MEIO AMBIENTE: UFRGS cria o primeiro banco genético de corais do Atlântico Sul para proteger recifes
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Instituto Federal da Bahia (IFBA), anunciaram a criação do primeiro banco genético de corais do Oceano Atlântico Sul. O estudo, publicado recentemente, desenvolveu uma técnica inovadora de congelamento de sêmen capaz de armazenar material genético vital para a preservação marinha. A descoberta inédita abre caminhos promissores para a reprodução assistida e a restauração em larga escala de recifes afetados pelas mudanças climáticas.
Fique por dentro de como funciona essa nova tecnologia de conservação.
| Foto: Léo Francini/Divulgação |
O foco na espécie coral-couve-flor
A investigação foi conduzida pelo grupo científico ReefBank e conseguiu desenvolver um protocolo seguro para congelar e armazenar 2,4 bilhões de espermatozoides do coral endêmico Mussismilia harttii, conhecido popularmente como coral-couve-flor. Essa espécie é considerada fundamental para a sobrevivência e a manutenção dos recifes brasileiros, mas atualmente encontra-se bastante ameaçada pelo aquecimento das águas oceânicas.
Coleta e eficácia do congelamento
Para formar esse banco pioneiro, os cientistas acompanharam o ciclo reprodutivo natural da espécie em uma área marinha protegida no sul da Bahia. Como os corais da região se reproduzem naturalmente apenas uma vez por ano, e durante uma janela muito curta de dias, o material precisava ser preservado com a máxima eficiência. A equipe testou várias técnicas de conservação, e o melhor resultado alcançou uma taxa de fertilização de 100% dos óvulos, garantindo uma eficácia equivalente à do sêmen fresco.
Estoques de esperança para o futuro
Segundo o professor Leandro de Godoy, coordenador da pesquisa, a biotecnologia transforma o tempo em um grande aliado da natureza. O pesquisador explica que o congelamento das células reprodutivas permite preservar a diversidade genética e criar verdadeiros "estoques de esperança". Na prática, isso significa que, mesmo que os corais sofram com eventos climáticos extremos e mortalidade em massa, a ciência terá um material genético perfeitamente seguro e viável para recuperar e repovoar os recifes sempre que for necessário.
Fonte: UFRGS
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