiram a uma Chamada à Ação em apoio a NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) mais ambiciosas. O documento sugere políticas de implementação mais claras, incentivo a investimentos e maior participação do setor privado, além de apresentar demandas específicas para a NDC brasileira. A declaração também incentiva as empresas a fortalecerem seus compromissos com planos de transição corporativa ousados, estabelecendo metas concretas e investindo para alcançar objetivos climáticos e de preservação ambiental ambiciosos.
| Reprodução |
Lançada pelo CEBDS durante a Semana do Clima em Nova York, a Chamada à Ação será debatida com autoridades do governo brasileiro. A iniciativa das empresas brasileiras apoia um movimento global por NDCs que promovam maior investimento e é respaldada pelo CEBDS em colaboração com o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e a Coalizão We Mean Business (WMBC).
"Como presidente do G20 e anfitrião da COP 30, o Brasil deve liderar os esforços em direção a uma ambição climática global. Precisamos agir agora para estruturar políticas como o Plano de Transformação Ecológica, o Plano Clima, o Mercado de Carbono Regulado e a Política Nacional de Transição Energética, garantindo que estejam alinhadas com a próxima NDC", diz Marina Grossi, presidente do CEBDS.
Peter Bakker, presidente do WBCSD, afirma que os governos devem usar as NDCs para fomentar inovação e investimento. "Governos e empresas precisam trabalhar juntos para preencher a lacuna de implementação e entregar NDCs e planos de transição corporativa. Com políticas ousadas e inovação empresarial, podemos promover mudanças positivas para as pessoas e o planeta. Através de nossa parceria com o CEBDS, esperamos colaborar para fortalecer a ação pública e privada em direção à COP30", afirma Bakker.
María Mendiluce, CEO da WMBC, também ressalta a importância das novas NDCs: "A mensagem da comunidade empresarial e dos investidores é clara: para que as NDCs atraiam os investimentos necessários, elas devem contar com estruturas políticas consistentes. As novas NDCs representam uma oportunidade para todos os governos incentivarem o investimento do setor privado em economias resilientes ao clima, alinhadas a um futuro com emissões líquidas zero e positivas para a natureza."
O relatório Global Stocktake (GST), avaliação global da ONU que monitora a implementação dos objetivos de longo prazo do Acordo de Paris, aponta que as atuais NDCs, mesmo implementadas, não atingem a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. A proposta atual do Brasil é reduzir as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) em 48% até 2025 e 53% até 2030, comparado aos níveis de 2005. Novas metas deverão ser submetidas até fevereiro de 2025.
Apenas 13% das NDCs atualizadas em 2021 mencionaram a participação do setor privado. Os membros do CEBDS acreditam que a próxima rodada de NDCs é uma oportunidade única para as empresas colaborarem com os governos na criação de planos sólidos e viáveis. O CEBDS defende políticas e um ambiente regulatório que garantam estabilidade e previsibilidade, inspirando o setor empresarial a investir cada vez mais em iniciativas climáticas e de preservação ambiental, promovendo uma transição justa para uma economia de baixo carbono.
| CEBDS/Divulgação |
As empresas signatárias incluem Accenture, Acciona, Grupo Águas do Brasil, Alcoa, Allos, Amaggi, Approach Comunicação, Arcadis, Arezzo & CO, B3, Banco da Amazônia, Bracell, Bradesco, Braskem, CCR, CEMIG, CMPC, Diageo, Eneva, Engie, Equinor, ERM, FS, Globo, Grupo Report, GS Inima, Helexia, ICare, Iguá, Itaú, JBS, Lwart, Marfrig, Michelin, Natura, Neoenergia, Nestlé, New Wave, Norflor, Nutrien, Patri, Renner, Samauma, Santander, Schneider Electric, Siemens Energy, Siemens, Suzano, Syngenta, Tim, Tozzini Freire, Unilever, Vale, Vivo e Yara.
Confira o documento completo neste link.
Comentários