A agência reguladora americana, Food and Drug Administration (FDA), aprovou nesta quarta-feira (26) o uso do medicamento daraxonrasib para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pâncreas metastático. A liberação da pílula, que será comercializada sob o nome Rasonque, ocorreu cerca de seis meses antes do prazo previsto para a conclusão da análise. Em junho deste ano, os resultados dos testes com o remédio causaram grande comoção e aplausos de pé durante o maior congresso de oncologia do mundo, realizado em Chicago.
Acompanhe a seguir os detalhes desse tratamento revolucionário.Pexels
Sobrevida dobrada e baixa toxicidade
O estudo clínico submeteu 500 pacientes a testes extremamente rigorosos, dividindo os participantes entre o uso do novo comprimido e a quimioterapia convencional. Os resultados mostraram que o medicamento praticamente dobrou o tempo de vida mediano das pessoas em tratamento, reduzindo o risco de morte em 60%. Além da eficácia comprovada, um dado que chamou muita atenção foi a baixa toxicidade: apenas 1,2% dos pacientes precisaram interromper o uso do daraxonrasib por conta de efeitos colaterais, contra 11,2% no grupo que fez quimioterapia.
O bloqueio de uma proteína intratável
O novo remédio é administrado de forma simples, em apenas um comprimido diário, e tem como alvo diferentes formas da proteína RAS, que atua como um interruptor celular responsável por ordenar o crescimento descontrolado dos tumores. Durante décadas, bloquear o funcionamento dessa molécula foi considerado um dos grandes obstáculos da ciência médica, rendendo a ela a fama de ser "intratável". A nova tecnologia conseguiu superar essa barreira histórica, oferecendo uma redução mensurável dos tumores em mais de 31% dos casos analisados.
Esperança contra uma doença silenciosa
O câncer de pâncreas é conhecido por ser uma doença que raramente apresenta sintomas em suas fases iniciais. Por conta disso, cerca de 80% dos diagnósticos ocorrem quando o tumor já está em estágio avançado ou espalhado para outros órgãos, o que dificulta o combate. No Brasil, são registrados cerca de 13 mil novos diagnósticos anuais, com uma das taxas de sobrevivência mais baixas de toda a oncologia. Com a aprovação precoce, a nova pílula abre uma janela de esperança real, oferecendo sobrevida e qualidade de vida para pacientes que antes contavam com pouquíssimas alternativas.
Fonte: g1
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