O mercado internacional está cada vez mais aberto aos sabores cultivados na nossa terra. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de frutas frescas registraram um recorde histórico, tanto em valor quanto em volume. E no meio desse cenário extremamente positivo para a balança comercial do país, o Rio Grande do Sul assumiu o protagonismo absoluto em um setor estratégico: a venda de maçãs para o exterior.
Acompanhe os detalhes desse excelente momento para a economia e o campo brasileiro. Fábio Ribeiro dos Santos / Embrapa
A força de superação do pomar gaúcho
Após enfrentar intempéries climáticas severas que reduziram o potencial produtivo pela metade nos últimos quatro anos, o produtor gaúcho mostra a sua incrível capacidade de recuperação. Das 42 mil toneladas de maçã que o Brasil exportou entre janeiro e junho, impressionantes 33 mil saíram do Rio Grande do Sul. Isso significa que o nosso estado foi responsável por quase 80% de todos os negócios internacionais envolvendo a fruta neste período.
Esse volume marca uma retomada vigorosa do setor, que havia exportado apenas 11 mil toneladas nos anos de 2024 e 2025. Para se ter uma ideia do salto, a receita nacional com a exportação da maçã cresceu 223% em relação ao ano passado, somando US$ 44 milhões e consolidando o produto como a sétima fruta mais exportada pelo país.
Atualmente, a Índia é a principal compradora da maçã gaúcha, absorvendo quase 50% das nossas exportações. Países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, também seguem como parceiros comerciais muito importantes, mesmo com os atuais desafios logísticos globais.
O panorama nacional e o protagonismo da manga
Olhando para o cenário do Brasil como um todo, o levantamento Radar Agro Balança Comercial — elaborado pela consultoria Agro Itaú BBA com base em dados do Comex Stat — mostra que os embarques totais somaram 619 mil toneladas no semestre. O faturamento chegou a US$ 709 milhões, o que representa um salto de 21% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A grande campeã da pauta exportadora segue sendo a manga. Impulsionada pela força do Vale do São Francisco, na divisa entre Bahia e Pernambuco, a fruta teve um crescimento de 38% em volume e 42% em receita, faturando sozinha mais de US$ 140 milhões. Outro destaque notável foi o abacate, especialmente a variedade Hass (o popular avocado), que caiu no gosto do mercado externo e viu suas vendas saltarem expressivos 73% em faturamento devido à entrada de novos pomares em produção.
O que esperar do segundo semestre?
As perspectivas econômicas para a segunda metade do ano são as melhores possíveis. Tradicionalmente, este é o período de maior volume de embarques para frutas como uva, melão e melancia. A combinação de uma sazonalidade favorável, demanda internacional aquecida e a expansão para novos mercados na Ásia e no Oriente Médio promete manter o ritmo acelerado de vendas.
Além disso, avanços diplomáticos, como a evolução do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, tendem a fortalecer ainda mais a competitividade dos nossos produtos agrícolas com a eliminação ou redução de tarifas. Hoje, os europeus já são nossos maiores clientes: os Países Baixos lideram como destino principal (41% das vendas), seguidos por Reino Unido (14%), Espanha (12%) e Portugal (5%).
Ranking das frutas mais exportadas no 1º semestre (em faturamento)
1º Mangas: US$ 143 milhões
2º Limões: US$ 105 milhões
3º Melões: US$ 98 milhões
4º Outras (preparadas ou conservadas): US$ 82 milhões
5º Abacates: US$ 67 milhões
6º Melancias: US$ 58 milhões
7º Maçãs: US$ 44 milhões
8º Mamões: US$ 41 milhões
9º Uvas: US$ 20 milhões
10º Outras (congeladas): US$ 15 milhões
Fonte: Correio do Povo e Agro Itaú BBA
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