Taxistas e motoristas de aplicativo aprovados no programa Move Brasil Táxi e Aplicativos podem procurar instituições financeiras para financiar um carro zero-quilômetro (0km) com juro menor a partir desta sexta-feira (19).
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O programa contempla condutores de qualquer plataforma, como Uber e 99. A exigência é ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e ter feito ao menos 100 corridas nesse período.
No caso dos taxistas, é preciso estar com a licença e o registro em dia nos órgãos de trânsito, além de manter a regularidade fiscal.
Motoristas cooperados também podem aderir. Cada beneficiário consegue financiar apenas um veículo.
Como fazer o cadastro? Veja o passo a passo
- O primeiro passo é criar um cadastro na plataforma do governo, neste link.
- Durante o processo, o interessado deve informar se atua como taxista, motorista da 99 e/ou motorista da Uber, ler e aceitar o termo de consentimento e clicar em "Solicitar adesão".
- No caso dos motoristas de aplicativo, o governo verificará diretamente com a plataforma se o profissional atende aos requisitos do programa.
- Para os taxistas, a checagem é por meio da Receita Federal. Nessa modalidade, é necessário autorizar o órgão a compartilhar com as instituições financeiras a confirmação do registro profissional e a habilitação para as condições especiais de financiamento.
- A resposta sobre a aprovação será enviada pela caixa postal do gov.br e também por mensagem de WhatsApp.
O acompanhamento da solicitação pode ser feito pela própria plataforma, na opção "Voltar ao acompanhamento".
Com a adesão aprovada, o motorista poderá procurar uma concessionária ou uma instituição financeira credenciada ao BNDES para escolher o veículo, passar pela análise de crédito e contratar o financiamento.
As operações precisam ser concluídas até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa.
Quais carros entram no Move Brasil?
Para ser financiado, o veículo precisa cumprir quatro condições: custar até R$ 150 mil; ser flex, elétrico ou híbrido flex (modelos híbridos movidos apenas a gasolina ficam de fora); ser zero-quilômetro, já que usados não entram; e ser de uma montadora habilitada no programa Mover.
Veja a seguir os modelos que se enquadram nesses critérios:
- Hatches (carros menores, com porta-malas integrado à cabine)
- BYD Dolphin
- BYD Dolphin Mini
- Chevrolet Onix
- Citroën C3
- Citroën Aircross
- Fiat Argo
- Fiat Mobi
- Honda City Hatch
- Hyundai HB20
- Peugeot 208
- Renault Kwid
- Sedãs (carros com porta-malas separado da cabine)
- Chevrolet Onix Plus
- Fiat Cronos
- Honda City Sedan
- Hyundai HB20S
- Nissan Versa
- Volkswagen Virtus
- SUVs (veículos mais alto e com visual robusto)
- Chevrolet Spin
- Chevrolet Sonic
- Chevrolet Tracker
- Citroën Basalt
- Fiat Fastback
- Fiat Pulse
- Renault Duster
- Jeep Renegade
- Nissan Kait
- Volkswagen Nivus
- Renault Kardian
- Volkswagen T-Cross
- Honda WR-V
O que é o Move Brasil
O Move Brasil Táxi e Aplicativos, também chamado de Move Aplicativos, foi criado por medida provisória que destina uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para baratear o financiamento de carros novos voltados a taxistas, motoristas de aplicativo e cooperativas de táxi. O teto é de R$ 150 mil por veículo, que precisa ser zero-quilômetro.
Os recursos saem do Tesouro Nacional e são repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A função do dinheiro público é cobrir a diferença entre o juro de mercado e as taxas mais baixas oferecidas pelo programa.
Quanto fica o juro?
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, as taxas devem ser de 12,6% ao ano (0,99% ao mês) para homens e 11,5% ao ano (0,91% ao mês) para mulheres.
As duas taxas ficam abaixo da Selic, a taxa básica de juro, hoje em 14,25% ao ano. O prazo de pagamento pode chegar a 72 meses, com seis meses de carência antes da primeira parcela.
As mulheres têm ainda uma condição extra: podem incluir itens de segurança no valor financiado, limitados a 10% do total do contrato.
Como aumentar a chance de aprovação
A condição facilitada, no entanto, esbarra em uma etapa que não está nas mãos do governo: a análise de crédito de cada banco parceiro.
Ter o cadastro aprovado não garante o carro na garagem, porque quem decide se concede o crédito é o banco, que faz uma avaliação de risco própria para cada candidato.
Como o trabalho de motorista de aplicativo e de taxista costuma ter renda variável e comprovação menos formal do que a de um assalariado com carteira assinada, a preparação faz diferença no resultado.
Para o planejador financeiro Adriano Severo, da Severo Capital, boa parte das negativas poderia ser evitada com organização antes do pedido.
— A pessoa acaba não se organizando e simplesmente faz o pedido, sem uma avaliação prévia da própria situação e do histórico — afirma Severo.
O especialista lista oito pontos que ajudam a aumentar as chances de aprovação:
- Situação do CPF
- Score de crédito
- Valor de entrada
- Movimentação financeira
- Comprometimento da renda
- Veículo compatível
- Uso da carência
- Evite os erros mais comuns
- Situação do CPF e score de crédito
O primeiro passo, segundo o planejador, é verificar se há alguma restrição no CPF antes de procurar o banco. Quem está com o nome negativado tende a ter o pedido recusado, mesmo com a garantia parcial oferecida pelo governo.
A recomendação é regularizar pendências antes de dar entrada no processo. Em muitos casos, segundo o especialista, basta negociar a dívida para destravar a análise.
O score também funciona como um dos principais termômetros usados pelas instituições para medir o risco de inadimplência de cada consumidor.
De forma geral, quanto melhor for o histórico de pagamentos e menor a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta, com possibilidade de condições e taxas melhores.
Junte a maior entrada possível
Um valor de entrada mais alto pesa a favor em dois sentidos: aumenta a chance de aprovação e reduz o custo total do financiamento, já que o juro incide sobre o montante financiado.
— Quanto maior for o valor da entrada, maior é a chance de ser aprovado. E a pessoa ainda acaba pagando menos juro, porque eles incidem sobre o valor financiado — detalha o planejador.
Na prática, há diferença relevante entre dar 30% e 50% de entrada, tanto na análise do banco quanto no tamanho da parcela.
Por se tratar de trabalho autônomo, não existe contracheque ou holerite tradicional, mas isso não impede o acesso ao Move Brasil.
Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para agilizar a análise de crédito, vale reunir:
- Declaração do Imposto de Renda
- Extratos bancários recentes
- Histórico completo de movimentação da conta corrente
- Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo
Procurar o banco em que o motorista já tem conta também tende a facilitar, porque a instituição já dispõe do histórico de movimentação. Quanto mais organizada a documentação, mais rápida costuma ser a análise feita pela mesa de crédito.
Comprometimento da renda
A renda não pode estar, em grande parte, comprometida com outras dívidas. Se já houver um endividamento elevado, o pedido pode ser recusado, porque o banco soma o novo financiamento ao que já existe e avalia o peso total sobre o orçamento.
O especialista observa que nem todo gasto pesa da mesma forma nessa conta.
— Por mais que a pessoa tenha um aluguel fixo, isso não aparece tanto na análise, porque é um gasto que ela sempre vai ter. Já o comprometimento com parcelas e empréstimos, isso sim vai aparecer — pondera Severo.
Escolha um veículo compatível e use a carência a seu favor
A tentação de aproveitar o teto de R$ 150 mil pode atrapalhar. Se a renda declarada não for compatível com o valor solicitado, a proposta tende a ser barrada.
Além disso, um carro mais caro encarece a manutenção, despesa que pesa no dia a dia de quem roda para trabalhar. A orientação é dimensionar o pedido à realidade financeira, e não ao limite do programa.
O financiamento do Move Brasil prevê seis meses de carência antes da primeira parcela. O juro, porém, continua correndo nesse período. Por isso, o planejador sugere usar o intervalo para acumular reserva.
— Como vai ter seis meses de carência, é interessante que a pessoa junte esse valor para, quando começar a pagar, já ter a quantia acumulada — recomenda.
Evite os erros mais comuns
Muitas negativas acontecem por falhas que poderiam ser resolvidas ainda na fase de planejamento, como uma dívida antiga e de valor baixo que a pessoa nem lembrava ter. Entre os motivos de reprovação mais apontados pelo mercado estão:
- Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo
- Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas
- Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas
- Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes
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