Nesta semana terminaram os preparativos para a reabertura do teatro Dante Barone, localizado dentro da Assembleia Legislativa do Estado (Praça Mal. Deodoro, 101). Após desviar os pés dos fios no chão e o olhar das luzes fortes dos holofotes, abre-se um mar de 600 cadeiras em vários tons de vermelho, que harmonizam com o tom bordô das paredes. Não se vê a cor dos carpetes, até então tapados por pedaços de papelão. Um piano, pronto para a apresentação, se destaca no meio do palco. Trabalhadores testam a iluminação, uns brincam com as cores das lâmpadas. Em meio ao vai e vem dos toques finais, o superintendente Administrativo e Financeiro Carlos Cogo, responsável pela supervisão da reforma, exclama: “É um espetáculo. Eu nem acredito”.
| Lucas Kloss / ALRS |
Apesar das obras continuarem, o Dante Barone reabre nesta sexta, 19, às 17h30min, em um evento que reúne apresentação de Gilberto Monteiro, compositor de “Milonga para as Missões”, e concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), que interpretará obras de Carlos Gomes, Frédéric Chopin e Piotr Ilyich Tchaikovsky. A escolha de inaugurar a programação com espetáculo da Ospa marca a persistência da parceria que existe desde a abertura, em 1970, quando a orquestra também se apresentou. Segundo Cogo, o maior desafio foi manter a identidade já conhecida do local, palco de marcantes debates políticos e grandes momentos da cultura no RS, mesclada aos elementos contemporâneos. Para ele, era importante que ainda se enxergasse o antigo teatro, mesmo que renovado, com novidades na sua estrutura.
Detalhes da reforma e acessibilidade
Uma das peculiaridades do espaço, os ripados acústicos de jacarandá, foram mantidos – um elemento que, além de caracterizar o espaço, não pode mais ser produzido, já que a extração de madeira da árvore tornou-se proibida por lei. As cores originais das paredes também continuam. Ainda assim, era importante atualizar o espaço de acordo com as novas regras de segurança e acessibilidade. A reestruturação, então, criou uma entrada alternativa ao teatro, adicionou elevadores e banheiros acessíveis e incluiu mais um camarim. Apesar do atraso de seis meses, muito devido à enchente de 2024, que comprometeu a chegada de materiais e mão-de-obra, Cogo define a entrega com “sensação de dever cumprido”.
Cultura para a comunidade
“Quando a gente leva uma atividade cultural e a população assiste, ela não assiste só um espetáculo musical. Ela está ali conhecendo um pouco da Assembleia Legislativa e sobre o que se faz aqui dentro, por cada um dos deputados que estão aqui”, comenta a diretora de Cultura e Memória, Michele Limeira. Sempre com entrada franca, Michele promete programação diversa, que mistura gêneros musicais e aposta em programas como sessões de cinema e premiações. Cogo conta que, dos deputados aos servidores, várias frentes da Assembleia se uniram para que a revitalização desse certo. “Em 21 anos de Assembleia, eu nunca tinha visto isso. O teatro mexeu com a estrutura da casa. Ninguém imaginou que o espaço tinha tanto valor para nós servidores, para nós da Assembleia.”
Fonte: Correio do Povo
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