MEIO AMBIENTE: Pesquisa da UFSM explica como florestas ajudam a frear enchentes e filtrar poluentes

As florestas nativas, que ocupam cerca de 15% do território do Rio Grande do Sul, podem desempenhar um papel fundamental na redução dos impactos causados por chuvas intensas nas cidades. É o que mostra uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que analisou como as áreas florestais influenciam o comportamento da água e a qualidade ambiental.

Acompanhe a seguir os detalhes desse estudo e entenda a importância da natureza na prevenção de desastres.

Foto: Reprodução / RBS TV

Barreira natural contra as chuvas

De acordo com os pesquisadores, as árvores funcionam como uma grande barreira. Parte da água da chuva fica retida nas copas antes mesmo de atingir o solo. Quando a precipitação chega ao chão em áreas cobertas por floresta, a tendência é de que a água se infiltre no terreno e permaneça armazenada na camada de matéria orgânica, que é naturalmente formada por folhas, galhos e outros resíduos vegetais caídos.

Segundo Mauro Schumacher, professor do Departamento de Ciências Florestais da UFSM, esse material no chão reduz o escoamento, evitando que a água corra superficialmente com velocidade e força sobre a terra. O estudo indica que essa capacidade de reter e absorver o volume de chuva ajudou a amenizar os efeitos das grandes enchentes que atingiram a região. Sem a presença dessas áreas de preservação, os danos provocados pelas cheias teriam sido ainda mais graves.

Prevenção e redução de danos

Para o doutorando em Engenharia Florestal Pedro Borges, as matas atuam de forma decisiva contra eventos climáticos extremos. "As florestas são um meio de prevenção para a gente não ter essas catástrofes que geram tantos impactos sociais, ambientais e econômicos, servindo também como um elemento para mitigar esses impactos", explica o pesquisador.

Filtros naturais contra a poluição

Os resultados da pesquisa foram obtidos a partir da análise de coletores instalados no Jardim Botânico da instituição. Além de medir a chuva, os equipamentos permitiram identificar substâncias químicas transportadas pelo ar. Os especialistas verificaram que as árvores também exercem a função de verdadeiros filtros naturais, retendo partículas trazidas pelo vento.

Entre essas partículas bloqueadas pelas copas estão compostos que viajam por enormes distâncias, como a poeira originada no Deserto do Saara, na África, e os resíduos de fumaça das queimadas registradas na região Centro-Oeste do Brasil. Schumacher ressalta que a deposição desses poluentes acaba refletindo diretamente no solo, na qualidade da água, na sobrevivência dos animais e na saúde da população.

A urgência da preservação

Para a equipe responsável pelo estudo, ampliar e cuidar da cobertura vegetal é uma estratégia indispensável para proteger os recursos hídricos e preparar as cidades para as mudanças climáticas. O acadêmico Lucas Almeida reforça que a vegetação contribui diretamente para a "sanidade do meio ambiente".

A conclusão geral é de que a presença de áreas verdes traz benefícios vitais que vão muito além da paisagem. "Quanto mais a gente preservar a floresta, e quanto mais a gente plantar, melhor vai ser para a sociedade", finaliza Borges.

Fonte: RBS TV / G1 RS


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