O Museu Ciência e Vida, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, transformou o seu planetário em um espaço verdadeiramente inclusivo. Tradicionalmente dependentes da contemplação visual, as sessões de astronomia foram adaptadas com modelos táteis, recursos sonoros e exibições inteiramente mediadas na Língua Brasileira de Sinais (Libras), garantindo que pessoas cegas e surdas também possam compreender os mistérios do universo.
| Museu Ciência e Vida/Divulgação |
Como explicar o céu pelo tato
A astronomia é uma ciência fortemente baseada na observação, o que costuma criar barreiras para quem tem deficiência visual. Para mudar essa realidade, o museu desenvolveu o projeto "O Essencial é Invisível aos Olhos". A iniciativa utiliza maquetes táteis e recursos sonoros para representar as constelações, as características dos planetas e os movimentos do céu. Com o tempo, peças que eram feitas de forma artesanal deram lugar a modelos precisos impressos em 3D, produzidos em parceria com designers da Fundação Cecierj e avaliados diretamente pelos próprios usuários com baixa visão.
O desafio da Libras no escuro
O atendimento à comunidade surda também evoluiu, mas enfrentou um obstáculo físico óbvio: as sessões de planetário precisam de um ambiente totalmente escuro para que as projeções fiquem nítidas, o que impedia a visualização dos sinais das mãos e das expressões faciais. Para resolver o problema, educadores e intérpretes criaram um sinalário em vídeo com os termos científicos mais usados no estado do Rio de Janeiro. Além disso, a contratação de um mediador surdo permitiu a criação de roteiros adaptados, culminando na estreia de uma sessão imersiva que apresenta o Sistema Solar em formato de viagem espacial, podendo ser acompanhada tanto por usuários de Libras quanto por ouvintes.
Transformação institucional e apoio
A trajetória da instituição fluminense mostra que a acessibilidade vai muito além de rampas ou adaptações de última hora; ela transforma a própria maneira de comunicar a ciência, tornando os espaços mais criativos e acolhedores para todos os tipos de público. Todo o trabalho de desenvolvimento e pesquisa contou com o apoio financeiro e fomento de agências importantes, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Fonte: Museu Ciência e Vida
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