Para onde vai a água da chuva? Como funciona a rede de drenagem pluvial e as casas de bombas

Um sistema subterrâneo de túneis e galerias, que passa despercebido no dia a dia da população, funciona diariamente para escoar a água da chuva nas cidades. Em Porto Alegre, somam-se a essa rede as casas de bombas, estruturas que estiveram no centro do debate público durante a enchente de 2024.

César Lopes/ PMPA


Sob responsabilidade do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), o manejo de águas pluviais passa por um sistema composto por bueiros e redes de micro e macrodrenagem. 

Ele começa nos bairros, onde a água da chuva entra pelas bocas de lobo (bueiros), que estão conectadas às redes de microdrenagem, que fazem a captação inicial da água. A partir daí, a água segue um caminho de quilômetros até ser despejada em corpos hídricos, como rios e lagos.

O caminho da água da chuva em Porto Alegre

Captação inicial: o processo começa no bairro. Por meio da topografia natural do terreno, a água da chuva é direcionada para as redes de microdrenagem.

Condução por galerias e arroios: a partir dessas redes menores, a água se junta em galerias maiores ou canais. Porto Alegre possui 27 bacias hidrográficas (como os arroios Dilúvio, Cascatinha e Areia), que servem como condutores para essa água.

Encaminhamento para casas de bombas: nas zonas em que não consegue chegar ao destino por gravidade, a água passa pelas casas de bombas.

O destino da água varia entre o Guaíba, o Gravataí e o Jacuí, a depender da região.

César Lopes/ PMPA

Como funciona uma casa de bombas?

O sistema das casas de bombas funciona 24 horas por dia, com operadores presenciais e monitoramento remoto.

A reportagem de GZH visitou a Casa de Bombas número 13, localizada no Parque Marinha e responsável por drenar o esgoto pluvial do bairro Menino Deus.

Reformada após a última enchente, a unidade foi inaugurada em 1978 e faz parte do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, que inclui também comportas, diques e o muro da Avenida Mauá.

As casas de bombas representam a última etapa do sistema de drenagem, responsáveis por retirar a água da chuva acumulada e transferi-la para um corpo hídrico, neste caso, o Guaíba.

O passo a passo

A água chega por meio de um canal e passa por um sistema de gradeamento que retém o lixo, caso contrário os motores podem sofrer danos.

Um operador monitora constantemente o nível deste canal; quando ele sobe devido à chuva, os motores são acionados.

Cada motor tem uma capacidade específica. O operador decide, conforme a necessidade e o volume de água, se liga motores maiores, menores ou vários ao mesmo tempo.

Para garantir que o bombeamento não pare durante tempestades, a Casa de Bombas 13 conta com geradores de energia elétrica.

O sistema funciona 24 horas por dia, com operadores presenciais e monitoramento remoto por vídeo e aplicativo.

Luciano Lanes/ PMPA

Melhorias previstas para o sistema

De acordo com o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, estão previstos projetos para a construção de novas casas de bombas em Porto Alegre.

— Temos 23 casas de bombas hoje operando em Porto Alegre, desde o Cristal até a Zona Norte, e temos projetos de mais nove casas de bombas novas, muito maiores, muito mais robustas, nesse programa de Porto Alegre do Futuro — explica Perrone, em referência ao programa lançado em dezembro de 2025 pela prefeitura.

Outra atualização prevista para o sistema é um programa de resiliência energética do Dmae, desenvolvido em parceria com a CEEE Equatorial. Ele consiste na implementação de um sistema de dupla alimentação elétrica para estruturas de drenagem urbana em Porto Alegre.

O objetivo é que as casas de bombas recebam eletricidade de duas subestações diferentes, por meio de cabeamentos próprios vindos diretamente das fontes. Segundo o diretor, a iniciativa está em vias de ser finalizada.

Serviço previsto em lei

O Novo Marco Legal do Saneamento define a drenagem e o manejo das águas pluviais urbanas como um dos quatro componentes fundamentais para a universalização do saneamento básico. O serviço é de natureza pública, mas sua execução pode ser concedida à iniciativa privada.

Fonte: Diário Gaúcho/GZH


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