SAÚDE: Exame de sangue pode prever risco de câncer de pulmão até cinco anos antes do diagnóstico

Um estudo internacional liderado por cientistas do Reino Unido e publicado na revista científica Cell revelou que um exame de sangue pode identificar o risco de desenvolvimento de câncer de pulmão com até cinco anos de antecedência. A descoberta inovadora captura uma resposta inflamatória específica no organismo, funcionando como um alerta muito antes de a doença aparecer em exames de imagem convencionais.

Acompanhe os detalhes dessa grande descoberta científica a seguir.

Reprodução

Inteligência artificial e análise de dados

O ponto de partida da pesquisa foi a análise de um banco de dados gigantesco do Reino Unido, contendo amostras de sangue congelado de centenas de milhares de voluntários colhidas anos antes de qualquer diagnóstico. Usando inteligência artificial para examinar quase 3 mil proteínas presentes nas amostras, os cientistas chegaram a um grupo de 14 substâncias. Quando combinadas com a idade, o histórico de tabagismo e doenças pulmonares prévias, essas proteínas previram o risco da doença de forma muito mais precisa do que os métodos usados atualmente na medicina. O padrão também foi confirmado em outras populações ao redor do mundo, somando mais de 55 mil pessoas analisadas.

Fotografia do solo, não da doença

O oncologista brasileiro Stephen Stefani explica que o grande mérito da pesquisa não é detectar o tumor em si, mas sim identificar a inflamação e a tentativa do pulmão de reparar danos, criando o "solo fértil" onde o câncer pode brotar. Esse raciocínio ajuda a responder a uma grande dúvida médica: por que alguns fumantes passam a vida toda sem ter a doença, enquanto pessoas que nunca encostaram em um cigarro acabam recebendo o diagnóstico? Tudo depende de como o tecido pulmonar de cada indivíduo reage a gatilhos inflamatórios, como a poluição ou mutações genéticas.

Impacto positivo nos não fumantes

Atualmente, as regras médicas de rastreamento focam em tomografias anuais de tórax para pessoas entre 50 e 80 anos com um longo e pesado histórico de tabagismo. O problema desse critério é que ele deixa de fora as pessoas que fumaram pouco, quem parou há muito tempo e, principalmente, quem nunca fumou. Com o novo método das 14 proteínas, as equipes de saúde poderiam identificar precocemente quem realmente precisa de acompanhamento preventivo com exames de imagem, independentemente do histórico com o cigarro.

Cautela e próximos passos na ciência

Apesar de a novidade ter repercutido bastante na última semana, o exame com a assinatura das 14 proteínas ainda não está disponível nos laboratórios e consultórios. Os autores explicam que a descoberta precisará passar por mais testes e atravessar anos de validação até virar um exame clínico confiável. Além disso, os médicos reforçam que apresentar uma assinatura proteica de baixo risco no exame não significa risco zero, o que não dá passe livre para ninguém continuar fumando ou ignorar os cuidados com a saúde e a poluição.

Fonte: O Sul


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