Uma tecnologia inovadora desenvolvida no Rio Grande do Sul está transformando a realidade de pacientes que aguardam por um transplante de coração no Brasil. O novo equipamento, criado por uma empresa da cidade de Santa Rosa em parceria com o Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, dobra o tempo limite para o transporte do órgão com segurança, reduzindo as filas de espera e aumentando significativamente a captação de doadores em regiões distantes.
Acompanhe como funciona essa tecnologia que salva vidas a seguir.
O fim das caixas de isopor
Antes da novidade, os órgãos precisavam ser levados em caixas de isopor convencionais com gelo, o que limitava o tempo de ação das equipes médicas a um máximo de quatro horas. Com o novo dispositivo, batizado de Taura, esse prazo subiu para oito horas. O aparelho mantém a temperatura rigorosamente controlada entre 4°C e 10°C, possui bateria própria, pode ser conectado à energia de aeronaves ou veículos e ainda se comunica por um aplicativo, permitindo o monitoramento das condições do órgão em tempo real durante a viagem.
Reutilizável e de longo alcance
Embora já existam tecnologias semelhantes fora do país, elas costumam ser descartáveis, o que encarece o uso na realidade dos hospitais brasileiros. O grande diferencial do modelo gaúcho é ser reutilizável. O diretor cirúrgico do Instituto de Cardiologia, Juglans Souto Alvarez, explica que o aparelho ampliou o raio de busca aéreo para até dois mil quilômetros. Com isso, as equipes de saúde podem buscar corações em locais como Brasília, Rio de Janeiro e Salvador com total segurança. Em apenas dez meses de uso, a invenção já viabilizou 20 transplantes.
Esperança e vidas transformadas
A ampliação da rede de coleta reflete na rápida recuperação dos pacientes. O policial penal Vanderlei Guedes Marques, que sofreu três paradas cardiorrespiratórias no ano passado e ficou com o coração severamente comprometido, conseguiu um órgão compatível apenas dois dias após entrar na fila. Outra beneficiada foi a árbitra de futebol amador Amanda Santos, de 32 anos. O coração que ela recebeu só pôde ser trazido de outro estado graças à nova tecnologia. Moradora de Cruz Alta, ela já faz planos para o futuro e sonha em recuperar o condicionamento para voltar a apitar partidas nos gramados.
Fonte: g1 RS e RBS TV
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