Oficiais de Justiça definem novas frentes para fortalecimento da proteção às mulheres no RS

Os oficiais de Justiça do TJRS, por meio da Associação dos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul (Abojeris), definiram duas novas frentes de atuação a partir do encontro “Diálogos sobre Feminicídio e Proteção às Mulheres – O que precisa mudar para a proteção chegar antes?”, realizado no dia 19 de junho, em Porto Alegre.

GAI Midia


A primeira é buscar uma atuação mais integrada com as redes de apoio dos municípios, aproximando o trabalho dos oficiais de Justiça dos serviços locais que acompanham mulheres em situação de violência. O objetivo é fortalecer a comunicação, qualificar os fluxos de proteção e contribuir para que as medidas protetivas determinadas pelo Judiciário tenham maior efetividade na vida das vítimas.

A segunda é aproximar a Abojeris do trabalho coordenado pela professora Mariana Boeckel, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que desenvolve estudos e intervenções com homens autores de violência, com foco em masculinidades, responsabilização e prevenção de novas agressões.

Para a Abojeris, os dois encaminhamentos se complementam. De um lado, é preciso fortalecer a rede que acolhe, acompanha e protege as mulheres. De outro, é necessário enfrentar também os padrões de comportamento que produzem e reproduzem a violência. A compreensão que orienta a entidade é direta: se o homem é parte do problema, precisa também ser chamado à responsabilidade como parte da solução.

Os oficiais de Justiça têm papel direto na efetivação das medidas protetivas determinadas pelo Judiciário. São esses profissionais que, muitas vezes, vão até a vítima para garantir que a decisão judicial produza efeito, seja por meio da comunicação da medida, do afastamento do agressor, ou de outros atos necessários à proteção da mulher em risco.

Por isso, a Abojeris defende que a experiência da categoria precisa ser considerada na construção de novos fluxos de trabalho. A atuação dos oficiais de Justiça permite identificar dificuldades práticas, falhas de comunicação, problemas de endereço, demora no cumprimento das medidas e obstáculos que podem comprometer a efetividade da proteção.

Além dos encaminhamentos definidos a partir do evento, a Abojeris participa, junto ao TJRS, do Grupo de Trabalho criado para construir alternativas capazes de melhorar os fluxos de atendimento, reduzir o tempo entre a decisão judicial e o cumprimento das medidas protetivas e garantir que a proteção chegue a tempo de salvar vidas.

O GT já realizou sua primeira reunião. Por sugestão da Abojeris, foram chamados para o diálogo representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Polícia Civil, da Brigada Militar e da rede de apoio. A próxima reunião do GT está marcada para o dia 30 de junho, às 10h, no TJRS.

Deliberações do debate

O encontro reuniu cerca de 90 pessoas e contou com as painelistas: Taís de Barros, juíza do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Alegre; Ivana Battaglin, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do MPRS; Waleska de Alvarenga, delegada da PCRS e diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher e Mariana Boeckel, doutora em Psicologia e professora da UFCSPA.

A diretora da Abojeris, Cândida Gomes, mediou o debate e destacou que os oficiais de Justiça integram, na prática, a rede de proteção às mulheres. “Todos nós, ajudamos a construir a rede de apoio das mulheres, porque trabalhamos na linha de frente, diariamente. Este é importante para instigar e qualificar o nosso trabalho de combate à violência doméstica contra a mulher”.

Para o presidente da Abojeris, Valdir Bueira, os encaminhamentos demonstram que o debate começa a se transformar em ação. “Quando a proteção chega a tempo, ela pode salvar vidas. Por isso, queremos atuar junto às redes de apoio, dialogar com as instituições e também compreender melhor o trabalho de prevenção com homens autores de violência. O enfrentamento ao feminicídio exige responsabilidade coletiva”, ponderou.

A campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” foi lançada pela Abojeris para valorizar o papel dos oficiais na efetivação das medidas protetivas e contribuir com o aperfeiçoamento dos fluxos de proteção às mulheres em situação de violência. 

O desenvolvimento de comunicação foi realizado em parceria com a Interlig Comunicação Sindical e Popular.

Acesse o site: https://abojeris.com.br

Fonte: Assessoria de Imprensa


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