CIÊNCIA: Pesquisa de polipílula para prevenção do AVC busca 8,5 mil voluntários

Pesquisadores brasileiros estão recrutando voluntários para uma pesquisa pioneira com a primeira "polipílula" nacional desenvolvida para a prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e outras doenças cardiovasculares. O objetivo do estudo é reunir 8,5 mil participantes em diversos estados, que receberão acompanhamento clínico especializado e gratuito por um período de três a quatro anos.

Acompanhe a seguir como participar do projeto e os detalhes do estudo. 

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Como participar do estudo

Os interessados devem ter entre 50 e 75 anos de idade, nunca terem sofrido um AVC ou infarto e não podem estar utilizando medicamentos contínuos para controle de colesterol, hipertensão ou diabetes. As informações completas sobre o processo de inscrição e participação podem ser obtidas através do telefone ou do WhatsApp (51) 99935-6911.

O recrutamento e os exames de acompanhamento já estão ocorrendo em 14 centros distribuídos pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Acre e no Distrito Federal. Novos centros de referência em todo o país ainda estão sendo selecionados para expandir o projeto.

O que é a polipílula e o método de teste

A polipílula em teste é uma formulação única que combina três medicamentos: a rosuvastatina (10 mg), indicada contra o colesterol alto, junto com a valsartana (80 mg) e a anlodipina (5 mg), utilizadas no tratamento da pressão alta. O formato prático facilita o tratamento por permitir que os princípios ativos sejam ingeridos em apenas um comprimido diário.

No modelo de pesquisa clínica adotado, os voluntários serão divididos em dois grupos mediante sorteio. Uma parte utilizará a polipílula verdadeira, enquanto a outra parcela receberá um comprimido placebo, sem a medicação ativa. Ao longo do estudo, os médicos avaliarão se o tratamento contínuo é capaz de reduzir o risco de sofrer um AVC, desenvolver demência ou piorar as capacidades de memória e cognição, além de monitorar indicadores de infartos e falhas cardíacas.

Origem e impactos do projeto

A pesquisa nacional é conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde (por meio do Proadi-SUS) e as redes de atenção primária. A coordenação geral é da neurologista Sheila Martins. A combinação de medicamentos foi criada por um comitê nacional em diálogo com referências internacionais dos Estados Unidos, Austrália e Inglaterra.

Segundo a médica Sheila Martins, a adesão da população é o fator mais decisivo do projeto: "Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção", ressalta. Atualmente, o AVC é a principal causa de mortes no Brasil, mas os especialistas estimam que quase 90% dos casos poderiam ser prevenidos com o controle adequado da hipertensão e a adoção de hábitos saudáveis.

Fonte: Agência Brasil



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