Os quatro astronautas que fizeram história ao alcançar a órbita da Lua pela primeira vez em mais de meio século retornaram à Terra nesta sexta-feira (10). A missão de dez dias da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, sobrevoou o satélite natural - sem pousar - e se tornou a primeira viagem tripulada a atingir a órbita lunar desde 1972.
Veja os detalhes dessa missão histórica neste post.
A aterrissagem contou com onze enormes paraquedas, antes que a Marinha dos EUA buscasse a tripulação e os levasse de volta à terra firme. O navio de resgate USS John P. Murtha aguardava a sua chegada, assim como um esquadrão de aviões militares e helicópteros.
Segundo a Nasa, a tripulação percorreu um total de 694.481 milhas, o equivalente a cerca de 1.117.659 quilômetros. A aproximação à Lua levou os astronautas mais longe do que qualquer ser humano jamais havia chegado, superando o recorde de distância anterior estabelecido pela Apollo 13 em 1970.
"Os Estados Unidos voltaram a enviar astronautas à Lua e a trazê-los de volta em segurança", afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, sobre a missão.
Por sua vez, o presidente Donald Trump parabenizou a tripulação, que deverá visitar em breve a Casa Branca. Ele antecipou que o seu governo continuará impulsionando a exploração espacial. "Faremos de novo e, depois, próximo passo, Marte", disse o republicano.
Mais de 30 vezes a velocidade do som
O pouso exigiu uma manobra tão crítica quanto o lançamento. A previsão era de uma queda a velocidade 45 vezes maior do que a de um avião, com temperaturas a quase metade das da superfície do Sol.
A bordo da Cápsula Orion, Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen não apenas sentiram o peso deles multiplicado por quatro durante a queda, mas também enfrentaram temperaturas extremas de cerca de 2.700 °C, depositando sua segurança no escudo térmico da nave, outro dos testes decisivos da missão Artemis 2.
"Pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo", disse Glover em vídeo antes da operação de reentrada. No momento em que atingissem a atmosfera, eles viajariam a 32 vezes a velocidade do som, um feito inédito desde as missões Apollo da Nasa às Luas nas décadas de 1960 e 1970.
A Cápsula Orion é totalmente autônoma, não exigindo controle manual dos astronautas, exceto em caso de emergência.
Manobra de "alto risco"
O engenheiro espanhol Carlos García-Galán, responsável pelo programa Moon Base da Nasa, explicou que o lançamento e a decolagem são as manobras de maior risco.
Ele destacou que o retorno permite atingir a velocidade necessária para testar o escudo térmico que protege os astronautas das "temperaturas extremamente altas geradas pelo atrito com a atmosfera ao entrar na Terra".
"Só podemos alcançar esta velocidade se formos em direção à Lua", acrescentou ele à agência EFE.
Durante um voo de teste, ocorreram problemas com o escudo térmico. Em consequência, a Nasa optou por uma rota diferente para a reentrada na atmosfera.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, chegou a afirmar que não ficaria tranquilo até que os quatro tripulantes retornem para suas famílias.
"Vou ser honesto e dizer que, na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando nos designaram essa missão", disse à imprensa Rick Henfling, diretor de Voo para o Retorno da Artemis.
Recorde de distância da Terra
Depois de decolar da Flórida em 1º de abril, os astronautas acumularam uma conquista após a outra ao conduzirem com destreza o tão esperado retorno lunar da Nasa, o primeiro grande passo para o estabelecimento de uma base lunar sustentável.
Na cena mais comovente da missão, os astronautas, com lágrimas nos olhos, pediram permissão para batizar duas crateras com os nomes da nave lunar e da falecida esposa de Wiseman, Carroll.
Durante a aproximação recorde, eles documentaram cenas do lado oculto da Lua e apreciaram um eclipse solar total, uma cortesia do cosmos graças à data de lançamento. O eclipse, em particular, "simplesmente nos deixou boquiabertos", disse Glover.
Problemas a bordo
No entanto, a viagem não ocorreu sem problemas técnicos. Tanto o sistema de água potável quanto o de propulsão da cápsula enfrentaram percalços com as válvulas. O contratempo mais notável foi no banheiro, o que impediu a tripulação de usá-lo durante a maior parte da viagem, forçando os astronautas a recorrer a sacolas plásticas e funis.
Mas isso não preocupou os astronautas. "Não podemos explorar mais a fundo a menos que façamos algumas coisas que sejam inconvenientes", disse Koch, "a menos que façamos alguns sacrifícios, a menos que assumamos alguns riscos, e tudo isso vale a pena."
Em 2027, a missão Artemis 3 prevê a acoplagem da cápsula a um ou dois módulos de pouso lunar em órbita ao redor da Terra. Já a Artemis 4 tentará pousar uma tripulação de dois astronautas perto do polo sul da Lua em 2028.
Principais Legados da Missão Artemis II:
- Validação do Sistema de Suporte de Vida (ECLSS): Ao contrário da missão não tripulada Artemis I, a Artemis II demonstrou com sucesso os sistemas de suporte de vida da cápsula Orion com quatro astronautas a bordo, garantindo que o ambiente interno seja seguro para viagens longas.
- Retorno Humano ao Espaço Profundo: A tripulação viajou mais longe no espaço do que qualquer ser humano na história, superando o recorde da Apollo 13, estabelecendo uma nova marca para a exploração humana.
- Testes Críticos de Reentrada: O sucesso na reentrada da cápsula Orion na atmosfera terrestre a cerca de \(40.000\text{ km/h}\), suportando o calor intenso, valida o escudo térmico para futuras tripulações.
- Tecnologia para Marte: A missão é um passo fundamental para testar os sistemas necessários para enviar humanos a Marte, refinando tecnologias de navegação, comunicação e sobrevivência.
- Cooperação Internacional e Diversidade: A missão reforça a colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Canadense, além de incluir na tripulação a primeira mulher (Christina Koch) e o primeiro homem negro (Victor Glover) a orbitar a Lua, representando um legado de inclusão na exploração espacial.
- Inspirar uma Nova Geração: A missão reacende o interesse global pela exploração da Lua e o desenvolvimento de novas tecnologias aplicáveis na Terra.
Fonte: Terra, Agências e Redação AP com auxílio de pesquisa em IA
Fotos: NASA
Quer boas notícias todos os dias? E também receber conteúdo de qualidade com o nosso jornalismo de soluções? E ainda, estar atualizado com informações de serviço que ajudam na sua vida, saúde, comportamento e até mesmo sua vida financeira?
E inscreva-se também no Canal de YouTube do nosso editor, o Canal do Renato Martins.
Comentários