Um dispositivo portátil capaz de identificar a bactéria causadora da tuberculose em menos de cinco minutos está sendo desenvolvido a partir de uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). O equipamento é resultado do trabalho da doutoranda em Química Tecnológica e Ambiental Ana Paula de Oliveira Lopes Antunes, que deu origem à Nernst, uma startup incubada na Innovatio/Furg.
Entenda a seguir como funciona a nova tecnologia e as próximas fases do projeto.
| Foto: Divulgação / Nernst |
Como funciona o diagnóstico rápido
A proposta da inovação é permitir que, no futuro, a tecnologia seja utilizada em unidades básicas de saúde, comunidades rurais e indígenas, além de unidades prisionais, especialmente em locais que não possuem estrutura de laboratório para exames. O funcionamento da máquina pode ser comparado ao de um glicosímetro. O sistema conta com um equipamento portátil e um pequeno sensor descartável, onde é colocada uma amostra de escarro do paciente em vez de sangue. O sensor detecta a presença da bactéria e envia o resultado para o aparelho, com a meta de que o processo dure menos de cinco minutos — um avanço significativo em relação ao teste rápido atual, que leva cerca de duas horas.
Prototipagem e expectativa de economia
O aparelho foi pensado para não depender de equipamentos complementares e poderá ser manuseado por agentes de saúde após um treinamento. Atualmente, o dispositivo está na fase de prototipagem, momento em que os pesquisadores aperfeiçoam a versão funcional. Os testes ainda ocorrem em laboratório, sob condições controladas, sem a utilização direta em pacientes. Os próximos passos envolvem testagens em ambientes reais e a aprovação regulatória por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa da empresa é reduzir os custos do diagnóstico em aproximadamente 70% em relação ao método mais utilizado hoje.
Destaque em programa de inovação
O potencial da tecnologia levou a Nernst a conquistar o primeiro lugar no Programa Hangar 2026 – Edição Especial Energia e Saúde. A competição nacional e internacional avaliou 32 projetos e selecionou os melhores para sessões de mentoria e apresentações para uma banca avaliadora. Como prêmio, a startup garantiu três meses de mentorias técnicas e a participação no Tecnopuc Experience, agendado para outubro. Segundo a pesquisadora Ana Paula, a premiação representa uma oportunidade concreta para estruturar o negócio e fazer com que a solução tecnológica desenvolvida na universidade chegue efetivamente à sociedade.
Fonte: GZH
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