Chegar aos 50 anos costuma provocar uma sensação contraditória em muitas mulheres. Ao mesmo tempo em que existe mais maturidade e experiência, o corpo passa a funcionar de outra maneira. O sono muda, o cansaço aumenta, a memória parece menos ágil e o metabolismo desacelera.
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De repente, hábitos que funcionavam aos 30 já não produzem o mesmo resultado. Grande parte dessas transformações está ligada ao climatério e à menopausa, fases marcadas pela redução do estrogênio, principal hormônio do organismo feminino.
Embora as mudanças hormonais sejam inevitáveis, a forma como a mulher atravessa essa etapa depende muito do estilo de vida, e a boa notícia é que não é preciso promover uma revolução na rotina para envelhecer melhor. Pequenos ajustes no dia a dia, quando mantidos de forma consistente, têm impacto direto na saúde física, mental e emocional.
Conheça seis deles:
1. Praticar mais exercícios físicos
Depois dos 30 anos, homens e mulheres começam a perder massa muscular gradualmente. Após a menopausa, esse processo acelera e as consequências não aparecem apenas no espelho.
Os músculos funcionam como uma reserva de proteção para o futuro — são eles que garantem força, equilíbrio, mobilidade e independência. Levantar da cadeira sem dificuldade, carregar compras, subir escadas e evitar quedas dependem diretamente da preservação muscular.
Por isso, os exercícios de força passam a ter papel central. Musculação, pilates, treinos com elástico ou exercícios usando o peso do próprio corpo ajudam a proteger músculos e ossos. Para quem tem rotina corrida, pequenas mudanças já ajudam:
- Trocar o elevador pela escada;
- Descer um ponto antes do destino no trajeto do ônibus;
- Caminhar pequenas distâncias ao longo do dia;
- Levantar com frequência durante o expediente do trabalho.
2. Priorizar o sono
Muitas mulheres chegam aos 50 sem perceber o quanto o sono interfere no funcionamento do organismo. Isso costuma mudar quando começam a dormir mal. Durante o climatério, é comum surgirem insônia, despertares frequentes e dificuldade para voltar a dormir. Em muitos casos, os fogachos (ondas repentinas de calor) interrompem o descanso várias vezes durante a madrugada.
Quando isso acontece, o corpo deixa de completar adequadamente as fases profundas do sono. O resultado aparece no dia seguinte: irritação, dificuldade de concentração, esquecimentos, desânimo e sensação constante de cansaço. Existe uma relação direta entre sono ruim, ansiedade e alterações de humor, já que um problema acaba alimentando o outro.
Por isso, criar uma rotina noturna saudável se torna essencial. Uma das principais recomendações para melhorar o sono é reduzir o uso do celular antes de dormir. A luz das telas interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por avisar ao cérebro que está na hora de descansar. Além disso, redes sociais, vídeos e mensagens mantêm o cérebro em estado de alerta justamente no momento em que ele deveria desacelerar.
Para atingir uma melhor noite de sono, recomenda-se aplicar a chamada higiene do sono próxima do horário de deitar para dormir. Essas boas práticas incluem:
- Diminuir as luzes da casa;
- Evitar telas por pelo menos uma ou duas horas antes de dormir;
- Manter horários regulares;
- Reduzir cafeína no fim do dia;
- Deixar o quarto silencioso e confortável.
3. Evitar estresse e ansiedade
Os fogachos não aparecem isoladamente. Muitas vezes, vêm acompanhados de ansiedade, irritação e alterações emocionais. Situações de estresse podem intensificar os sintomas. Por isso, técnicas de relaxamento passaram a ocupar espaço importante nos cuidados com a saúde feminina nessa fase.
Práticas como ioga, meditação e mindfulness ajudam a reduzir a ativação do organismo e melhoram a qualidade do sono. O mindfulness, por exemplo, consiste em treinar a atenção para permanecer focada no presente. Parece simples, mas exige prática, principalmente para pessoas aceleradas.
A indicação é começar de forma realista: um minuto de respiração consciente já pode trazer benefícios. Inspirar profundamente e soltar o ar mais lentamente ajuda o corpo a ativar mecanismos naturais de relaxamento.
4. Adotar uma alimentação saudável
Depois dos 50, a alimentação passa a influenciar diretamente na disposição, na qualidade do sono, no funcionamento intestinal e no controle dos sintomas da menopausa. A recomendação mais comum é priorizar alimentos naturais e reduzir produtos ultraprocessados. Uma estratégia simples é reorganizar o prato, deixando-o metade com verduras e legumes, uma parte com fontes proteicas e a outra com alimentos ricos em carboidratos.
O padrão alimentar mais indicado costuma seguir o modelo da Dieta Mediterrânea, baseada em vegetais, frutas, azeite, grãos e carnes magras, como peixes.
5. Zelar pelas relações sociais
Envelhecer bem não depende apenas do corpo. A saúde emocional ganha ainda mais importância depois dos 50. Muitas mulheres vivem mudanças importantes nessa fase: filhos saindo de casa, pais envelhecendo, alterações no casamento, aposentadoria e sensação de perda de identidade.
Por isso, manter vínculos sociais e formar uma rede de apoio funciona como fator de proteção emocional. Participar de grupos, fazer atividades coletivas, cultivar amizades e manter contato com outras pessoas ajuda a reduzir isolamento, ansiedade e tristeza.
6. Fazer reposição hormonal (quando indicada)
Apesar de ainda ser cercada de mitos, especialistas defendem que a terapia hormonal pode ser uma aliada importante para mulheres que tenham queixas e se enquadrem nos grupos aptos a recebê-la. Entre os possíveis benefícios estão:
- Redução dos fogachos;
- Melhora do sono;
- Preservação óssea;
- Melhora da lubrificação vaginal;
- Melhora da disposição.
Contudo, a reposição não é indicada para todas as mulheres, nem funciona sozinha. Sem atividade física, alimentação equilibrada e sono adequado, os resultados tendem a ser limitados.
Fonte: Correio do Povo
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